Já tava tão conformada com o resultado do SISU que me abalei foi pouco. Deve ser um dom se resignar fácil com as adversidades, aceitar tudo.
Até estou, por exemplo, com paciência para contar como foi a conversa para convencer meu pai a emprestar os documentos necessários para o ingresso na Unirio - caso eu tivesse passado.
Sou taurina, filha de dois aquarianos. Os grandes problemas da convivência com os meus pais, especificamente com o meu pai, vem da discordância, do dizer sempre "não". Minha irmã mais velha até hoje lembra que sempre me via responder "não" a qualquer ordem do nosso pai, quando eu era criança. Não me lembro disso, mas devo ter nascido rebelde, porque ele é nervoso comigo desde sempre.
Mas a gente cresce e aprende a fingir que concorda. Esse é o segredo.
Meu pai é traumatizado com o FIES, porque a minha irmã o colocou numa dívida pesada, que se acumula até hoje, cujos detalhes não entendo muito bem até hoje. Também nunca compreendi porque minha irmã, estudante de colégios particulares e, por isso mesmo, muito bons, jamais tentou uma universidade pública. Ela, quando um pouco mais nova que eu, facilmente convenceu nosso pai a pagar o FIES ou parte dele, referente aos seus estudos em Ciências Contábeis.
Por conta disso, foi difícil convencê-lo de que a universidade pública é pública mesmo, de verdade verdadeira. Segue o diálogo:
- Tem certeza que não vão cobrar nada depois? Certeza absoluta? Olha que o governo não dá nada de graça...
- Meu pai, eu estudei a vida inteira em escola pública e foi de graça, não foi? Então, na federal é a mesma coisa.
- Você tem certeza?
- Sim, absoluta.
Expliquei a ele as diferenças entre pública e privada com ProUni e FIES. Eu disse que, caso não passasse para a Unirio, tentaria o ProUni, que oferece bolsa de estudos parcial ou integral, mas JAMAIS tentaria o FIES, porque, né? Letras + PEC da morte = provável desemprego e nunquinha que conseguirei pagar uma dívida dessas.
Tive que explicar mais de cinco fucking vezes para, no final, ele dizer:
- Lhe entrego os documentos se você enviar e-mail para a faculdade ou para o Ministério da Educação, perguntando se realmente é gratuito por quatro anos. Imprima e traga para mim.
JURO!
O que eu respondi?
- Tá bem. Trarei.









