Prisioneira do Próprio Lar - PARTE 1
Há um reino muito esquisito localizado no subsolo de um enorme deserto, longe de qualquer civilização, onde pequenos seres de aproximadamente 80 centÃmetros habitam. Durante 15 anos vivi nesse reino distante, com minha famÃlia adotiva, a qual reinava sobre todas as cidades subterrâneas. Eu era a única humana ali, fui criada juntamente com meus 4 irmãos adotivos em um castelo feito de pedra, que possuÃa uma bela vista para o parque principal do paÃs subterrâneo. Meus irmãos me ensinaram a falar o idioma deles quando eu tinha apenas 3 anos de idade, pois eu falava um idioma totalmente desconhecido.
Meus pais adotivos, o rei e a rainha, estavam sempre ocupados, e eu passava grande parte do meu dia passeando pela cidade e escrevendo meus pensamentos. Os habitantes da cidade me olhavam como se eu fosse um ser horrendo, o único motivo pelo qual respeitavam era porque eu era filha do rei. Quando completei 15 anos de idade, acompanhei uma reforma geral no paÃs. O teto, que antes era rochoso, ficou coberto por um tipo de metal, e um buraco foi aberto para que expeditores fossem à superfÃcie em busca de suprimentos para o longo inverno que se aproximava.
Eu assistia ao trabalho dos expeditores todas as manhãs antes de ir à escola. A luz que irradiava do buraco fazia bem para a minha pele. Eu chegava no castelo à tarde para almoçar com minha famÃlia, era o único horário que eu via meus pais. Nós não tÃnhamos assunto na maioria das vezes, então um dia, depois de muito imaginar como seria a superfÃcie terrestre, perguntei ao meu pai:
"Eu posso ver como é a superfÃcie, meu pai?" -nesse momento, as atenções de todos os presentes na sala de jantar se voltaram para mim.
"Por que você quer ir para lá? Você não gosta daqui?" -minha mãe falou com tom triste na voz, me senti culpada por pedir tal coisa, afinal meus pais me davam tudo o que precisava e me tratavam bem.
"Eu só gostaria de conhecer, não estou pedindo para morar lá, é porque algo me diz que eu já estive lá algum dia, e..." "BASTA!" -gritou meu pai, me interrompendo. Nesse instante, percebi que havia algo errado. Meus irmãos já tinham ido à superfÃcie junto com os expeditores, por que eu não podia ir também? Me levantei da cadeira e me tranquei no quarto. Peguei todas as minhas anotações que fiz durante a vida e li uma que dizia:
"Eu moro em um lugar muito estranho, no qual não há luz natural e monstros habitam. Sou a única diferente aqui, todos me olham estranho como se fosse eu o monstro. Sinto que não pertenço a esse lugar.
Eu cresço a casa ano, fiz marcas na parede para comprovar isso, enquanto os outros param de crescer quando completam 80 centÃmetros. A cor da minha pele é clara, quase branca, e a pele dos outros apresentam diversas cores: azul, amarelo, verde, vermelho, lilás e cinza.
Os dedos das minhas mãos são compridos e têm 3 dobrinhas, mas os dedos deles têm apenas duas pequenas dobras. Meu cabelo é liso, preto e cumprido, enquanto o cabelo deles é inexistente. Meus olhos são pretos e eu pisco de cima para baixo, enquanto os olhos deles são totalmente brancos e piscam para os lados.
Toda noite eu sonho com um mundo bem diferente, no qual há pessoas como eu, luz natural, árvores, animais exóticos, muita água e, à noite, é possÃvel ver estrelas. Nos meus sonhos, meus pais possuÃam as mesmas caracterÃsticas fÃsicas que eu, mas não me lembro bem de seus rostos...será que meus sonhos são reias? Ou eu sou mesmo o único ser monstruoso desse lugar?"
Ao ler essa anotação que escrevi com letra quase incompreensÃvel, percebi que eu, de fato, pertencia à superfÃcie!















