<< CapĂtulo 10 / CapĂtulo 12 (Em breve) >>
âSaĂ da sua casa e estava andando atĂ© o carro do Smith quando notei que ele nĂŁo estava dentro. Estava preparada para voltar atĂ© a casa de Santiago quando vĂĄrios homens de capuz saĂram tanto do carro de Smith quanto de outros carros que estavam estacionados. Todos estavam armados. E Smith estava algemado e amordaçado sendo segurado por dois dos vĂĄrios homens.
- Pensou que eu ia deixar isso barato, senhora Malik? â ao ouvir essa frase eu sĂł pensava em uma coisa: eu estava completamente fodida e com um pĂ© dentro do caixĂŁo.â
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Virei-me lentamente para encarar quem tinha acabado de falar e a confusão não poderia ter sido maior. Quem era ele? Não tive tempo de correr, até porque minhas pernas estavam fincadas no chão. Eu estava muito assustada. Smith tentava a todo custo se soltar das grandes mãos dos homens, mas era em vão. Fui segurava por um homem que surgiu do nada atrås de mim, tente me soltar também em vão.
- O seu marido vai ter uma grande surpresa hoje. â riu diabolicamente.
- Uh! â pareceu surpreso. â NĂŁo me conhece? Como assim, senhora Malik?
- NĂŁo, nĂŁo faço ideia de quem vocĂȘ seja. E se vocĂȘ tem algum problema com o Zayn eu sugiro que vĂĄ resolver com o prĂłprio porque nĂŁo estou mais com ele. â o desgraçado riu.
- Eu sabia disso. E confesso que eu fico muito triste por vocĂȘs dois porque eu sei que aquele filho da puta ama vocĂȘ. Â â debochou. â Mas sabe... â aproximou-se e segurou forte em meu queixo. â Ă justamente por isso que tudo o que eu planejei vai ficar melhor ainda. Eu nĂŁo faria alguma coisa com vocĂȘ se isso nĂŁo surtisse algum efeito, nĂŁo Ă© mesmo?
- Adoro mulheres bravas. â deu duas tapas fracas em minha bochecha direita. â Os coloquem no carro. â aproximou-se do meu ouvido. â Tem uma surpresinha pra vocĂȘ lĂĄ dentro.
- Solte o Smith! â gritei quando ele se distanciou. â Ele nĂŁo tem ligação nenhuma com o Zayn.
- O franguinho aĂ veio de brinde. Mas ele vai servir de alguma coisa. â tirou a mordaça de Smith que assim que teve sua boca livre tratou de cuspir no homem. â Talvez vocĂȘ sirva pra ter a orelha retirada e mostrar ao Zayn que eu nĂŁo estou brincando. â puxou o cabelo de Smith e chutou suas partes Ăntimas.
- VocĂȘ nĂŁo estĂĄ no direito de exigir nada, (s/n)! â gritou. â Entre logo nessa porra antes que eu cale vocĂȘ do jeito mais doloroso possĂvel.
Fui arrastada pra dentro do carro enquanto ouvia os protestos de Smith. Eu tentava pensar que tudo ficaria bem, mas estava um pouco difĂcil. Talvez ele nĂŁo mandasse ninguĂ©m me matar porque se conhece o Zayn tĂŁo bem como parece ele sabe que meu marido acabaria com todos da sua famĂlia e sua descendĂȘncia.
- MamĂŁe? â uma voz chorosa ecoou desesperada. Gelei ao ouvir.
- Joe? â gritei fazendo força pra soltar-me do sĂłsia do Jason Momoa e poder acalmar meu filho que estava encolhido no canto do carro.
- Solta ela. - o desgraçado disse e eu rapidamente fiquei livre das grandes mãos. Abracei Joe com todas as minhas forças.
- O que estĂĄ acontecendo, mĂŁe?
- Vai ficar tudo bem. â disse com a voz trĂȘmula enquanto acariciava os seus cabelos. Smith foi colocado atrĂĄs da gente. Ele parecia sonolento, com certeza foi dopado. â Estamos juntos, eu nĂŁo vou deixar que nada aconteça com vocĂȘ, meu amor.
- Eu te disse que ia trazer sua mamĂŁe, Joe. â ele riu debochado. â Vamos para casa. â olhou para nĂłs dois e sorriu. â Minha linda famĂlia feliz. Uma pena eu nĂŁo ter conseguido pegar o pequeninho.
- Filho da puta! â tentei pular para o banco da frente, mas fui impedido pelo seu capanga.
- NĂŁo faça mais isso, (s/n)! â repreendeu-me em tom de brincadeira. â VocĂȘ nĂŁo quer se machucar, nĂŁo Ă©? â levantou uma faca. Joe se encolheu em meus braços quando me sentei novamente. â Muito bem, minha linda.
- Meu pai vai pegar vocĂȘ. â Joe disse raivoso. Olhei-o assustada. â VocĂȘ nĂŁo vai fazer nada com a mamĂŁe. Eu nĂŁo vou deixar. â o homem riu.
- Vejo que Zayn educou bem essa criança. Pelo menos isso. â olhou o celular. â Oh! Falando nele... â apertou alguma coisa no celular que fez a voz esganiçada de Zayn ecoar pelo local.
âSe vocĂȘ fizer alguma coisa com a minha mulher e o meu filho eu vou acabar com vocĂȘ, com a sua famĂlia e com todos os Kavanagh que surgirem nesse mundo!â
- Devia ter pensando antes, Malik. â dizia olhando pra mim pelo retrovisor. â Aprenda que nĂŁo se deve olhar ou mexer com a mulher dos outros. Estou sĂł retribuindo a gentileza.
Agora tudo fazia sentido. Eu sabia que a Zoe ou Audrey era casada. Então esse é o marido dela. Ela era casada com um dos maiores empresårios do ramo imobiliårio. Ele queria vingança pela morte da esposa. E ele disse que vai retribuir a gentileza...
- Sabe quem eu sou agora, senhora Malilk? â perguntou. Seu olhar transmitia toda a raiva.
- E-eu... Eu nĂŁo tenho nada a ver com o Zayn faz.
- Eu sei, minha querida. â o carro parou. â Mas tem que sobrar pra alguĂ©m, nĂŁo Ă©? â Joe me abraçou apertado pela cintura.
- Vai ficar tudo bem. â sussurrei pra ele enquanto beijava sua testa.
- Retirem esse encosto daĂ e o deixem no porĂŁo. (s/n) e Joe vĂŁo ficar no quarto de hospedes. â deu as ordens e olhou pra mim. â Coloque a roupa que estĂĄ em cima da cama. Tem um quarto dentro do quarto de hospedes e vocĂȘ pode usar pra deixar o Joe.
- Se eu contar nĂŁo tem graça, docinho. â tocou em meu queixo, mas eu me desvencilhei. â Levem eles.
Eu me olhava naquele espelho e não me via ali. Aquilo era tão surreal, eu nunca imaginei que aconteceria. Claro que eu corria o risco de servir de isca para o Zayn ou de morrer pra vingar alguma coisa que ele fez como estå acontecendo agora, mas só pelo fato de ser tão protegida por ele eu nunca pensei que viesse ocorrer de verdade. Sempre achei que estava num castelo e os demais eram os plebeus que não tinham forças contra os reis do lugar. E agora eu estou aqui envolta por um vestido branco com um decote humilhante, saltos altos, batom vermelho sangue... Estava tudo tão pesado que chegava a ser vulgar.
- MamĂŁe... â Joe chamou receoso. â NĂłs vamos morrer?
- NĂŁo! â disse imediatamente e fui atĂ© ele. â Seu pai e eu nĂŁo vamos deixar.
- Mas ele vai fazer alguma coisa pra vocĂȘ?
- E por que vocĂȘ vai vestida assim falar com ele? â fez careta.
- Porque eu tenho que agradar o psicopata, nĂŁo tenho? â perguntei fazendo menção aos filmes que Joe assistia. Ele riu.
- Tem. â remexeu seu bolso. â Toma isso. â entregou-me uma faquinha.
- Joe! Aonde vocĂȘ pegou isso?
- Eu sempre ando com isso, mĂŁe.
- Porque primeiro que eu sou um escoteiro. Segundo porque o papai pediu. â deu de ombros. â Agora estĂĄ servindo, nĂŁo estĂĄ? â fechei os olhos e respirei fundo. Pior que estĂĄ.
- VocĂȘ tem que se proteger. Fique com ela.
- Meu Deus do cĂ©u, Joe. O que mais vocĂȘ tem nos bolsos? â falei baixo fazendo-o rir.
- SĂł isso, infelizmente.
- VocĂȘ Ă© um anjinho, filho. â beijei sua testa. â Volto jĂĄ. â quando eu ia levantar ele segurou minha mĂŁo.
- Se ele tentar alguma coisa vocĂȘ acerta ele, mamĂŁe.
Desci a escada nervosa tentando não errar um degrau e cair dali. Eu estava muito mal, podia desmaiar de nervosismo a qualquer momento. Os seguranças me seguiam a cada passo dado.
- Acho que vocĂȘ precisa saber meu nome. â ele estava de costas.
- Milton Kavanagh. â ele riu satisfeito.
- Eu nĂŁo sou um homem ruim, (s/a).
- NĂŁo? â ri debochada e nervosa sentando-me de frente para a cadeira que ele estava. Milton virou-se.
- NĂŁo. Seu marido que causou tudo isso. â deu de ombros. â Acho que vocĂȘ percebeu o bosta que ele Ă© e por isso pediu o divĂłrcio.
- Também. Pedi o divórcio porque ele me traiu com sua esposa.
- Ele nĂŁo precisava ter matado ela.
- Eu sei. â concordei. Era verdade. Eu atĂ© tinha desejado a morte dela, mas isso nĂŁo Ă© saĂda para ninguĂ©m. â Sinto muito.
- Sabe (s/n)... VocĂȘ nĂŁo Ă© ruim. â ele levantou-se e me deu vinho. Fiquei receosa em tomar, mas nĂŁo tinha outro jeito. â A principio eu estava pensando em te matar. â suspirou. â Mas eu pesquisei sobre vocĂȘ, meus detetives te seguiram, eu acompanhei sua vida por um tempo e mudei de ideia. Eu nĂŁo vou fazer nada com vocĂȘ e nem com seus filhos.
- O Smith tambĂ©m nĂŁo. Sei que ele Ă© seu amigo. VocĂȘ Ă© tĂŁo vĂtima quanto eu nessa histĂłria. Zoe nĂŁo era santa, me traiu muito, me roubou muito, mas eu a amava. â sentou-se com seu copo de whisky em mĂŁos. â Meu problema Ă© com o Zayn.
- E porque vocĂȘ fez isso? Meu filho estĂĄ apavorado.
- Desculpe. Minha intenção é apenas assustå-lo.
- Como posso confiar em vocĂȘ?
- NĂŁo precisa confiar em mim. SĂł... Fique tranquila. Se eu quisesse jĂĄ tinha feito alguma coisa com vocĂȘ. Ou nĂŁo? â inclinou a cabeça e riu.
- E por que dessas roupas?
- VocĂȘ vai tirar umas fotos comigo.
- Escuta (s/n), Ă© apenas isso que eu irei te pedir. â falou mais sĂ©rio. â Quero umas fotos demonstrando intimidade para que o Zayn veja. Eu quero uma noite de tortura para o seu ex-marido. â engoli em seco. Tomei mais vinho. Pensei que ele fosse pedir um outro tipo de noite. NĂŁo estava disposta.
- T-tudo bem. â concordei com as mĂŁos trĂȘmulas.
- Soube que estĂĄ em um novo negĂłcio. â cortou o assunto.
- Antes de qualquer coisa... E o Smith?
- Ele estĂĄ no porĂŁo, mas acredite, meu porĂŁo Ă© mais confortĂĄvel que muita casa por aĂ. â apontou com a cabeça para o lado e eu pude ver numa televisĂŁo o monitoramento dos cĂŽmodos da casa. Smith estava deitado vendo TV com as mĂŁos amarradas e na companhia de dois seguranças. â NĂŁo precisava da faquinha, mas achei muito legal aquela cena. â riu. â Seu filho serĂĄ um grande homem, sĂł espero que nĂŁo faça as merdas que o seu marido faz.
Conversamos sobre muitas coisas. Por um momento eu esqueci que aquilo era um sequestro e que minha mãe, Bryan e Zayn deveriam estar loucos por isso. Tiramos as fotos e aquilo foi super constrangedor. O teor delas eram eu e ele nos olhando na mesa de jantar, eu sorrindo pra ele e ele erguendo a taça pra mim. As fotos foram enviadas e logo uma mensagem raivosa de Zayn chegou dizendo que iria caçå-lo no inferno.
Joe me esperava ansioso no fim da noite. Perguntou tudo e eu o tranquilizei dizendo que amanhĂŁ voltarĂamos pra casa. Milton sabia que eu estava grĂĄvida e aquilo deixou o homem sensibilizado. Ele parecia um demĂŽnio no primeiro momento, mas ao conhecĂȘ-lo vi que ele era uma vĂtima da Zoe e que estava fazendo tudo errado. Mas se ele nĂŁo iria machucar meus filhos, o Smith e eu, estava tudo certo.
- Sem ressentimentos? â Milton perguntou enquanto Ăamos para o lugar combinado com Zayn.
- Sem ressentimentos. â sorri sem mostrar os dentes. Era tudo muito estranho e com certeza  aquilo traumatizaria o Joe.
Ficamos em silĂȘncio. Olhei pra Smith, agora acordado com seus machucados mais evidentes, toquei seu rosto e sussurrei um âestĂĄ tudo bemâ. Ele assentiu. Ainda estava amarrado, mesmo eu pedindo a todo o momento para que Milton o soltasse.
- Espero que me desculpe por isso um dia, (s/n). â sussurrou de maneira estranha. â NĂŁo posso deixar o Zayn sentir um pouco de felicidade. Eu preciso que ele sofra uma perda.
- Do que estĂĄ falando? â perguntei com a voz entregando meu medo. Agarrei Joe contra mim.
A porta do carro foi aberta.
- VocĂȘ nĂŁo pode ter esse bebĂȘ.
O carro estava em alta velocidade.
- NĂŁo faça isso, Milton. VocĂȘ nĂŁo Ă© isso!
Fui arremessada para fora do carro e sĂł percebi quando senti meu corpo colidir com o asfalto quente. Aquela dor era surreal. Eu sentia minha pele rasgando, meu corpo rolando pela estrada, minha mente vagava em imagens de Zayn, Joe, Bryan, minha mĂŁe e meu bebĂȘ. Eu iria perde-lo. NĂŁo podia deixar que aquilo acontecesse.
Mas meu corpo nĂŁo respondia. Continuava rolando. E rolando. Minha pele ardia cada vez mais, era como se eu estivesse em chamas. A Ășltima coisa que eu ouvi foi o motor se aproximando. Tudo ficou preto. Eu nĂŁo tinha mais noção de nada. Era meu fim?
- Moça... â senti uns empurrĂ”es. â Ela estĂĄ acordando, Paul.
- Moça! â chacoalhou-me. â Estamos te levando ao hospital. VocĂȘ estĂĄ sangrando muito por baixo. Moça! â gritou.
- Meu filho... Meu filho. â balbuciei.
- VocĂȘ... Oh meu Deus, Paul. â a voz parecia assustada. â Ela estĂĄ grĂĄvida.
- Ele nĂŁo pode... â tentei falar. Por que era tĂŁo difĂcil? Eu estava ouvindo tudo.
- Ele não vai morrer moça.
- Droga! A polĂcia estĂĄ ali na frente.
- Ătimo! Pedimos ajuda a eles.
- Eu nĂŁo estou com os documentos.
- Que porra, Paul! â esbravejou.
- N-nĂŁ... â continuei tentando me comunicar. â Ele queria ma...
- Fique calada, moça... Vai ser pior. â senti mĂŁos acariciando meu cabelo. â Por favor. A senhora estĂĄ muito machucada.
- EstĂŁo vindo atrĂĄs da gente, Claire.
- Para esse carro agora, Paul! â gritou.
- Meu filho... â sussurrei melhor dessa vez. â Me ajuda...
- Vamos ajudar, calma. â a mulher disse. O carro parou.
- Policial, estamos com essa mulher. Encontramos ela caĂda no meio da estrada, estava sangrando muito. Na verdade ainda estĂĄ, ela acordou um pouco e disse que tem um filho na barriga dela, acho que ele pode morrer se nĂŁo for para o hospital logo. â a menina falou afobada e se eu nĂŁo estivesse naquele estado atĂ© teria rido.
- E nĂłs corremos de vocĂȘs por isso, pra leva-la. â o rapaz disse.
- Senhor Malik, encontramos sua esposa. â uma terceira voz surgiu.
Meu marido finalmente me achou! Eu estava salva. E meu filho também.
- A ambulĂąncia estĂĄ a caminho. Mantenham ela paralisada. â a terceira voz disse.
- S-sim senhor. â A menina ainda estava nervosa. Eu precisava agradecer a esse anjo depois.
Dor. Era tudo o que eu sentia. AtĂ© para abrir os olhos foi difĂcil. Assim que o fiz encontrei de cara um Zayn de cabeça baixa no colchĂŁo onde eu repousava. Olhei em volta e reconheci nosso quarto. Eu estava em casa. Uma mulher que eu nunca vi na vida entrou no quarto.
- Ela acordou, senhor Malik. â sorriu pra mim. Olhei confusa para Zayn. Seu rosto estava inchado, deve ter chorado muito. Eu tinha medo do motivo. Torci para que aquilo fosse por causa do sequestro.
- Amor. â sussurrou e me abraçou com força. Senti dor, mas nĂŁo atrapalharia aquele momento. Meu coração acelerou assim que nossos corpos se encontraram. â A culpa foi minha.
- A senhora... â a mulher parecia hesitante. â Perdeu o bebĂȘ.
NĂŁo imaginei que fosse ficar tĂŁo pequeno assim... Me desculpem!