Tempo. Da menor das bactérias à maior das montanhas, passando por nós, ele devorará a todos. Será que terei tempo para fazer tudo que eu quero? Realizar meus sonhos? Lamentar meus erros? Ou deixarei um copo de uísque pela metade, largado rolando pelo chão, pois meu derradeiro momento decidiu me alcançar como um ladrão furtivo? A percepção da finitude do tempo é uma daquelas coisas que não podem ser desvistas ou despercebidas. Uma vez que a questão se instala em sua mente, ela se torna uma presença constante, assombrando tudo que você faz, minando sua capacidade de ter uma vivência mental minimamente saudável enquanto os horrores totalmente sem sentido da existência passam por seus olhos e você fatalmente se pergunta pelo propósito deles. Lágrimas se tornam a única linguagem conhecida para expressar o pânico, a urgência, a certeza do fracasso. #lucavalheiro #poesiabrasileira #poesia #poesiaindependente #literatura #autorlgbt #autoralgbt #autoresdabaixada #tempo #existencialismo #jogodepalavras #poesiaabstrata #autoraindependente Crédito pela imagem: primeira imagem de Sagitário A*, o buraco negro no centro da Via Láctea, tirada pelo Event Horizon Telescope (https://eventhorizontelescope.org/) --- Tempo Lu Cavalheiro (@lu.cicerone.cavalheiro) Licença CC-BY-SA 4.0 Internacional Quando a mente não se anestesia mais Quando a lágrima sabe ao duro viver Quando há um vazio ao invés de você Quando de dar um passo não se é capaz Que a resposta se rizome em pura dor Que a consciência se torne de si plena Que o existir seja áspero como a pena Que o saber queira meramente me supor Se o verbo cantasse o faria em um fado Se o respirar não ardesse eu o viveria Se o querer não fosse mais que sesmaria Se a esperança se concretizasse em fato Nada resta, apaguem as luzes, fim de festa Nada sobra, passem as eras, a Morte cobra (em Olavo Bilac, Rio De Janeiro, Brazil) https://www.instagram.com/p/CpgaDZlL7B_/?igshid=NGJjMDIxMWI=