Oi! Este nĂŁo Ă© meu idioma nativo, entĂŁo peço desculpas se houver algum erro đ„č. Eu gosto do que vocĂȘ escreve, jĂĄ faz tempo que tenho uma ideia na cabeça, vocĂȘ poderia realizĂĄ-la para mim? đđ Eu entenderei se nĂŁo puder.
O pedido Ă© sobre Pi Han Wool: a famĂlia do leitor e a famĂlia de Han Wool sĂŁo velhos amigos, e eles decidem que o leitor e Han Wool devem se casar. O leitor pensa que Han Wool Ă© contra o casamento e tenta nĂŁo se aproximar muito dele, sem saber que ele gosta muito dela. No final, ele mostra seus sentimentos quando outro rapaz começa a dar atenção a ela, e Pi Han Wool fica muito ciumento de sua futura noiva, deixando claro para todos que ela jĂĄ estĂĄ comprometida.
Espero ter explicado direitinho, mal posso esperar, muito obrigada â€ïž
notas da autora: obrigada pelo pedido! <3 eu me diverti escrevendo, espero que goste!...
casamento arranjado ââ .âŠ
personagens: pi han-wool x fem!leitor
sinopse:  presa em noivado arranjado, vocĂȘ acredita que seu noivo, pi hanwool, Ă© completamente contra a ideia, mas um acesso de ciĂșmes o força a confessar seus sentimentos por vocĂȘ.
avisos: Â levemente sugestivo (no final), ma minhwan
a pĂĄgina quatorze. pela quinta vez, vocĂȘ estava tentando ler a mesma frase na pĂĄgina quatorze. era uma frase perfeitamente simples, algo sobre o cĂ©u estar de um azul melancĂłlico, mas as palavras se recusavam a se fixar em sua mente. a culpa era do bombardeio sonoro de explosĂ”es digitais, gritos de vitĂłria exagerados e o ocasional â "ah, qual Ă©!" que emanava da pessoa esparramada ao seu lado no sofĂĄ de couro.
ele estava praticamente deitado, com os pĂ©s apoiados na mesa de centro de vidro, o celular seguro a centĂmetros do rosto, os polegares se movendo em uma velocidade frenĂ©tica. o som estridente do jogo era irritante, mas o que realmente a incomodava era o cotovelo dele, que balançava incessantemente, batendo contra sua cintura a cada dois segundos.
vocĂȘ suspirou, fechando o livro com uma força um pouco maior do que a necessĂĄria. mentalmente, vocĂȘ adicionou mais um item Ă sua crescente lista de "desvantagens do casamento com hanwool". no topo da lista, Ă© claro, estava o seu prĂłprio noivo indiferente, pi hanwool. mas logo abaixo, em negrito e sublinhado, estava o fato de que ele vinha com um brinde indesejado: seu amigo irritante. onde quer que hanwool estivesse, minhwan estava por perto, como uma sombra barulhenta e irritante.Â
e como suas famĂlias agora insistiam que vocĂȘ e hanwool passassem mais "tempo de qualidade" juntos, isso significava que sua cota de paciĂȘncia com minhwan estava sendo testada atĂ© o limite. â "vocĂȘ poderia, por favor...?" vocĂȘ começou, a voz tensa. minhwan nem olhou para vocĂȘ. â "shhh! quase quebrei meu recorde!" ele murmurou, a lĂngua presa entre os dentes em concentração.Â
vocĂȘ revirou os olhos com tanta força que doeu e soltou um suspiro profundo e exasperado, direcionando ao garoto jogado ao seu lado um olhar que, se pudesse, faria o celular dele superaquecer e derreter em suas mĂŁos. ele continuou alheio, completamente imerso em seu universo pixelado. sua raiva, no entanto, nĂŁo era apenas por ele. era um sentimento mais profundo, uma frustração que borbulhava sob a superfĂcie, e sua mente, como que por instinto, fugiu da irritação presente para a fonte original de todo aquele incĂŽmodo.
a memĂłria ainda estava fresca na sua mente, a noite em que seus destinos foram selados, hĂĄ alguns meses. um restaurante caro e exclusivo, o som suave de taças de champanhe se tocando. seus pais e os pais de hanwool estavam radiantes, brindando ao "futuro", Ă "uniĂŁo" e a uma sĂ©rie de outros clichĂȘs que soavam como sentenças de prisĂŁo para vocĂȘ.
vocĂȘ se lembra de ter procurado desesperadamente o rosto de hanwool do outro lado da mesa, buscando qualquer sinal de protesto, qualquer vislumbre de pĂąnico que espelhasse o seu. vocĂȘ nĂŁo encontrou nada. ele estava recostado em sua cadeira, perfeitamente relaxado. ele ouviu o anĂșncio com uma calma impassĂvel, sem demonstrar nada. nem pĂąnico, nem raiva, nem alegria ou qualquer outra reação minimamente humana.
e quando seu pai perguntou, â "e entĂŁo, hanwool, o que vocĂȘ diz? feliz em se juntar Ă nossa famĂlia?", ele simplesmente pegou sua taça de ĂĄgua, deu um gole e respondeu com uma voz suave e controlada. â "se Ă© o que os mais velhos desejam, eu nĂŁo tenho objeçÔes." sem objeçÔes. foi isso. naquele momento, seu coração afundou. ficou claro para vocĂȘ que ele via aquilo exatamente como vocĂȘ: uma obrigação. um fardo a ser carregado em nome da famĂlia. sua indiferença era quase mais cruel do que a raiva seria. pelo menos a raiva significaria que ele se importava. a apatia dele simplesmente dizia que vocĂȘ nĂŁo era importante o suficiente para merecer uma reação.
o grito exagerado de minhwan a arrancou bruscamente de suas lembranças sombrias. ele pulou no sofĂĄ, fazendo as almofadas afundarem e vocĂȘ balançar. o celular foi jogado para o lado e ele se virou para vocĂȘ com um sorriso triunfante estampado no rosto. â "eu te disse! novo recorde! vocĂȘ devia ter visto, foi Ă©pico!" ele te cutucou nas costelas com o dedo. â "qual o problema? vocĂȘ parece que chupou um limĂŁo." ele cutucou de novo, com mais força. â "vamos, noivinha, um sorriso nĂŁo vai te matar."
foi a gota d'ĂĄgua. a combinação das memĂłrias, a irritação contĂnua do compromisso e agora a provocação infantil de minhwan fez algo dentro de vocĂȘ estalar. em um movimento rĂĄpido, impulsionado pela pura fĂșria, vocĂȘ se esticou e agarrou a orelha dele com firmeza. â "ai! ai, ai, ai! o que foi isso?!" minhwan gritou, sua arrogĂąncia desaparecendo instantaneamente, substituĂda por um gemido de dor. ele tentou se afastar, mas seu aperto era de ferro. â "eu te pedi, por favor, para parar", vocĂȘ rosnou, torcendo levemente, sentindo uma satisfação sombria com o ganido dele. â "mas vocĂȘ nĂŁo escuta, nĂŁo Ă©? vocĂȘ nunca escuta!"
â "tĂĄ bom, tĂĄ bom, eu parei! me solta!" ele choramingou, tentando afastar sua mĂŁo com a dele. mesmo em meio Ă dor, um sorriso zombeteiro surgiu em seus lĂĄbios. â "vocĂȘ tem garras!" ele provocou, o tom de dor misturado com uma diversĂŁo genuĂna. â "hanwool vai ter trabalho!" a menção ao nome dele sĂł serviu para apertar ainda mais seus dedos. â "cala a boca, minhwan!" e ele desafiou de volta, â âme obrigue!â
e entĂŁo, seus olhos brilharam com malĂcia. com a mĂŁo livre, ele avançou repentinamente, nĂŁo para a sua mĂŁo, mas para a sua cintura, onde seus dedos começaram um ataque impiedoso de cĂłcegas. uma risada involuntĂĄria escapou de vocĂȘ, quebrando sua concentração e afrouxando seu aperto na orelha dele. foi a Ășnica abertura que minhwan precisou.Â
o que se seguiu foi uma "briga" completamente infantil. almofadas foram jogadas, pequenos tapas eram trocados, beliscĂ”es eram dados, vocĂȘs dois rolando pelo sofĂĄ como duas crianças, enquanto ofensas eram trocas. vocĂȘ estava no meio de uma tentativa de prender o braço dele quando um pigarro seco cortou o ar, o barulho morrendo automaticamente.
o silĂȘncio que caiu na sala era tĂŁo abrupto que chegava a ser desconfortĂĄvel. vocĂȘ e minhwan se separaram, o garoto ao seu lado parecendo completamente despreocupado em consideração ao desespero que vocĂȘ estava sentindo. vocĂȘ arrumou sua saia, e tentou em vĂŁo alisar o cabelo com as mĂŁos, sentindo o calor subir pelo seu pescoço atĂ© as bochechas.Â
hanwool continuava parado na porta, uma silhueta imponente ainda vestida com o uniforme impecĂĄvel da yusung high, a gravata perfeitamente alinhada, o suĂ©ter escuro contrastando com o blazer. para um observador casual, sua expressĂŁo era de puro tĂ©dio. o rosto relaxado, os olhos semicerrados, a postura tranquila. mas vocĂȘ, que passou a vida inteira observando-o de longe, notou algo mais. havia uma rigidez em seus ombros que nĂŁo estava lĂĄ antes, uma tensĂŁo na linha de sua mandĂbula que traĂa a fachada de calma. por baixo daquela superfĂcie fria, algo fervia.
minhwan, completamente alheio Ă tensĂŁo que emanava de hanwool, bocejou e se esticou, pegando o celular do chĂŁo como se nada tivesse acontecido. ele se jogou de volta no sofĂĄ, a uma distĂąncia segura de vocĂȘ desta vez, e seus polegares imediatamente voltaram a voar pela tela, o som irritante do jogo preenchendo o silĂȘncio pesado. â "ela Ă© selvagem", minhwan murmurou, â "vocĂȘ precisa dar um jeito na sua noiva, cara. ela Ă© maluca."
a palavra "sua" pairou no ar.
o olhar de hanwool se moveu de minhwan para vocĂȘ. ele viu suas bochechas coradas, seus lĂĄbios entreabertos enquanto vocĂȘ recuperava o fĂŽlego, o brilho em seus olhos que era resultado da briga de antes. e por dentro, um fogo invisĂvel se acendeu. ele estava queimando. queimando de ciĂșme.
ele tinha acabado de chegar, esperando encontrĂĄ-la lendo silenciosamente, como sempre fazia. em vez disso, encontrou seu melhor amigo em cima de vocĂȘ, as mĂŁos dele em sua cintura, arrancando de vocĂȘ risadas que ele mesmo nunca tinha ouvido. vocĂȘ, que era sempre tĂŁo contida e distante com ele, que o tratava com uma polidez fria que o enlouquecia, estava ali, desgrenhada e vibrante, rolando no sofĂĄ com outro cara. com Minhwan. e o pior de tudo, parecia que vocĂȘ estava se divertindo. uma parte irracional e possessiva dele queria cruzar a sala e arrastar o outro garoto para longe de vocĂȘ. queria gritar e dizer que era ele quem deveria estar ali, que era ele quem deveria fazĂȘ-la rir daquele jeito.
mas pi hanwool nĂŁo gritava. ele nĂŁo perdia o controle.
hanwool permaneceu em silĂȘncio por mais um longo momento, a sua presença preenchendo o espaço deixado pela ausĂȘncia de barulho. entĂŁo, sem desviar o olhar de vocĂȘ, ele se dirigiu ao amigo. â "minhwan." o tom era baixo, quase um murmĂșrio, mas cortou o som do jogo como uma faca. â "hum?" o garoto respondeu, ainda focado na tela. â "jĂĄ estĂĄ tarde. vĂĄ para casa", hanwool disse. nĂŁo foi uma sugestĂŁo, foi uma ordem disfarçada de polidez. havia uma finalidade em sua voz que nĂŁo deixava espaço para argumentos.
pela primeira vez, minhwan pareceu sentir a mudança no ar. ele olhou de hanwool para vocĂȘ e de volta, finalmente percebendo que o clima havia evaporado completamente. ele bufou, mas desligou o jogo e se levantou, espreguiçando-se. â "tanto faz. jĂĄ estava ficando chato mesmo", ele resmungou. pegando sua mochila do chĂŁo, ele caminhou em direção Ă porta. ao passar por vocĂȘ, ele se inclinou e, em um Ășltimo ato de provocação, mostrou a lĂngua rapidamente antes de sair e fechar a porta atrĂĄs de si.
e entĂŁo, o silĂȘncio retornou. e novamente nĂŁo era um silĂȘncio confortĂĄvel. era pesado, denso, preenchido por todas as coisas nĂŁo ditas entre vocĂȘs. vocĂȘ permaneceu sentada na beirada do sofĂĄ, dolorosamente ciente de cada movimento, cada respiração dele. vocĂȘ nĂŁo ousava olhĂĄ-lo, em vez disso, focou em um fio solto na almofada ao seu lado.
hanwool nĂŁo se moveu. ele apenas ficou lĂĄ, observando vocĂȘ. a raiva gelada que ele sentira ao entrar começou a se dissipar, sendo lentamente substituĂda por algo muito mais complicado. seus olhos, que antes eram cortantes, agora traçavam suavemente o contorno do seu rosto. ele se perdeu na visĂŁo Ă sua frente: seu cabelo ainda levemente bagunçado, as bochechas ainda com um tom rosado, a maneira como vocĂȘ mordia o lĂĄbio inferior, um claro sinal de nervosismo.
vocĂȘ parecia tĂŁo viva, tĂŁo real. e ele a queria. era um desejo profundo e persistente que ele carregava hĂĄ anos, um sentimento que ele enterrou sob camadas de indiferença e autocontrole. ele a queria de uma forma que ia muito alĂ©m de uma simples obrigação familiar. ele queria aquela risada solta que vocĂȘ deu a minhwan. ele queria aquela fĂșria espirituosa que fez vocĂȘ puxar a orelha dele. ele queria ver cada faceta sua, nĂŁo apenas a fachada educada e distante que vocĂȘ sempre lhe mostrava. olhar para vocĂȘ agora, tĂŁo perto e, ainda assim, tĂŁo inatingĂvel, era uma forma de tortura doce e silenciosa. ele se perguntou se vocĂȘ algum dia olharia para ele da mesma forma que olhou para seu amigo naquele momento de caos despreocupado. a dĂșvida o corroeu, alimentando a frustração que ele tĂŁo cuidadosamente escondia do mundo.
â "vocĂȘ nunca ri assim comigo", ele disse, a voz baixa, quase uma acusação, mas tingida com uma melancolia que vocĂȘ nunca tinha ouvido dele antes. a declaração inesperada pairou no ar, atingindo vocĂȘ com mais força do que qualquer grito faria. seu coração deu um salto doloroso no peito. o que vocĂȘ deveria dizer? que era difĂcil rir quando sentia que sua presença era uma mera obrigação para ele? que a indiferença dele criava um abismo entre vocĂȘs que parecia impossĂvel de cruzar? as palavras se embolaram em sua garganta, presas por meses de suposiçÔes e mĂĄgoas silenciosas.
o peso do olhar dele sobre vocĂȘ era quase fĂsico, uma pressĂŁo que a deixava sem ar. o silĂȘncio se esticou, tornando-se insuportĂĄvel. o nervosismo tomou conta. vocĂȘ precisava sair dali. â "eu...", vocĂȘ começou, a voz saindo fraca e trĂȘmula. vocĂȘ se levantou abruptamente, pegando seu livro da mesa de centro com as mĂŁos um pouco trĂȘmulas. vocĂȘ nĂŁo conseguia encontrar os olhos dele. â "estĂĄ ficando tarde. Ă© melhor eu ir para casa."
vocĂȘ fez menção de se mover, quebrando o transe em que ele estava. ele se aproximou, um passo hesitante, depois outro, diminuindo a distĂąncia entre vocĂȘs. vocĂȘ recuou instintivamente, o livro apertado contra o peito como um escudo. â "nĂŁo. nĂŁo vĂĄ." a voz dele era rouca, quase um sussurro, e a sĂșplica nela a pegou desprevenida. era a primeira vez que vocĂȘ o ouvia soar tĂŁo... vulnerĂĄvel.
vocĂȘ balançou a cabeça, as palavras dele a atingindo como uma onda. a proximidade dele, a intensidade em seus olhos, tudo era demais. vocĂȘ precisava de espaço, precisava escapar daquela bolha sufocante de emoçÔes nĂŁo ditas. â "eu⊠eu preciso ir." vocĂȘ tentou passar por ele, mas, num movimento rĂĄpido e inesperado, a mĂŁo dele se estendeu. nĂŁo foi um puxĂŁo agressivo, mas um toque firme e gentil em seu pulso, impedindo sua fuga. um arrepio percorreu seu corpo e a fez congelar. seus olhos se arregalaram enquanto ele a puxava de volta, seu corpo girando atĂ© que vocĂȘ estivesse de frente para ele, o livro escorregando de suas mĂŁos trĂȘmulas e caindo no chĂŁo com um baque abafado.
seus rostos estavam a centĂmetros de distĂąncia, os olhos dele, antes tĂŁo distantes e indecifrĂĄveis, agora eram um turbilhĂŁo de emoçÔes conflitantes: desejo, frustração, uma melancolia profunda. vocĂȘ podia sentir o calor de seu corpo, o cheiro sutil de sua colĂŽnia amadeirada, e o ritmo acelerado de sua prĂłpria respiração ecoava em seus ouvidos. o ar entre vocĂȘs parecia vibrar com a tensĂŁo, preenchido por tudo o que nĂŁo havia sido dito em anos.
as palavras dele giravam em sua mente, desfazendo meses de certezas dolorosas. tudo o que vocĂȘ acreditava saber sobre ele, sobre a situação de vocĂȘs, estava se desintegrando naquele instante. a confissĂŁo dele era tĂŁo contrĂĄria Ă imagem que vocĂȘ construiu que seu cĂ©rebro lutou para processĂĄ-la. confusĂŁo e uma pontada de raiva pela incompreensĂŁo de tudo aquilo borbulharam dentro de vocĂȘ.
â "por quĂȘ?", vocĂȘ sussurrou, a voz trĂȘmula, mal reconhecendo-a como sua. vocĂȘ o empurrou levemente no peito, mais um gesto de frustração do que uma tentativa real de se afastar. â "por que vocĂȘ estĂĄ dizendo isso agora? por que fingir? vocĂȘ nĂŁo se importa! eu vi no seu rosto naquela noite.â
a dor em suas palavras pareceu atingi-lo fisicamente. a mĂŁo que segurava seu pulso apertou por um segundo, e a outra subiu para segurar seu queixo, forçando-a a manter o olhar no dele. a vulnerabilidade de antes foi substituĂda por uma urgĂȘncia feroz. â "nĂŁo me importo?", ele repetiu, a voz baixa e carregada de uma emoção crua. â "vocĂȘ realmente acredita nisso?" ele balançou a cabeça, um olhar de descrença em seu rosto. â "tudo o que eu faço Ă© por vocĂȘ. cada decisĂŁo, cada movimento... sempre foi pensando em vocĂȘ."
a confissĂŁo pairou no ar, pesada e irrefutĂĄvel. ele se inclinou ainda mais, o hĂĄlito quente roçando sua bochecha. â "eu nĂŁo me importo?", ele continuou, a voz quebrando com o peso de sentimentos contidos por tanto tempo. â âeu me importo tanto que, naquela noite, quando vi o medo em seus olhos, a Ășnica coisa que consegui fazer foi construir um muro ao meu redor para nĂŁo te assustar ainda mais . eu pensei que, se eu fosse indiferente, se eu tratasse isso como uma obrigação, seria mais fĂĄcil para vocĂȘ aceitar."
ele soltou seu queixo, a mĂŁo deslizando por sua bochecha em uma carĂcia hesitante. o olhar dele suavizou, a ferocidade dando lugar a uma vulnerabilidade que desarmou vocĂȘ completamente. â "eu amo vocĂȘ", ele confessou, as trĂȘs palavras saindo com uma simplicidade devastadora. â "eu amo vocĂȘ desde que Ă©ramos crianças. e esse casamento... nĂŁo Ă© um fardo para mim. Ă© a coisa que eu mais quis na vida."Â
as Ășltimas palavras dele caĂram no silĂȘncio, quebrando a Ășltima barreira de sua resistĂȘncia. vocĂȘ podia ver a verdade nua e crua em seus olhos, uma honestidade tĂŁo profunda que fez seu coração doer de alĂvio e arrependimento. todos os meses de distĂąncia, de mal-entendidos, de dor silenciosa... tudo se desfez diante daquela confissĂŁo. le estava com medo. medo de te perder, assim como vocĂȘ estava com medo de ser um fardo para ele. toda a frustração, toda a raiva que vocĂȘ sentiu, se transformou em uma onda de carinho tĂŁo intensa que a deixou tonta.
reunindo toda a coragem que tinha, vocĂȘ se colocou na ponta dos pĂ©s. suas mĂŁos, que antes o empurravam, agora subiram pelo peito dele, contornaram seu pescoço e se entrelaçaram em seu cabelo macio. vocĂȘ o puxou para baixo, fechando os Ășltimos e agonizantes centĂmetros entre vocĂȘs. seus lĂĄbios se encontraram. foi um beijo faminto, urgente, a liberação de meses de tensĂŁo e desejo nĂŁo ditos. os lĂĄbios dele eram macios e, ao mesmo tempo, firmes, movendo-se com uma paixĂŁo que incendiava a sua.Â
vocĂȘ sentiu as mĂŁos dele deslizarem de seus quadris para sua cintura, puxando-a ainda mais para perto, o corpo dele pressionando o seu. o cheiro dele a inebriava, misturado ao calor que irradiava de sua pele. o beijo se aprofundou, e as mĂŁos de hanwool desceram, uma delas encontrando a curva de sua coxa, e ele a ergueu sem esforço. VocĂȘ enrolou as pernas em volta dele por instinto, e ele a girou, fazendo-os cair no sofĂĄ. o impacto foi suave, seus lĂĄbios se separaram apenas para um suspiro ofegante, enquanto vocĂȘs se encaravam por um momento.
os olhos dele estavam escuros de desejo, os lĂĄbios inchados e vermelhos dos seus. o cabelo dele estava uma bagunça por causa de seus dedos, e vocĂȘ tinha certeza de que sua prĂłpria aparĂȘncia nĂŁo era muito melhor. um pequeno sorriso surgiu nos lĂĄbios de hanwool, uma visĂŁo tĂŁo rara e genuĂna que fez seu coração tropeçar. ele se inclinou para beijĂĄ-la novamente, quando um som repentino fez os dois congelarem.
a porta da sala se abriu. â âesqueci meus fones de ouvido..." a voz de minhwan ecoou pela sala silenciosa antes que ele entrasse completamente e parasse abruptamente. o tempo pareceu desacelerar. o garoto ficou parado na entrada, com a mĂŁo ainda na maçaneta, os olhos arregalados como pires. seu olhar viajou da sua posição, ainda deitada no sofĂĄ com as pernas emaranhadas nas de hanwool, para hanwool, que estava pairando sobre vocĂȘ.Â
em um instante, o momento foi quebrado. vocĂȘ se debateu, tentando se sentar, o rosto queimando com um nĂvel de humilhação que vocĂȘ nunca tinha experimentado antes. a irritação que vocĂȘ sentia por minhwan voltou com força total. de todas as pessoas, de todos os momentos, tinha que ser ele. hanwool, no entanto, moveu-se com uma calma assustadora. ele nĂŁo parecia nem um pouco envergonhado. ele se sentou lentamente, bloqueando parcialmente a visĂŁo de minhwan sobre vocĂȘ, um gesto sutilmente possessivo. hanwool ajeitou a gola da camisa, a expressĂŁo voltando Ă sua mĂĄscara impassĂvel de sempre, exceto por um brilho perigoso em seus olhos.
o choque inicial de minhwan rapidamente se transformou em uma diversão maliciosa. um sorriso lento e provocador se espalhou por seu rosto enquanto ele finalmente soltava a maçaneta e entrava na sala, caminhando despreocupadamente em direção à mesinha lateral onde seus fones de ouvido brancos estavam jogados.
â "uau", ele disse, arrastando a palavra, os olhos dançando entre vocĂȘ e hanwool. â "quando eu disse que vocĂȘ precisava 'dar um jeito nela', nĂŁo era exatamente isso que eu tinha em mente." ele pegou os fones de ouvido, balançando-os pelo fio. â "mas, ei, quem sou eu para julgar?â a humilhação e a raiva borbulharam dentro de vocĂȘ. sem pensar duas vezes, vocĂȘ agarrou a almofada mais prĂłxima e a arremessou com toda a força na direção dele.
â "some daqui!" vocĂȘ gritou, o rosto completamente vermelho. ele riu, desviando da almofada com facilidade. ela bateu inofensivamente contra a parede atrĂĄs dele. â "tudo bem, tudo bem! jĂĄ estou de saĂda!" com uma Ășltima piscadela na sua direção e um aceno de cabeça para hanwool, ele se virou e finalmente saiu, o som de sua risada ecoando pelo corredor.
a porta se fechou, mergulhando a sala em silĂȘncio mais uma vez. um silĂȘncio agora carregado de constrangimento. vocĂȘ afundou no sofĂĄ, cobrindo o rosto com as mĂŁos, desejando que o chĂŁo pudesse engoli-la. hanwool se virou para vocĂȘ, o olhar pousando em seu rosto escondido. â "ele tem um talento especial para o drama", ele comentou, a voz calma. entĂŁo, ele se aproximou, gentilmente afastando suas mĂŁos de seu rosto.
as mĂŁos dele eram quentes e firmes, segurando as suas com uma delicadeza que contradizia a intensidade de momentos atrĂĄs. vocĂȘ ainda se sentia exposta, o constrangimento colorindo suas bochechas, mas ao encontrar o olhar dele, nĂŁo viu zombaria ou raiva. viu apenas uma afeição tranquila e aquele brilho divertido que ainda dançava em seus olhos. â "nĂŁo se esconda", ele murmurou, a voz dele envolvendo-a. ele entrelaçou os dedos nos seus, um gesto simples que parecia incrivelmente Ăntimo. â "nĂŁo de mim. nunca mais."
a sinceridade em seu tom acalmou o resto de sua agitação. â "ele Ă© insuportĂĄvel." um pequeno sorriso finalmente encontrou seus lĂĄbios. â"ele Ă©", hanwool concordou sem hesitação, e o fato de ele nĂŁo defender o amigo fez seu sorriso se alargar. â "mas," ele acrescentou, inclinando-se um pouco mais perto, o hĂĄlito dele fazendo cĂłcegas em sua pele, â "vocĂȘ vai ter que se acostumar." ele sorriu, depositando um pequeno beijo na sua testa, antes de se aninhar com vocĂȘ no sofĂĄ bagunçado.