A diretora executiva da Associação Parceria Contra as Drogas, Marylin Tatton, explica que é possível fazer uma internação compulsória, isto é, sem o consentimento do paciente. Porém, é necessário que a clínica avise o Ministério Público em menos de 72 horas. Além disso, um juiz deve dizer que está ciente de que aquela pessoa está sendo tratada e não mantida em cárcere privado. Marylin diz que concorda com esse tipo de internação em alguns casos, como o de dependentes de crack. “A pessoa acaba perdendo o amor próprio e a substância acaba sendo mais importante que qualquer outra coisa, inclusive sua própria vida.”
A psicóloga da Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marília Castello Branco, concorda que quando há risco a vida do dependente e quando ele põe em risco a vida de outros, pode-se recorrer a essa última alternativa para prevenir algum tipo de tragédia. No entanto, as duas especialistas afirmam que o melhor seria se o paciente decidisse pelo tratamento e por largar as drogas. A recomendação, em qualquer caso, é que se procure uma clínica legalizada onde a pessoa passe por uma avaliação médica. Permitir que a família participe do processo, que não é fácil, também é muito importante, explica Marília. Dentro do hospital, o dependente passará por uma desintoxicação com a ajuda de remédios e, mesmo após receber alta, precisa continuar o tratamento com terapia. “Não é um passe de mágica”, diz a psicóloga.