A propĂłsito do bruá sobre as declarações de Passos Coelho sobre as possibilidades de emigração de professores, perdi toda a pachorra para gente que vĂŞ no primeiro ministro (e lhe exige que seja) um lĂder espiritual. Gente para quem a verdade dos factos pouco interessa e que apenas busca a oportunidade de se ofender.
Por favor vejam as declarações originais do senhor a ver se ele desrespeitou alguĂ©m. Apenas disse o Ăłbvio e a verdade, quando questionado: Há professores sem empregabilidade. Há duas soluções: emigrar ou mudar de profissĂŁo. Há alguns sĂtios com necessidade.
Queriam que mentisse? Que dissesse o mesmo mas em politiquĂŞs? Que "contava com todos os professores" ou uma outra balela gelatinosa do gĂ©nero do Seguro, sabendo que seria impossĂvel? Como faziam (e fazem) os da laia dos criminosos irresponsáveis que nos trouxeram atĂ© aqui? Cresçam! Aprendam a lidar com a realidade e a apreciar quem no-la traz com crueza.
Ou se calhar nem leram as declarações originais. Viram apenas o acicatar da narrativa novelesca nas gordas dos media. Qual fidelidade, qual rigor, qual neutralidade. O jornalista age como se fosse legĂtimo intĂ©rprete da coisa pĂşblica e o cidadĂŁo papa isso. CidadĂŁo que age pela mente de outros nĂŁo Ă© cidadĂŁo.
O triste facto é que chegámos a um ponto tal que as histórias de sofrimento são tantas e tão marcadas que as pessoas desistem da racionalidade. A mim e aos demais "intelectuais privilegiados" com estas conversas, mandam-me às urtigas e continuam a cascar no alvo mais à mão, com ou sem razão, sublimando as frustrações duma vida que já sabemos que é injusta. Sempre foi e sempre será. Tanto mais quanto por mais tempo vivermos no faz de conta.