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Era um dos acessórios que costumava usar quando praticava caligrafia. Uma pontada de nostalgia a atingiu ao pegar o objeto; sendo essa uma das coisas que aprendera a gostar por conta dos avós e de uns tempos para ca havia se afastado. Em parte pela falta de tempo. Mas não somente por isso, de alguma forma doia pensar nos mais velhos. Duas pessoas que, apesar dos ideais e pensamentos serem de fato bastante antiquados sempre haviam estado por ela. Do seu jeito estranho eles haviam cuidado dela, quando seu pai simplesmente lhe virou as costas. Por mais que continuasse não concordando em não opinar quanto as suas escolhas, Rei sentia-se triste em se afastar deles. O impulso de voltar a rotina no Japão por vezes batia nela; mas voltaria para o que ? Ja não era a mesma garota assustada de antes. E duvidava que eles fossem mudar tão cedo. Agora sentada na cama Rei continuou a pegar mais alguns outros objetos antigos de dentro das caixas. Muitos da epoca na qual morava com os avós. Uma presilha que ganhara da avó depois que concluiu sua primeira cerimônia como anfitriã. Tornou a guardar a mesma sentindo um aperto no peito, lembrando-se da expressão de orgulho no rosto da mais velha. Seguidos pela decepção que a mesma lhe direcionou quando pediu aos mais velhos que lhe dessem um tempo. Uma coisa que havia aprendido, por mais que discordasse dos mais velhos. Não queria ser que nem o pai que dava as costas para a famÃlia. Acreditava no dialogo e, acima de tudo tinha paciencia para que um dia quando as coisas se resolvessem eles voltassem a ter o vinculo que tinham antigamente.
Não queria dar muitas satisfações ao pai, e como acreditava ser grande o bastante para cuidar de suas próprias coisas, contanto que continuasse agradando o mais velho e seguindo com essa competição sem sentido. Decidiu sair pelas ruas da Londres trouxa, sem ter qualquer destino especifico. Estava apenas caminhando e vendo as pessoas interagindo, assim como a rotina das mesmas. Não soube ao certo quanto tempo havia se passado desde que começara a sua caminhada, apenas que estava bem longe de onde havia começado e que havia escurecido significativamente. Supos que deveriam estar perto das oito horas da noite quando decidiu entrar em um dos restaurantes para jantar. Em breve teria que voltar para casa de qualquer maneira, pensou aborrecido desviando o olhar para uma das janelas que tinha visão da rua em frente. Uma rua pequena e não muito movimentada.Â
Foi então que foi desviado dos seus devaneios ao entreouvir a conversa dos ocupantes da mesa em frente, não sabia dizer exatamente o que havia atraido sua atenção, mas logo estava entreouvindo a interação dos mesmos. Se tratava de um casal, que aparentemente haviam trazido seus filhos gemeos para o que parecia ser um presente de aniversário para os mesmos. Por mais que quisesse desviar o olhar, e sentisse uma pontada de tristeza ao observar a maneira como pareciam confortaveis e felizes ali Ming não conseguia deixar de observar. A maneira como a mais velha havia confortado o menor dos dois quando o assunto se voltou para a derrota que a equipe do mesmo havia sofrido mais cedo. Como ela o incentivava de uma maneira gentil, o ajudando a enxergar a derrota como uma lição para melhorar. Porque sua famÃlia não podia ser daquele jeito ? Quase conseguia observar o olhar que o irmão faria, caso fosse tratado daquela maneira e não depreciado de todas as formas possiveis. Por fim se obrigou a retornar a realidade. De nada adiantava ficar sonhando com coisas que não iam acontecer. Hesitante Ming se levantou para seguir para casa. Pensou em presentear os pequenos de alguma forma, por mais que invejasse e achasse que não davam de fato valor ao que tinham. Mas pensando bem, eles pareciam melhor com o pouco que tinham do que ele, que tinha uma famÃlia que tinha tudo menos o mais importante.
De qualquer forma essas lembranças hoje em dia doiam. Ele não sentia vontade alguma de se apresentar, por mais que logicamente a quantidade maior de pessoas significasse que receberia mais dinheiro. Havia escutado Andrew resmungando alguma coisa a respeito de um jantar em famÃlia que teria naquele sabado. Sabia por cima que o relacionamento dele e do pai sempre havia sido conturbado, algo que os dois pareciam compartilhar de certa maneira. FamÃlias problematicas; embora duvidasse que o outro tivesse problemas que envolviam parentes se socando ou coisas piores. Se não tivesse tão chateado provavelmente teria rido ao se lembrar do incidente com Kaien na estação de trem. Ainda sentindo-se chateado Hei tornou a desligar a TV desviando o olhar para a janela. Ja estava começando a escurecer. Continuou se questionando por mais algum tempo o porque famÃlias serem tão complicadas de se lidar. Como se as coisas ja não fossem dificeis para seguir um sonho como o que tinha. Por fim acabou seguindo para o quarto, onde pegou mais uma vez para estudar a partitura sobre a qual teria que fazer uma releitura.