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- O que você esta fazendo aqui? – Pergunta Aaron animadamente.
Austin toma fĂ´lego para falar, mas antes que possa dizer qualquer coisa, Aaron corta.
- NĂŁo, espera. Como foi que nos encontrou?
- Como eu não sentia mais a Sely, passei a seguir você. Afinal de contas, Sely conseguiu ocultar sua aura, mas em compensação a sua – Diz fazendo uma careta para Aaron, balançando a cabeça – Brilhava feito pisca-pisca, avisando “Ei, estou aqui”.
Diz tudo isso sem perder o animo. Aaron parecendo um pouco envergonhado abaixa a cabeça e fita o chão. Mas logo a levanta, deixando transparecer uma expressão de confiança estampado no rosto.
- Não tenho ideia de como se oculta a aura. E Mesmo que soubesse, não o faria. – Agora com um sorriso de ponta a ponta – Sabe, gosto de saber que os outros saibam minha localização. Com os inimigos mais perto e a morte iminente, faz com que eu me sinta mais vivo. Sempre alerto, pronto para qualquer combate...
- NĂŁo Aaron. Conheço muito bem como ele age. Já passei por isso e nĂŁo estou brincando quando falo que ele sabe direitinho como nos manipular e fazer exatamente o que ele quer. Pensar exatamente o que ele quer que nĂłs pensemos. Sabe brincar com nĂłs. E enquanto estivermos presos no plano fĂsico, nĂłs nĂŁo passamos de ratinhos em gaiolas a mercĂŞ de um grande felino. – Paro para limpar a garganta – E isso tudo nĂŁo passa de uma bomba relĂłgio que vai estourar na nossa cara.
Aaron está fazendo uma careta como se pensasse em cada apalavra que eu disse. Dessa vez Austin toma a palavra.
- Relaxa Sely, nada de bombas estourando, nem de ratos em gaiolas. – Depois põem a mão em meu ombro – Vamos ficar bem.
- É Sely, não precisa ser tão paranoica – Diz Aaron dando de ombros.
- NĂŁo. NĂŁo. NĂŁo. Sem chance – balanço a cabeça – Se eu fizer isso daĂ sim que estarĂamos fritos. Com as posições de vocĂŞs dois já reveladas brilhando como um farol por ai. Se eu revelar a minha, junto da de vocĂŞs... Aqueles malditos nĂŁo pensaram duas vezes antes de nos atacar com força total e nĂŁo posso nem sequer imaginar vocĂŞ, Aaron... Nick, qualquer um machucado, sem falar no caos que isso causaria. – De punhos cerrados eu continuo – Seria um verdadeiro banho de sangue inocente Austin, nĂŁo posso permitir.
Caramba, a visita de Austin e todo aquele papo de morte, me fez esquecer complemente de Nick e nem ao menos perceber quando o sinal tocou.
Saio correndo aos tropeços para a sala da qual eu a vi entrar pela ultima vez, deixando dois anjos completamente confusos.
Saà correndo cortando multidões de gente que começam a brotar do corredor, desviando de boa parte, mas esbarrando em poucos que insistiam em ficar em meio ao caminho. Chego a tempo de ver Taylor debruçada sobre Nick segurando seu pulso, intimidando-a. Vou em sua direção pego em seu braço e a empurro violentamente.
- Tire suas mãos imundas de cima dela – Digo entredentes, controlando a raiva que a cada dia cresce dentro de mim. Aquela garota estava me irritando cada dia mais, despertando o pior em mim.
- Se não o que? Bylgard? – Diz ela me desafiando, sorrindo loucamente – Você vai fazer o que?
- Ah, você vai ver o que eu vou fazer – Digo partindo pra cima dela não podendo conter mais o surto de raiva que tenho.
Mas antes que eu possa passar meus dedos pela sua garganta, braços fortes e vigorosos passam ao redor de minha cintura, me puxando para trás, impedindo de eu dar uma boa lição naquela garota. Afinal de contas, que mal Nick fizera a ela?
Depois de eu parar de me debater, Austin segura minha cabeça entre suas mãos e me olha nos olhos, aqueles lindos e intensos olhos azuis.
- Sely meu amor, calma. Fique calma.– Diz isso sorrindo, fazendo com que de fato eu me acalme.
- O que? Tá de brincadeira? Não me diga que você está...
Taylor parece ter ficada louca de vez, quando começa a andas de um lado para o outro. Depois para, vem na direção de Austin e o segura pelos ombros.
- Gato, sei que o que vou te dizer vai magoar esse seu lindo coraçãozinho, mas eu preciso falar a verdade, preciso tirar esse peso dos meus ombros – Depois coloca a mão direita sobre seu peito - A Sely tem outro. – Diz isso fazendo uma cara de dó.
A ira momentaneamente esquecida dentro de mim retorna com força total.
- Do que vocês tá falando garota? Olha, eu juro que não respondo mais por mim.
- NĂŁo se faça de tonta, SelĂŞnia. Eu vi perfeitamente vocĂŞ e Aaron no maior clima ontem Ă noite. O rosto de Aaron a centĂmetros do seu. Qualquer burro pode muito bem saber o que aconteceu logo depois.
Aaron me solta e coça o pescoço olhando para baixo escondendo o que somente eu vi. Seu rosto corando.
Austin parece serio. A declaração de Taylor parece não tê-lo afetado.
- Sua burra! Eu e Aaron somos apenas bons amigos. Não aconteceu o que você pensa que aconteceu. Você esta tirando conclusões precipitadas! – Figo gritando.
- Esse olho – Ela coloca o dedo embaixo do olho esquerdo, depois do direito – É irmão deste. E estes sabem muito bem o que viram ontem à noite.
- Olha, eu já disse... Ah! Eu não vou perder meu tempo com você – Digo já irritada.
Taylor volta a se dirigir a Austin.
- Caramba, não sei o que você e o moreno sexy ali – Aponta para Aaron – Viram em Selênia. – Depois passa a mãos pelos cabelos de Austin que fica ali parado, olhando-a. – Eu acho que você deveria experimentar algo um pouco mais... – depois olha maliciosamente para ele – apimentado.
Termina de dizer e puxa Austin pelo colarinho, pressionando seus lábios nos dele.
- Mas que…
Dessa vez nem mesmo Aaron ousa me segurar. Austin a empurra e antes mesmo que ela possa se perguntar do porque, eu a acerto diretamente na boca, deslocando seu maxilar ao escutar um “TREC” e torcendo para ter quebrado alguns dentes, ela cai para trás com a boca toda ensanguentada, gemendo de dor, mas antes que eu possa terminar o serviço, Austin me segura fortemente.
- Selênia, você enlouqueceu? – Diz ele de olhos arregalados, assustado.
- Eu enlouquecei? Ela enlouqueceu. – Digo tremendo de raiva.
- O que está acontecendo aqui?
Surge uma voz no final do corredor que vem caminhando com passos ligeiros em nossa direção. O barulho de seu salto agulha faz um som estridente pelo corredor.
- Isso foi legal. – Diz ele com um sorriso maroto nos lábios.
- Foi? – Pergunto pensando se ele achou legal minha “quase” briga com a Taylor, ou nossa louca escapada.
- Foi, claro que foi. – Depois ele aperta os olhos, quando olha para o nada e gesticula com as mãos. – Nós saindo rapidamente pelo corredor, fugindo... Fugindo... Não sei de quem, com todos nos aplaudindo, quero dizer, te aplaudindo. Você deve ter muitos fãs por aqui.
- FĂŁs, pera aĂ, do que vocĂŞ tá falando? – Pergunto rindo de tudo o que ele disse. – NĂŁo viaja.
Austin coloca sua mĂŁo direita em minha bochecha e a alisa.
- Mas que...
Dessa vez nem mesmo Aaron ousa me segurar. Austin a empurra e antes mesmo que ela possa se perguntar do porque, eu a acerto diretamente na boca, deslocando seu maxilar ao escutar um “TREC” e torcendo para ter quebrado alguns dentes.
NĂŁo sei como posso explicar o que aconteceu na noite passada, ou como contar o que aconteceu. Simplesmente foi mágico, maravilhoso. Eu e Aaron dançamos a noite toda seguros nos braços um do outro. Enquanto todos dançavam lá dentro freneticamente, eu e Aaron aproveitávamos nosso momento juntos, a musica que ali tocava acalmava as batidas de nossos corações, que batiam incessantemente. As estrelas, a musica, o gazebo, Aaron... Tudo tornam isso numa noite inesquecĂvel.
Depois que eu deixei Nick em sua casa, fui para minha, entrei, subi direto para o quarto, joguei os sapatos para o alto e me joguei na minha cama, já fazia varias noites da qual eu nĂŁo tinha dormido por causa dos pesadelos horrĂveis, das quais nĂŁo quero nem mencionar, mas ontem de fato eu estava exausta, nĂŁo hesitei um segundo se quer quando me joguei sobre a cama com vestido e tudo. Hoje pela manhĂŁ eu acordei de atravessado na cama e fiquei me perguntando por um segundo como fui parar ali.
- Com quem vocĂŞ anda aprendendo sobre corridas e apostas?
- Com o Aaron sabe, andei pesquisando o modelo do carro dele e caramba! – Diz de olhos arregalados – Como um garoto de 18 anos conseguiu comprar um carro daqueles? O carro dele vale mais ou menos o valor da nossa casa!
De olhos arregalados e um tanto surpresa pela cara que a velha fez, eu dou de ombros e vou em direção à recepção, chegando lá, a mulher indiferente assina a autorização, seu rosto demonstrava cansaço como se já tivesse feito isso mais de mil vezes. Agradeci, pego a autorização, depois lembro que esqueci de perguntar qual era o nome da senhora do corredor, mas quando estou prestes para voltar, um arrepio percorre minha espinha, gelando meu corpo por inteiro, minha garganta forma-se um nó, a cor do meu rosto some, posso sentir que ela some, minha respiração se intensifica as batidas de meu coração retumbam em meu peito, eu conheço só uma pessoa que pode provocar tudo isso em mim.
- Você não acha que já matou aula de mais?
Sua voz me faz arfar. Tão doce, tão terno, penetrando no mais fundo de minha aura, a fazendo inflamar. O doce som de sua voz faz eu desenterrar diversas lembranças e sentimentos há tanto tempo escondidos. Depois que Aaron me achou, eu sabia que era só uma questão de tempo, eu sempre soube, e como fizera antes decidi seguir meu coração e aceitar que isso aconteceria, era inevitável, e eis que o dia chega.
Ele solta um gemido abafado em meu ouvido, fazendo com que eu o abraçasse ainda mais forte. A sensação de seu peito contra o meu era reconfortante, um encaixe perfeito.
Ele me solta, mas nĂŁo muito ainda, continuava com as mĂŁos em meus braços. Me olha nos olhos e sorri docemente, seus olhos continham um brilho inconfundĂvel.
- NĂŁo sabe o quanto eu a procurei por todos os lados – Diz com uma voz sufocada – Eu procurei milĂmetro por milĂmetro desse mundo. E toda vez que eu sentia sua presença mais prĂłxima de mim... – Seus olhos brilham de dor e tristeza – VocĂŞ sumia.
O mesmo que Aaron me disse.
- Eu... Eu... NĂŁo sei o que dizer. Sinto muito por isso, mas vocĂŞ sabe que foi preciso, eles viriam...
- Eu sei, eu sei, mas quem garante que ele falou a verdade sobre as perseguições? Pode ser que ele tenha dito isso só para nos separar.
- E se nĂŁo disse a toa? E se falou realmente a verdade? Eu nĂŁo podia arriscar.
- E por que esta arriscando agora? – Diz me olhando nos olhos, nĂŁo deixando passar um resquĂcio qualquer de que eu esteja mentindo.
- Porque eu simplesmente cansei. Cansei de fugir, cansei de me esconder, cansei de evitar você... E cansei de esperar um sinal de que tudo isso possa terminar. O exilio, as perseguições, tudo sabe.
Ele me olha nos olhos como se entendesse minha dor, meu desespero e aflição.
Coloca a mão em minha cabeça e enterra os dedos em meus cabelos, enquanto a outra pousa levemente em minha cintura me puxando para perto de seu. Nossas testas estão coladas, seus olhos olhando diretamente para os meus, seus lábios entreabertos tão convidativos, são o encaixe perfeito para os meus sedentos, cheio de desejo.
Não podendo conter mais a emoção e o desejo que consumia por dentro, eu coloco as mãos em seu rosto e o puxo colando meus lábios nos dele.
Seus lábios eram quentes e suaves, fazendo com que o desejo dentro de mim ardesse ainda mais. Seu beijo era exatamente como eu me lembrava, delicado, mas, ao mesmo tempo, voraz. Uma lembrança a tempo esquecida. Com a mão entrelaçada em meu cabelo, ele os puxava levemente, provocando uma deliciosa sensação em mim. Sua outra mão me prendia pela cintura, pressionando meu corpo contra o seu. E a sensação era maravilhosa, ali era seu lugar, junto do dele.
Ele sugava meu lábio inferior para depois pressionar sua lĂngua macia por entre meus dentes. Eu faço o mesmo e mais. Quero mostrar a ele o quanto eu senti sua falta, mostrar e ele o que eu estou sentindo agora a emoção que corre em minhas veias, que faz meu coração bater fortemente contra o peito.
Ele se afasta levemente, me olha sorrindo.
- Eu te amo Austin. Sempre amei.
O sorriso em seu rosto torna-se ainda maior.
- Austin?
Pergunta Aaron surgindo de repente, parado no meio do corredor com o rosto inexpressĂvel.
Seus lábios eram quentes e suaves, fazendo com que o desejo dentro de mim ardesse ainda mais. Seu beijo era exatamente como eu me lembrava, delicado, mas, ao mesmo tempo, voraz. Uma lembrança a tempo esquecida. Com a mão entrelaçada em meu cabelo, ele os puxava levemente, provocando uma deliciosa sensação em mim. Sua outra mão me prendia pela cintura, pressionando meu corpo contra o seu. E a sensação era maravilhosa, ali era seu lugar, junto do dele.
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Eu a espero em frente a sua casa, já com o skate na mão, Nick passou a gostar da ideia de andar de skate, com o passar dos dias ela já se acostumara de ir e vir de skate.
O som de seu nome saindo de meus lábios sufocou uma saudade que havia a tempo em meu peito.
Um impulso vem de dentro de mim, fazendo com que eu corra em sua direção e acabe pulando em cima dele, que me abraça fortemente em quanto rodamos em cĂrculos. Seus braços sĂŁo grandes e fortes, sustentando meu peso, como se eu fosse um simples travesseiro de penas.
Quando paramos, ele me solta e me olha em expectativa, examinando cada centĂmetro de meu rosto,
Eu desvio o olhar, e começo a morder o lábio inferior, buscando uma saĂda. Aquela conversa começou a tomar um rumo do qual eu nĂŁo queria nem sequer ai menos pensar. Quando percebo que estou olhando para o chĂŁo por vários minutos, sem dar a resposta, acabo de dar o que ele queria. Me entreguei sem perceber.
Tomo folego para falar, mais ele me silencia com um dedo sobre os lábios, a centĂmetros do meu rosto, eu observo seus olhos, vou para dentro do mais profundo verde-esmeralda que ali me esperam. É como se eu tivesse entrado em transe. Posso sentir sua respiração quente em meu rosto.
Olho pra ele com os olhos arregalados sacudindo a cabeça, negando o que acabo de ouvir e contendo o riso.
- Diz o Sr estudioso, que a cinco minutos atrás estava louco para ir pra aula... “estudar” – Engrosso a voz no final imitando ele, rindo baixinhos.
Ele revira os olhos.
- Esqueça o que eu disse, tá na hora de você aprender o meu lema sobre aulas Sely. “Antes nunca do que tarde”.
- Sabe que não posso deixar ele me encontrar. Isso pode acabar mal. Muito mal. Eles estão nos seguindo. Só não me encontraram ainda porque com a aura oculta, nenhuma criatura sobrenatural pode me encontrar. Quanto a ele, as criaturas o estão seguindo, só não o atacaram ainda porque estão esperando eu cruzar seu caminho. É isso que eu temo.
- Ah, mais uma coisa. – Ele para e me olha atentamente. – Se eu ocultei minha aura e você não pode mais me sentir, como foi que você me achou?
Ele sorri exibindo seus belos dentes brancos, depois me puxa para um abraço. Minha cabeça aconchegava-se em seu peito largo e forte. Ele apoia se queixo sobe minha cabeça, me envolvendo com seus braços.
Chegando lá, como nĂłs nĂŁo podĂamos mais entrar, ficamos sentados no portĂŁo esperando as aulas acabarem. Quando enfim Nick saiu da sala, nĂłs vamos ao seu encontro. Ela olha para mim, depois fixa seu olhar em Aaron.
 28 de fevereiro, 2014 – Califórnia, 07h59min AM.
Eu a observa-a de longe conversando com a Nick. Ela estava repassando as últimas instruções sobre como vim e voltar da escola. Vi ela preparar seu lanche com muito cuidado e carinho.
Ela entregou a mochila a Nick, que lhe deu um beijo no rosto e saiu pela porta. Eu espero o momento certo, e 1… 2 … 3!
-Â AH! Sely, que susto que vocĂŞ me deu - Diz ela com os olhos arregalados, ofegante.
Eu havia pulado a sua frente, surpreendendo-a.
- Haha, desculpa pequena - Digo abraçando-a, tentando acalmar as batidas do seu coração que batem incessantemente - Adivinha só?
- Nick… Nick, o que foi? - Abigail sai num rompante pela porta.
-Â NĂŁo foi nada mamĂŁe. A Sely me assustou.
- Ah… Oi Selenia – Abigail acalma-se a me ver ao lado de Nick – Seus pais voltaram?
Desde que me mudei para a casa ao lado, Abigail ficou louca para conhecer “meus pais”. Logo percebi que teria que inventar uma desculpa para estranha ausĂŞncia de minha famĂlia. Por ela nunca os terem conhecido, ou ouvido falar deles.
Abigail acreditou sem ao menos questionar. Para ela eu era a adolescente podre de rica, abandonada pelos pais que tentam suprir sua ausĂŞncia com dinheiro. Para os de mais do bairro, eu era uma importante filha de mafiosos que ficava ali por proteção da famĂlia. As teorias sobre minha famĂlia ficavam cada vez mais engraçadas,
 Sem ter muitas opções, pois já havia falado quase tudo o que eu queria. Ela aponta e diz
- É aquela ali a Taylor. E com ela estão suas amiguinhas sem vida própria, que a seguem feito uns cachorrinhos.
- É tudo que eu precisava saber.
Continuo sentada em baixo da árvore despreocupadamente, tirando os fios soltos do meu calção quando apareceu ao nosso lado uma garotinha da mesma idade de Nick, com os cabelos loiros, finos e lisos, presos num rabo de cavalo. Sua franja reta acompanhava a linha de seus óculos que juntos escondiam grande parte de seu rosto branquinho com pequenas sardas espalhadas em torno do nariz.
- Acho que ela perdeu a lĂngua – Diz a com tĂŞnis vermelho.
As demais riem e apenas concordam. Como Nick havia dito, um bando de cachorrinhas na coleira.
- Mas acho que temos que reensinar as pirralhas as regras deste lugar. Depois cuidamos da muda aĂ. – Diz apontando pra mim e avançando na direção de Nick. Quando vejo que ela está a poucos metros de Nick, me levanto tĂŁo rápido que no meu lugar forma-se um borrĂŁo. Pego no colarinho de Taylor e a puxo bem perto. As outras com a minha inesperada reação, ficam sem ação, paradas imĂłveis com os olhos arregalados.
Sem dar chance de resposta, eu a empurro no chão. Fazendo com que ela tropeçasse duas vezes antes de cair e se estatelar no chão.
Quando enfim suas amigas saĂram do transe que entraram quando eu agarrei Taylor, quando pensaram em reagir, o sinal da escola toca, impedindo que elas continuassem. Taylor enfim se levanta, tira a poeira da roupa, aponta o dedo para mim, abre a boca para falar algo, mas no Ăşltimo segundo, desiste.
Saem caminhando em direção a porta da entrada, todas entram, Taylor fica por último, mas antes de entrar ela se vira para mim e passa lentamente o polegar pela garganta, olha fixamente para mim antes de se virar e entrar.
- Não se preocupe com ela. Ela não fará mais mal a você – Depois olho no relógio – Vai, você vai se atrasar.
Ela apensas assente e sai correndo e indo em sua sala. Eu agora, sozinha no corredor, não sabia o que iria fazer. “Bem, só me resta ir para aula… Eu acho”
- Eu escolho ela. – Uma garota aponta para mim. Ela usava um aparelho daqueles gigantes, e seu jeito de andar era um pouco desengonçado. Sorriu para mim, o que deixou seu aparelho maior do que já era.
- Oi, sou Samantha, mais pode me chamar de Sam.
- Prazer Sam, sou Selenia – Sorrio retribuindo sua gentileza.
Ela está com a bola quando vem correndo, pula e com toda a sua força joga a bola. Eu a pego e sem dar tempo dela pensar, a jogo com toda força acertando-a no rosto, igualmente como ela fez a Sam.
NĂŁo pretendo comer tudo aquilo, mas pretendo dar a impressĂŁo de que sim. Me sento junto com elas. Comemos as trĂŞs silenciosamente, Jenna devorou seu iogurte em menos de um minuto, Nick tomava aos poucos, com cara de quem nĂŁo consegue tomar mais um gole sequer.
Sem sinal da Taylor ou seus cãozinhos de estimação.
- Sim, só estamos esperando a mãe de Jenna vir para buscá-la. – Depois diz com a voz quase num sussurro – Ela tem medo de ir sozinha por causa da Taylor.
Apenas assenti, porque afinal de contas, ela tem razĂŁo.
De repente um carro preto para em nossa frente, o vidro abaixa e por detrás dele revela uma mulher loira de óculos grandes e aparentemente desconfortáveis.
– Vem Jenna, vem logo, você tem consulta as 4 horas, ah, oi meninas – Depois se direciona a Nick e a mim.
- Hã, olá – Respondo apenas isto, pois não conheço, nem ao menos sei o nome.
- Estou indo mamãe – Se vira para nós para poder se despedir – Tchau Nick – Depois me olha e sorri feito cúmplice -– Tchau Selenia. Adorei o que você fez hoje, já te disse que sou sua fã?
E sai correndo dando a volta no carro, que assim que ela entra, arranca a toda velocidade.
Olho para Nick com as sobrancelhas arqueadas, surpresa por ver a mulher tĂŁo calma no volante, mas assim que tem a oportunidade, pisa fundo no acelerador, arrancando a toda velocidade.
Nick pega minha mão e vamos andando pela calçada tranquilamente, quando ouço passos atrás de nós.
- VocĂŞ nĂŁo acha que iria ficar por assim mesmo, acha? Que viria aqui no primeiro dia de aula e me humilhar como se eu fosse uma qualquer?
- Eu não acho nada. Eu apenas sentei debaixo da árvore com a Nick e você veio em nossa direção nos provocar, eu apensas a defendi – Digo sabendo que era verdade.
Diz pondo fim a conversa, partindo para cima de mim, suas amigas vinham logo atrás. Isso era a última coisa que eu queria, nunca quis que chegasse a esse ponto, mas Taylor estava me obrigando a partir pra ofensiva.
Mantive Nick atrás de mim e logo quando Taylor iria me acertar um soco em meu rosto, eu me viro a tempo de segurar seu braço na metade do trajeto. Torço-o para o lado, fazendo com que ela gritasse de dor. Depois a empurro para manter a distância. Suas amigas pensam em reagir e ajudá-la, mas ficam paralisadas ao ver sua “mandante” estatelada de costas no chĂŁo. Taylor mais uma vez se levanta e vem na minha direção, que com a leveza perfeita e flexĂvel como sou, elevo a cabeça abaixo do joelho da perna direita, subindo com a esquerda em sentido horário, acertando em cheio o rosto de Taylor, arremessando-a metro de distância. Que perde a consciĂŞncia ao encontrar o chĂŁo.
- Nossa! VocĂŞ viu isso?
- Vi sim Jack!
Olho para o lado e vejo que o time de futebol americano acaba de assistir ao embate meu e de Taylor.
Enquanto as amigas de Taylor tentam ajudar ela a se recuperar, e o time conversa sobre nossa briga. Eu aproveito a oportunidade, pego pelo braço de Nick, desprendo o skate preto na parte da frente da mochila, subo nele e me abaixo.
- Vem! Sobe nas minhas costas, rápido!
Mesmo amedrontada pela ideia de estar nas minhas costas e eu em cima de um skate, que começa a pegar embalo, ela sobre sem questionar,
Descemos as ruas na maior velocidade, sem se preocupar com carros ou pessoas que por ali andavam. O coração de Nick batia muito forte e rápido, não sabia dizer se era por medo ou emoção de praticamente estar quase voando. Ela apertou fortemente seus braços em volta de meu pescoço e suas pernas entrelaçadas em minha cintura.
Por sorte eu possuĂa grande equilĂbrio, e destreza. Fatores que ajudaram as decidas serem mais leves.
- Nós vamos morrer! – Nick gritava.
Quando olho pra frente, me dou conta do que ela quis dizer com aquilo.
A rua acabara e ali havia um forte cruzamento de carros impossĂvel de se atravessar, mas eu avisto uma placa.
- Perfeito!
Bem no último minuto, eu passo a mão pelo ferro que a sustentava fazendo a curva perfeitamente, sem nenhum arranhão. Posso jurar que escutei um “UFA!” atrás de mim.
O resto do caminho foi tranquilo. Chegando em casa, salto já com o skate na mão.
Nick vai correndo para dentro de casa e quando eu entro, escuto:
- MĂŁe! MamĂŁe! A Sely bateu numa menina na escola hoje.
Abigail largou a tigela de chilli e se vira de olhos e boca arregalados.
- Não foi bem assim, eu…
- Ela me salvou mamãe. – Diz Nick acalmando sua mãe.
- Ahh, minha nossa, eu pensei que… Ah, deixa pra lá. - Sorri ao voltar para seu chilli.
Nick vem ao meu lado.
- Sely, hoje foi tudo bem, mas e amanha?
- Amanhã será um novo dia, mais aja o que houver, vou sempre estar ao seu lado. Sempre.
Ela sorri e me abraça.
- Ei, que tal brincar de pic?
- Sim, sim, tá com você.
Diz isso e sai correndo.
Balanço a cabeça, feliz com o dia de hoje. Mesmo sabendo que amanha veremos a Taylor do mesmo jeito. Sinto me mais tranquila ao saber que estarei lá, ao lado de Nick para poder ajudá-la, defendê-la e proteger de todo ou qualquer coisa que queira lhe fazer mal.