Preference - One Direction
Um de vocĂȘs declara greve
Faz tempo que eu não apareço aqui, hein? Espero que gostem <3
Harry
â Amor, vocĂȘ nĂŁo vem? â Harry me chama, pela quarta ou quinta vez.Â
â JĂĄ vou! â Grito do escritĂłrio.Â
Desde que fui promovida Ă gerente na loja em que trabalho, minha carga horĂĄria se tornou muito mais puxada do que antes. NĂŁo bastavam mais as horas prestes dentro do emprego, tambĂ©m precisava sacrificar algum tempo em casa para finalizar grĂĄficos de vendas e relatĂłrios.Â
Era cansativo. Mas, tambĂ©m Ă© gratificante.Â
Finalmente estava colhendo os frutos dos meus esforços e do meu trabalho duro.Â
O lado ruim, era a falta de tempo para o meu namorado.Â
Por mais que fosse o meu maior apoiador, Harry era o tipo de namorado que gostava de contato, de atenção.Â
Estava acostumado a ser o centro das minhas atençÔes sempre que eu chegava em casa, o que ultimamente, nĂŁo estava acontecendo.Â
â JĂĄ passou meia hora. â H reclamou, abrindo a porta do escritĂłrio.Â
â Eu jĂĄ estou terminando, amor. â Prometo, com os olhos fixos na tela do computador.Â
â Ă o que vocĂȘ sempre diz. â Resmunga. â Amor, hoje Ă© seu dia de folga, e vocĂȘ nĂŁo passou nem dez minutos comigo.Â
â Desculpa, meu bem. â Suspiro. â Mais uns quinze minutos e eu estarei livre, hum?Â
Ele revira os olhos antes de sair.Â
Os quinze minutos, viram quase uma hora. E eu saio exausta atrĂĄs dele. Com o coração culpado.Â
Eu tambĂ©m sentia falta dele, e esperava que o perĂodo de adaptação acabasse logo para voltarmos ao normal.Â
Harry estava sentado no sofĂĄ, com os olhos fixos na televisĂŁo e um balde pela metade de pipocas no colo.Â
â Começou o filme sem mim? â Perguntei, sentando ao seu lado. Ele sequer virou o rosto para me responder.Â
â VocĂȘ disse quinze minutos, faz uma hora. â Deu de ombros. Seu tom grave deixando bem claro que ele estava chateado.Â
â Me desculpa, meu amor. â Tentei me aproximar, mas ele arrastou o corpo pelo sofĂĄ, indo para mais longe. â Achei que queria ficar um tempinho juntosâŠ
â Eu queria, S/N. â Pausou o filme, finalmente me olhando. Ele estĂĄ a sĂ©rio, e era muito difĂcil ver Harry daquela forma. Ele realmente estava chateado, e com toda a razĂŁo. â Eu queria passar um tempo com a minha namorada, mas ela estava ocupada demais naquele maldito escritĂłrio.Â
â Hazz⊠vocĂȘ sabe que Ă© importante. Eu estou no perĂodo de adaptação, se me sair mal, vĂŁo me rebaixar.Â
â E eu entendo. De verdade. Mas vocĂȘ nĂŁo pode esquecer do resto da vida por causa disso! â Cruzou os braços. â Ă a sua primeira folga em semanas, e eu pedi para cancelarem o ensaio para poder ficar com vocĂȘ, e no final, fiquei o dia todo sozinho. â Seus lĂĄbios formaram um bico, o que me deu vontade de rir. Mas eu sabia que pioraria muito a situação.Â
Harry era uma criança no corpo de um adulto.Â
Me aproximei novamente, e desta vez ele nĂŁo se afastou.Â
â Eu sei, meu amor. Me desculpa. â Segurei suas bochechas. â Eu vou ligar para a senhora Lin e pedir mais uma folga para amanhĂŁ. O que acha?
â Eu tenho ensaio. â Resmungou.Â
â Eu posso ir com vocĂȘ. â O rosto lindo se iluminou com o sorriso.Â
â SĂ©rio?Â
â SĂ©rio. â H desfez a armadura de antes, descruzando os braços para me abraçar. â Eu prometo que vou dar um jeito em tudo, okay? NĂŁo vou deixar vocĂȘ de lado.Â
â Acho bom. â O bico voltou, e dessa vez, eu o beijei.Â
Estava morrendo de saudade. Mesmo nos vendo todos os dias e dormindo juntos, nĂŁo estĂĄvamos mais sendo tĂŁo carinhosos.Â
EntĂŁo, o beijo que era para ser sĂł um selinho carinhoso, se tornou algo maior.Â
Styles segurou meu cabelo, empurrando a lĂngua contra a minha e me fazendo suspirar ao sentir seu gosto depois de tanto tempo.Â
Mas, antes que eu pudesse aproveitar mais do momento, ele o desfez.Â
â Vou tomar um banho. â Disse rĂĄpido, me deixando confusa.Â
â Posso ir junto?Â
â NĂŁo. â Foi firme. â Eu posso atĂ© ter perdoado vocĂȘ, mas, atĂ© que eu note diferença, estou de greve.Â
â Greve? â Falei sem entender.
â Isso mesmo. VocĂȘ vai ficar sem esse corpinho gostoso atĂ© aprender a dar atenção para o seu namorado lindo.Â
â VocĂȘ nĂŁo estĂĄ falando sĂ©rio.Â
â SerĂssimo. â Sorriu. Pisquei algumas vezes, atĂŽnita demais. Louis queria aquilo tanto quanto eu, o volume em sua calça deixava isso bem claro.Â
â Amor, isso Ă© maldade. â Choramingo.Â
â VocĂȘ me ignorar tambĂ©m Ă©. â Debocha. â Peça algo para comermos, eu jĂĄ volto. â Disse praticamente correndo para longe de mim.
Isso sĂł pode ser brincadeiraâŠ
LiamÂ
Senti minhas mĂŁos suando tamanho o meu nervosismo. Meu pobre coração batia desesperado ĂĄ espera dos resultados da premiação.Â
Liam fora indicado pelo Ășltimo single solo que lançou. E eu estava torcendo muito. Ele se dedicou por semanas, idealizou o MV, se preocupou com a estĂ©tica, o figurino e a maquiagem. TambĂ©m havia obrigado Chris a gravar e regravar a canção pelo menos umas 20 vezes, por mais que o amigo produtor insistisse que estava perfeita.Â
No sofĂĄ da sala do nosso apartamento, recolhi as pernas, quase comendo meus dedos de tanta ansiedade quando seus concorrentes começaram a passar na tela.Â
Um pedacinho de cada uma das mĂșsicas passava, e a imagem ao vivo logo ao lado.Â
Meu estĂŽmago revirou quando meu namorado apareceu, sussurrando alguma coisa no ouvido de uma cantora e piscando um olho logo depois.Â
A plateia foi Ă loucura. E eu tambĂ©m.Â
Confiava em Liam, sabia que ele nunca me trairia.
Mas aquele lado dele, o que aparecia apenas quando estava no meio dos outros famosos, me irritava. Ele adorava flertar.Â
Independente do gĂȘnero da outra pessoa.Â
Sem esperar pelo resultado, desliguei a televisĂŁo e tomei um banho.Â
Estava deitada hĂĄ algum tempo quando o Idol entrou em nosso quarto, com um sorriso enorme e uma expressĂŁo cansada.Â
â NĂŁo vai dizer nada? â Perguntou com uma sobrancelha erguida.Â
â Sobre?Â
â NĂŁo assistiu a premiação, amor? â Revirei meus olhos, ainda chateada.Â
â NĂŁo. â Minha resposta o surpreendeu, jĂĄ que eu sempre assistia a suas premiaçÔes.Â
â Eu ganhei. Melhor single.Â
â ParabĂ©ns. â Resmunguei, me ajeitando embaixo das cobertas e desligando o abajur.Â
â Eu pensei que irĂamos comemorar. â Senti o colchĂŁo afundar ao meu lado.Â
â NĂŁo foi para o after party?Â
â Fui⊠mas eu queria comemorar com a minha mulher. â Sussurrou, usando o seu melhor tom sedutor. Respirei fundo ao sentir suas mĂŁos entrarem debaixo da camiseta de pijama, deixando um leve aperto em minha cintura. Mas, recobrei minha consciĂȘncia rapidamente e me desfiz do seu toque. â O que aconteceu?Â
â NĂŁo sabe mesmo?Â
â NĂŁo. AmorâŠÂ
â Eu estava assistindo a premiação, Payne. â Bufei. â AtĂ© vocĂȘ começar a sussurrar no ouvido de outra.Â
â Ah, foi isso. â Soltou uma risadinha. â Babe, vocĂȘ sabe que eu faço isso para instigar ao pĂșblico. â Deixou um beijo em meu ombro. â Eu sĂł quero vocĂȘ.Â
â Eu nĂŁo estou nem aĂ, Liam. O mundo inteiro agora estĂĄ rindo da minha cara e me chamando de corna.Â
â VocĂȘ tĂĄ exagerando.Â
â Entre em qualquer rede social. â Desafiei. Mas ele sabia que era verdade, porque era o que acontecia toda vez. Eu virava a chacota do fandom.Â
â Me desculpe, okay? NĂŁo vai mais acontecer. â Repete a promessa que tantas vezes fez e nĂŁo cumpriu.Â
â Ă bom mesmo.Â
â Vamos comemorar agora, hum?Â
â Pode comemorar sozinho no banheiro, gato. AtĂ© a prĂłxima premiação, eu vou dormir de jeans. â Empurrei a coberta para fora, revelando a minha pequena vingança. Liam arregalou os olhos castanhos..Â
â O que quer dizer com isso?
â Sem sexo pra vocĂȘ, lindinho. AtĂ© cumprir com a sua promessa.Â
â S/N, a prĂłxima premiação Ă© daqui dois meses! â Fala desesperado.Â
â Sugiro que comece a malhar o pulso entĂŁo.Â
Louis
Isso nĂŁo pode ser sĂ©rio.Â
Depois de quase trĂȘs semanas fora em turnĂȘ, meu namorado realmente estĂĄ sentado em frente Ă televisĂŁo jogando vĂdeo game por quase cinco horas seguidas?Â
Tomei meu terceiro copo d'ĂĄgua, tentando acalmar a minha raiva.Â
Estava morrendo de saudades de Louis, mas o britĂąnico nĂŁo parece ter sentido tanto a minha falta assim, jĂĄ que nĂŁo desgruda do joystick.Â
NĂŁo sou o tipo de namorada que cobra atenção o tempo inteiro.Â
Mas, porra. Depois de trĂȘs semanas inteiras longe?Â
Quando tudo que podĂamos fazer era conversar por mensagens e ligaçÔes quando ele podia?Â
Lisa, minha melhor amiga, havia me convidado para uma festa, que eu neguei por saber da chegada iminente do meu namorado.Â
Enviei uma mensagem, avisando que iria e fui atĂ© o nosso quarto.Â
NĂŁo demorei muito para me arrumar, fiz uma maquiagem simples, arrumei o cabelo e peguei o vestido que eu sabia que mexia com a cabeça dele.Â
â Vamos sair? â Louis perguntou assim que passei pela sala, colocando os brincos nas orelhas.
â NĂŁo. Eu vou.Â
â Como Ă©? â Pausou o jogo.Â
â Eu vou sair, uĂ©. â Debochei.
â Eu volto de uma viagem longa e vocĂȘ decide sair? Do nada?Â
â VocĂȘ decidiu jogar vĂdeo game o dia inteiro. Por que eu nĂŁo posso sair e me divertir um pouco? â Sorri. Me curvei, deixando um beijo rĂĄpido em seus lĂĄbios, deixando-os marcados com o vermelho do meu batom. â NĂŁo me espere acordado, hum? Boa sorte no jogo. â Pisquei um olho.Â
Assim que entrei na festa, Lisa veio me abraçar. Gritando que nĂŁo acreditava que eu realmente havia ido e que Lou jĂĄ havia mandando mensagem perguntando onde eu estava.Â
Pedi que ela ignorasse e decidi que realmente iria me divertir.Â
Estava no quarto drink quando um burburinho estranho começou a dispersar as pessoas. Ergui o pescoço, tentando encontrar o grande causador e abrindo um sorriso vitorioso ao ver o britĂąnico se desvencilhando da multidĂŁo.Â
Com uma calça rasgada, uma jaqueta de couro e os cabelos ainda Ășmidos do banho recente, Louis andou a passos duros atĂ© a nossa mesa. Sentando ao meu lado sem nenhum convite.Â
â UĂ©, perdeu no jogo, amor? â Enruguei as sobrancelhas, na minha melhor expressĂŁo de deboche.Â
â E eu ia conseguir me concentrar? Sabendo que vocĂȘ estĂĄ uma delĂcia nesse vestido no meio de um monte de otĂĄrio? â Resmungou, todo mal humorado.Â
Lisa jĂĄ sabia sobre a minha pequena vingança, segurando a minha mĂŁo quando uma mĂșsica animada começou e me arrastando para a pista, ignorando totalmente a presença dele.Â
Ela sorria, cĂșmplice e me girava entre os bĂȘbados.Â
Mas antes mesmo que o primeiro refrĂŁo terminasse, um par forte de mĂŁos segurou minha cintura. Me virei, enlaçando o pescoço do meu namorado.Â
Mesmo braço, ele continuou seguindo meu ritmo. Encarando feio cada um que tivesse a coragem de me olhar por mais do que um segundo.Â
Eu estava me divertindo.Â
Deixei um selinho em seus lĂĄbios, que ele fez questĂŁo de prolongar em um beijo delicioso e longo. O primeiro desde a sua volta.Â
â Eu jĂĄ entendi que nĂŁo te dei atenção direito, okay? â Sussurrou em meu ouvido, mordendo meu lĂłbulo em seguida. â Vamos pra casa. Vou cuidar de vocĂȘ.Â
â Eu estou me divertindo aqui.Â
â Pode ser bem mais divertido na nossa cama, linda. â Seu tom rouco mexe comigo. Mas eu ainda estou chateada.Â
â Podemos atĂ© voltar, mas a nossa diversĂŁo nĂŁo vai ser a que vocĂȘ planeja.Â
â NĂŁo? â Diz, confuso. Eu nego com a cabeça.Â
Seven, de Jungkook, começa a tocar alto, arrancando gritos dos presentes.Â
â Sem seven pra vocĂȘ, amor. Estou de greve. â Ele arregala os olhos enormes.Â
Estamos acostumados a foder como um casal de coelhos mesmo sem o tempero da saudade. E eu sei que isso tambĂ©m vai me afetar, e que talvez seja infantilidade.Â
MasâŠÂ
Sei que Louis vai aprender a sua lição depois de uma ou duas semanas.Â
NiallÂ
Tirei meu sapatos assim que adentrei o apartamento. Meus pĂ©s agradeceram a falta do aperto e meu corpo inteiro clamava por um banho gostoso e longas horas de sono.Â
Mas, o cheiro diferente que estava vindo da cozinha me deixou curiosa.Â
Niall raramente cozinhava, apenas em ocasiĂ”es especiais, o que me deixou em alerta.Â
Caminhei atĂ© lĂĄ, encontrando a mesa posta de forma romĂąntica. Haviam pĂ©talas de rosas e velas que pareciam ter queimado atĂ© a metade.Â
Merda. Merda. Merda. Merda.Â
O que serĂĄ que eu esqueci?Â
Caminhei atĂ© nosso quarto, Ă procura do meu namorado. Encontrando uma versĂŁo emburrada. Com Cookie enrolado em seu colo, ele apenas ergueu os olhos em minha direção, soltando um suspiro longo pelo bico enorme em seus lĂĄbios.Â
â Oi, amor. â Falei baixinho, me aproximando.Â
â NĂŁo esqueceu de nada nĂŁo?Â
Repassei as datas em minha cabeça, tentando saber qual delas eu esqueci.Â
AniversĂĄrio de namoro? NĂŁo, jĂĄ passou.Â
AniversĂĄrio dele? NĂŁo, ainda faltam muitos meses.Â
Dia dos namorados? MĂȘs errado.Â
EntĂŁo o quĂȘ?
â Hoje fazem quatro anos do nosso primeiro beijo. â Resmungou ao ver minha expressĂŁo confusa.Â
Niallhyung gostava dos detalhes. De comemorar datas que nenhum outro casal fazia. Como o dia em que nos conhecemos, o dia em que confessamos, o dia do nosso primeiro encontroÂ
Niall dizia que isso tornava nosso relacionamento especial. E tambĂ©m era mais uma data para usarmos como desculpa para passar o dia enrolados um no outro, trocando juras de amor.Â
O problema era que eu era terrĂvel com datas.Â
Mantinhas as principais salvas em meu telefone, mas as outras sempre me confundiam. Geralmente, ele deixava escapar antes o que planejava fazer, e eu nunca deixava claro que nĂŁo lembrava. Mas nĂŁo desta vez.Â
â Sua lasanha preferida estĂĄ no forno, pode comer se quiser.Â
â VocĂȘ fez lasanha? â Falei ainda mais culpada. Ele costumava cozinhar pratos mais fĂĄceis. Comida coreana, que ele estivesse acostumado a fazer, sem arriscar demais, por medo de fazer alguma besteira e estragar nosso jantar.Â
â Sim. â Suspirou. â Obriguei minha mĂŁe a passar o dia todo no celular para me ajudar com o passo a passo. â Deixou um carinho na cabeça do cachorrinho adormecido.Â
Meu coração apertou. Sentei ao seu lado na cama.
â Amor, me perdoa. â Falei em um muxoxo. â VocĂȘ sabe que sou pĂ©ssima com datas e estĂĄ chegando uma conferĂȘncia importante, entĂŁo fiquei ocupada no escritĂłrioâŠÂ
â Eu entendo. â Suspirou, ainda magoado.
â O que posso fazer para vocĂȘ me perdoar?Â
â NĂŁo precisa.
â Precisa sim, amor. â Segurei sua mĂŁo.Â
â Assiste um filme comigo? Aquele documentĂĄrio sobre pintura pĂłs-impressionista â Ergueu os olhos, ficando com uma expressĂŁo tĂŁo fofa quanto a de Cookie quando queria petisco. Por mais que nĂŁo fosse exatamente o tipo de conteĂșdo que eu gostava de assistir em minhas folgas, abri um sorriso e assenti.Â
â SĂł vou tomar um banho rapidinho antes, okay? â Ele concordou, finalmente abrindo um sorriso.Â
Niall jĂĄ nĂŁo estava mais no quarto quando saĂ do banheiro.Â
Ele estava sentado no sofĂĄ, o documentĂĄrio jĂĄ selecionado no aplicativo da televisĂŁo e sobre a mesinha de centro havia um pedaço da lasanha reaquecido.Â
â NĂŁo precisava ter aquecido, amor. Obrigada. â Niall enrugou o nariz, como sempre fazia ao me ouvir agradecer pelas coisas pequenas do cotidiano.
Ele se ajeitou no sofĂĄ, apertando o play enquanto eu devorava a comida.
Estava uma delĂcia. E isso me deixava mais culpada ainda, por saber todo o esforço que ele teve.Â
Quando fiquei satisfeita, larguei o prato e me aconcheguei a ele. Meu namorado fazia um carinho gostoso em meu cabelo, e eu coloquei a mĂŁo dentro de sua camiseta.Â
NĂŁo era nada com segundas intençÔes, queria apenas sentir o calor de sua pele. Mas a forma como seus mĂșsculos endureceram ao meu toque me agradou.Â
Arrastei as unhas pela sua barriga, ouvindo sua respiração se tornar mais pesada.
â Para. â Disse em tom grave.
â HĂŁ? â Ergui minha cabeça que estava apoiada em seu sombrio atĂ© entĂŁo.Â
â Eu sei que nĂŁo foi intencional, mas ainda estou chateado.Â
â Amor, eu jĂĄ pedi desculpas. â Murmurei.Â
â Mesmo assim. Ă um dia especial, que nĂłs comemoramos hĂĄ trĂȘs anos. â Bufou.Â
â Me perdoa, lindo. â Tentei deixar um selinho em seus lĂĄbios, mas ele desviou.Â
â AtĂ© que eu nĂŁo esteja mais chateado, vai precisar de contentar sĂł com o carinho. â Declara.Â
â NĂŁo entendi.Â
â Estou em greve?Â
â Sim. Greve de sexo. â Isso sĂł pode ser brincadeira.Â
â Um beijo nĂŁo Ă© sexo. â Argumentei.Â
â Mas leva ĂĄ ele. NĂłs nunca apenas nos beijamos. â Diz com ironia.Â
â Vamos comemorar o dia do nosso primeiro beijo sem nos beijar?Â
â Isso mesmo.Â
â Amor! â Falei alto. â Isso Ă© bobagem.Â
â A decisĂŁo jĂĄ estĂĄ tomada. â Sorriu, praticamente rindo da minha cara. â Agora, vamos assistir, estĂĄ chegando em uma parte boa. â Mudou de assunto.Â
â NiallâŠ
â Shhh, vĂŁo começar a falar sobre Van Gogh. â Me calou, voltando a prestar atenção na tela, como se nada estivesse acontecendo.
ZaynÂ
Empurrei a lĂngua contra a bochecha, tentando controlar a sensação estranha que revirava o meu interior.Â
Odeio sentir ciĂșmes.Â
Ă um sentimento confuso, que pode acabar com o relacionamento. E Ă© completamente ridĂculo tambĂ©m.Â
Confio na minha namorada, sei que ela nunca me trairia em hipĂłtese alguma.Â
Mas, entĂŁo, porquĂȘ me sinto tĂŁo incomodado quando ela conversa animada com o novo staff?Â
Iniciamos as gravamos do novo MV hĂĄ algumas horas, e desde que a minha garota chegou e descobriu que a nova adição da equipe Ă© de seu paĂs natal, os dois falam na lĂngua materna sem parar.Â
Eu sei que se comunicar em sua prĂłpria lĂngua Ă© algo que faz falta para S/N. JĂĄ que tantas vezes ela tentou me ensinar algumas palavras.Â
Mas, com a correria do dia a dia, o comeback, o ĂĄlbum e os ensaios, ficava muito difĂcil me dedicar em doentes uma nova lĂngua. Principalmente uma tĂŁo complicada quanto o portuguĂȘs.Â
â Se olhar pra ele mais um minuto, o garoto cai morto. â Jason debocha baixinho, me fazendo revirar os olhos.Â
â O que tanto eles conversam, hein? â Resmungo. Meu amigo ri, se divertindo com a cena.Â
â Zayn. Eu preciso que vocĂȘ se concentre, jĂĄ gravamos trĂȘs vezes a mesma cena porque vocĂȘ errou as marcaçÔes. â O diretor ralha. Eu engulo em seco, me sentindo um idiota e prometo melhorar.Â
Estava exausto quando finalmente deitei na minha cama. O banho quente relaxou meus mĂșsculos e me deixou pronto para dormir.Â
Estava lendo, esperando S/N se juntar a mim. NĂŁo demorou muito para que o cheiro gostoso do seu perfume preenchesse o quarto e ela deitasse em seu lugar. Larguei o livro na mesinha de cabeceira e me ajeitei, arrastando o nariz em seu pescoço e me divertindo com o arrepio que correu por sua pele.Â
Estava pronto para colocar as mĂŁos na minha garota quando ela soltou um suspiro manhoso.Â
â VocĂȘ estava tĂŁo lindo hoje. â Elogiou. E a minha carranca se formou.Â
â Como sabe? NĂŁo tirou os olhos do seu novo amiguinho. â Proferi, virando de costas.Â
â Amor⊠estĂĄ com ciĂșmes? â Perguntou relutante.
â NĂŁo.Â
â Tem certeza? â Colocou a mĂŁo pequena em meu ombro.Â
â O que tanto vocĂȘs conversaram? Porra, o assunto nĂŁo acabava mais. â A encarei de lado, odiando o sorrisinho que se formou em seus lĂĄbios naturalmente rosados.Â
â De tudo um pouco, Z. Sabe como eu sinto falta de falar na minha lĂngua. â Fez um beicinho. Quase me fazendo ceder.Â
â AmanhĂŁ vocĂȘ nĂŁo vai. â Aviso.Â
â VocĂȘ nĂŁo acha que estĂĄ exagerando?Â
â NĂŁo, nĂŁo acho. â Ela ri de novo, mas concorda com a cabeça.Â
â Vira pra cĂĄ de novo, estava tĂŁo gostoso. â Diz baixinho, arrepiando meus pelos.Â
â NĂŁo. Eu tĂŽ puto com vocĂȘ.Â
â Me deixa resolver essa marra, amor. Eu sei exatamente como te deixar calmo. â Fecho os olhos, lutando contra a tentação.Â
â NĂŁo. Sem sexo. â Ela ri.Â
â EntĂŁo tĂĄ.Â
â Vai aceitar assim? Sem discussĂŁo? â Pergunto incrĂ©dulo. Realmente esperava por uma âbrigaâ que acabaria em uma transa deliciosa no final.Â
â NĂŁo. â Negou com uma expressĂŁo despreocupada. â Eu sei que vocĂȘ nĂŁo vai aguentar.Â
S/N se vira na cama. O lençol escorrega um pouco em seu corpo, revelando a bunda redonda que quase nĂŁo Ă© coberta pela camisola azul.Â
Merda.Â
Eu perdi a guerra antes mesmo de começar a lutar.Â














