𝐀 𝐑𝐀𝐈𝐍𝐇𝐀 𝐍𝐔𝐍𝐂𝐀 𝐒𝐄 𝐀𝐓𝐑𝐀𝐒𝐀
POV
⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ 25 de Abril.
Com a academia praticamente vazia já que grande parte dos nobres haviam viajado para comparecer ao velório da rainha Rosário, o príncipe norte coreano aproveitou a paz que caiu sobre a instituição de Avalon para fazer algo que há tempos não fazia: bagunçar.
O irmão mais novo, Shindeul, foi o seu cumplice naquela madrugada de diversão, no qual os Kwaks invadiram diversos quartos na surdina e espalharam o máximo possível de caos dentro deles, a julgar o que conheciam das pessoas que ali habitualmente repousavam e o que as faria pirar.
O dormitório do duque insuportável sul coreano foi o primeiro alvo e acabou repleto de lixo espalhado por todos os cantos, assim como um presente quentinho e especial de Bora por entre os travesseiros e fronhas de Junho. Depois veio os peixes podres escondidos no quarto de Gen, a inundação do banheiro e inserção do colchão de água furado para Hyesu, a organização impecável do quarto aka lixão de Taeul, a exposição e sumiço de alguns brinquedos sexuais do idiota do Yohan, e etc.
Já estava quase no meio da tarde quando Gaeul se deu por satisfeito. Ele se sentia faminto, precisando repor energia, e por isso acabou meio que convidando/aceitando ir almoçar com Yujin. Porém, achava que, com toda aquela demora para ir encontrá-lo, a dama de companhia parecia estar se arrumando para um evento formal da realeza ao invés de um simples almoço no vilarejo. Naturalmente, após isso, Gaeul foi implicando com a garota o caminho inteiro, mesmo que no fundo apreciasse a companhia dela.
Os dois coreanos escolheram um restaurante asiático para matar a saudade das comidas de casa. Eles estavam ocupados saboreando e conversando — com Gaeul suspeitando que o sugar daddy de Yujin era na verdade o velho imperador chinês e achando isso extremamente nojento, mas inteligente também. Hm.
O príncipe notou de soslaio uma agitação na cena ao vivo que passava na televisão do restaurante. O velório de Rosário estava em todos os canais. Contudo, parecia estar sendo mais animado do que o esperado de um evento como aquele. Em razão disso, de início foi meio difícil entender o que se passava por lá, ainda mais com Yujin tagarelando sem parar ao seu lado. — Ei, ei, shhhhh... — enfiou um pedaço de carne enrolada em alface na boca da amiga, tentando mantê-la ocupada e quieta. — AUMENTA ISSO AI! — Ordenou para o funcionário mais próximo, que após um susto repentino, que quase levou a bandeja lotada que ele carregava para o chão, foi prontamente obedecer.
As íris negras de Gaeul estavam focadas na tela com toda atenção, buscando identificar os indivíduos que se agitavam em frente as câmeras (Quem sabe encontrasse Peach?) e o motivo para tudo aquilo. Foi então que, após algum tempo, um dos príncipes cabeçudos finalmente notou que não era transparente e saiu da frente, dando a chance da audiência de longe ver a mudança súbita que ocorreu no corpo que estava sendo velado. Um breve deslumbre e já era possível reconhecer que, obviamente, aquela sendo velada não era a noiva de Hyunjae. — Mas que porra...? — Bateu as palmas abertas contra a mesa, curvando o corpo alto na direção do aparelho. E, nesse exato instante, assistiu um portal dourado repentinamente se abrir no teto da catedral, cuspindo a verdadeira rainha Rosário de lá. E ainda parecia viva! — Fuck me! — De boca aberta, era difícil acreditar no que seus olhos viam. Podia ser um truque, efeito, ou qualquer coisa assim. Mas, através da sua visão microscópica, Gaeul reconheceu que o pó dourado no outro lado da tela tinha as partículas semelhantes á aquele que surgiu no meio da academia semanas antes. — Só pode ser... — Foi interrompido por um líquido gelado sendo jogado em jato na sua cara. Virou a tempo de ver Yujin que, também assistindo a cena e ficando igualmente surpresa, estava cuspindo todo o refrigerante nele. — ... brincadeira! — Achava que tinha até bebido um pouco daquela mistureba de refri e baba. Ótimo! — Pelos deuses, controla a sua boca furada! — Reclamou, lançando um olhar assassino para a menina, o qual rapidamente se suavizou ao que sua atenção voltava para o programa televisionado e ele tentava se secar com alguns guardanapos.
“Perdi minha aposta!” reconheceu mentalmente para a daemon, que também compartilhava o seu choque pela situação. “Ela saiu de um portal, você viu? De onde será que ela veio? Dessa ou de outra dimensão?” Gaeul não tinha as respostas para aquelas perguntas de Bora. Não ainda. Humano e daemon seguiram em silêncio, tentando ver a conclusão daquele plot twist digno de Hollywood. Até que a raposa comentou baixinho: “Como isso é possível?! Ela enganou a todos. Humanos. Deuses... até a morte.” Isso acendeu uma lâmpada na mente genialmente perversa de Kwak Gaeul.
Não sabia ainda como as coisas relacionadas a morte e a ressureição de Rosário tinham acontecido. Mas uma coisa era certa: o protegido de Kumiho aceitou aquilo como um sinal dos universos para ele.
Tive uma ideia!













