Ao longo do dia a população tinha reforçado cada porta, cada janela, cada pequena abertura que as suas casa poderiam ter. Estavam em plena véspera do dia de Natal. Uma bárbaro dia. Antes do anoitecer, muito antes, juntamente com as suas famílias trancavam-se no interior das suas casas. Aguardavam pelo amanhecer que demoraria a chegar. Esta seria a noite mais longa do ano. À medida que o sol se punha, os homens começavam a cozinhar enquanto as mulheres cuidavam das suas crianças. Em algumas casas, oravam as deuses por proteção e que o homem de vermelho não levasse os seus filhos. Desde o início dos tempos que naquela noite, um homem muito grande, entrava numa casa, comia as bolachas e bebia o leite, pegava nas crianças que ali vivessem desaparecendo da mesma forma que aparecia, misteriosamente. Deixando apenas para trás um rasto de sangue. Ninguém sabia quem era, o que era. Várias tinham sido as vezes que aos longos dos tempos, homens e mulheres se tinham unido numa espécie de milícia patrulhando a vila ao longo da noite na tentativa de destruir vil criatura. E, ao longo dos tempos foram todos eles chacinados. O homem de vermelho devia a sua alcunha às roupas ensanguentadas de inocentes. Lá ao longe, ouviu-se o primeiro grito da noite. Um terrível e prolongado grito. Algures naquela vila, o homem de vermelho tinha conseguido entrar numa casa. Teria partido uma porta ou uma janela que se encontraria mal reforçada e no interior da habitação, sem que ninguém o conseguisse impedir teria separado dos braços de uma aflita mãe o seu filho. Desaparecendo com um enorme saco no interior da noite. E só depois, como que por artes mágicas a mãe teria forças para gritar por socorro. Um socorro que nunca viria, não antes do sol nascer. E com ele, o alívio de mais um longo ano em segurança. #natal #painatal #feliznatal #osreis #epocanatalicia #lovenatal (em Viana do Castelo, Portugal) https://www.instagram.com/p/B6srkhUjCfW/?igshid=1ui8ap11wtuxq












