SĂŁo Paulo, 03 de dezembro de 2021
Chegou a hora de nos despedirmos.
Foi um ano de pouca sobriedade. Precisei escapar da realidade em vårios momentos, fugir desse lugar onde eu não queria estar, calar as vozes que eu não queria ouvir, entorpecer as emoçÔes que eu não queria sentir. Eu me deixava corroer, enferrujar, consumir por tudo com o que não sabia lidar.
Eu dei o primeiro passo da despedida, sem pensar em olhar para trĂĄs. Quando vocĂȘ se foi eu precisei me despedir de todos os projetos e projeçÔes, ficou aqui um eu solitĂĄrio e confuso.
Me despedi dos nossos filhos, das formaturas. Depois, da casa na montanha. Me despedi dos jantares em famĂlia, da sua mĂŁe, das fĂ©rias fazendo trilhas. Me despedi das noites de inverno em frente a lareira, das paredes de madeira e do estĂșdio no subsolo. Me despedi da viagem Ă IslĂąndia, das fotos pelo mundo, do lado direito da cama quente no sĂĄbado de manhĂŁ.
Eu precisei dizer adeus em parcelas porque fazer tudo de uma sĂł vez era cruel demais, era violento demais. E assim se passou pouco mais de um ano. Ă importante dizer que na noite passada sonhei com vocĂȘ. VocĂȘ e uma outra, vocĂȘ e o silĂȘncio, vocĂȘ e minha teimosia, vocĂȘ ainda nesse outro lugar, vocĂȘ que nĂŁo precisava e nem queria mais o eu.
Entendi que preciso dizer adeus. Passei todo esse tempo me despedindo de todos aqueles planos, mas esqueci de me despedir de vocĂȘ. VocĂȘ precisa ir e eu preciso estar, aqui, comigo mesma e inteira.
Um adeus ainda com afeto,
Priscila










