Apenas um teste. Esse Ć© um projeto sem nome.
CAPĆTULO 1
O jornal da escola sempre é melhor de segunda-feira, porque é quando a minha matéria tÔ no jornal, tudo bem que só deixam que eu tenha uma coluna nas segundas, fui proibido de participar integralmente por "desviar do foco", só não fui expulso ainda porque eles precisam de alguém do fundamental, única regra da escola que eu gosto, como se fosse feita para mim jÔ que ninguém mais se interessa por jornal, e com poucos integrantes eles não poderia recusar a minha ajuda, mesmo que ainda recusem⦠praticamente só faço parte para cobrir a cota de alunos.
NĆ£o tem graƧa nenhuma sair por aĆ perguntando o que os alunos acham da escola, dos professores. Eu quero matĆ©rias de verdade, uma história de verdade, e agora eu jĆ” estou farto de escrever sobre coisas que nĆ£o gosto, vou enfim dar inĆcio a uma investigação ultra secreta.
Nasci pra ser um investigador, disso eu sei. Desde pequeno amo enigmas e todo tipo de charada, e quando encontrava uma que não conseguia decifrar também não conseguiria dormir. Com o tempo passando eu me tornei um especialista em enigmas, me lembrava de cór e salteado as charadas do Hobbit e vÔrias do Batman.
Mas enfim para dar de fato inĆcio a minha investigação, preciso antes alinhar as suspeitas e o que eu realmente estou investigando.
Em primeiro lugar estĆ” sendo falado na escola que o diretor tem um caso com uma professora, a minha professora de inglĆŖs. Acho pouco provĆ”vel jĆ” que ela se demonstra bastante fiel ao marido que tambĆ©m leciona na mesma escola, e em toda oportunidade que ela tem de falar do marido, ela o faz. EntĆ£o acho mais provĆ”vel que seja uma funcionĆ”ria da coordenação da escola ou a senhora clodette, ela Ć© a nutricionista da escola. Segunda coisa, a comida da escola tem estado horrĆvel desde que o cardĆ”pio foi reestruturado, tenho certeza que a escola tem gastado menos com a comida, o grande motivo de desconfiar da senhora Clodette. E acho tambĆ©m que hĆ” dinheiro sendo desviado, seguindo a lógica que estruturei, a responsĆ”vel por isso só pode ser uma pessoa.
Bom, acho que Ć© o suficiente para comeƧar minha linha de raciocĆnio.
ā O diretor divorciado a quase ano e estĆ” carente, isso ele jĆ” demonstrou com bastante clareza para os alunos. Ele tinha o pĆ©ssimo hĆ”bito de desabafar para qualquer um. Uma pessoa nova surge na vida dele, a nutricionista, e ele comeƧa a dormir com ela e com o tempo o cardĆ”pio da escola muda pra pior, coisas mais baratas, e em menor quantidade. Ela definitivamente tĆ” usando o direitor para desviar o dinheiro da comida da escola, só preciso de provas agora. - pensei em voz alta, talvez nĆ£o devesse divagar tanto assim, e nĆ£o Ć© dos meus melhores raciocĆnios, dĆ” pro gasto.
***
O intervalo da escola é bem agitado. Tem aqueles que não comem mais na escola, geralmente esses são os sortudos que os pais fazem lancheiras bem arrumadinhas e provavelmente tem a estampa de algum herói ou desenho animado. Eu não gosto dessas coisas, não mais, eu até tenho uma lancheira de metal sem estampa alguma, é apenas o metal espelhado, bom tinha o metal espelhado, hoje estÔ enferrujando no armÔrio, meus pais são muito ocupados para perder tempo com isso.
Minha barriga ronca de fome e não tenho escolha senão comer a comida daqui.
Pego o meu prato e espero minha vez na fila, o que não demorarÔ muito, hÔ poucos alunos na minha frente, e um em particular me chama atenção, um garoto loiro e baixo, ele sempre se gaba por ganhar coisas caras dos pais e de viagens que faz. Infelizmente para ele eu sei que seus pais estão se divorciando, não me pergunte como. Esse garoto é digno de pena, até faz questão de falar como os pais se amam e se presenteiam, realmente triste.
Minha vez finalmente chega, e mais uma vez Ć© macarrĆ£o comā¦com alguma coisa que se assemelha a carne moĆda, só que esbranquiƧada e sem gosto algum. JĆ” na mesa do refeitório eu me senti sozinho mais uma vez e faƧo um esforƧo para comer, vou precisar de forƧas para mais tarde. Cada colherada me pesa o estĆ“mago, isso pode atĆ© nĆ£o me fazer mal, mas com certeza nĆ£o faz bemā¦
***
No telhado da escola eu consigo ter uma boa visão do escritório do diretor, só preciso esperar ele sair e entrar pela janela jÔ que a única chave da sala estÔ com ele e seria muito arriscado roubar. Da última vez que tentei roubar fui pego e fiquei três semanas de detenção, e com isso descobri que sou um péssimo ladrão. Talvez eu seja um bom invasor pelo menos.
Assim que o diretor pegou as coisas e saiu eu me preparei. SĆ£o trĆŖs andares de queda, e o escritório Ć© no terceiro andar. āNĆ£o pode ser tĆ£o difĆcil, Ć© só nĆ£o cair. JĆ” escalei muitas coisas antesā eu pensei, ainda meio apreensivo.
As luzes da escola comeƧaram a se apagar. Se meus pais soubessem que eu estou aqui serƔ que se importariam? Duvido disso.
Eles não podem ser uma distração agora.
āĆ agora, nĆ£o posso estragar tudoā
Me esgueirei atĆ© a beirada do prĆ©dio. HĆ” um cano de ferro que passa bem ao lado da janela, perfeito para mim. Eu jĆ” sabia o caminho que faria, agora Ć© só seguir o plano. Me sentei na beirada e me segurei no cano. āĆ isso! TĆ“ quase lĆ”ā pensei num Ć”timo. Desci devagarinho, nĆ£o pode haver nenhum erro. A janela estĆ” ao meu alcance, fiz forƧa para abrir a janela com uma mĆ£o enquanto a outra agarrava o cano como se minha vida dependesse disso, e dependia. A janela se abriu com uma certa dificuldade, āamĆ©m, meu deus!ā NĆ£o sou religioso, mas me sinto aliviado parte do plano foi bem sucedido, agora só falta entrar e achar os papĆ©is que dizem tudo sobre a verba da escola. Se o rumor for verdadeiro isso vai me dar uma bela história.
Aproximei devagar o meu pĆ© da janela, e me peguei observando a distĆ¢ncia que agora parecia mais como se eu estivesse atravessando de uma montanha para outra em um pulo. Com cuidado meu pĆ© aterrissou bem na beirada, sentindo a madeira um pouco Ć”spera sob a sola do tĆŖnis. Por pouco nĆ£o me espatifei lĆ” embaixo āDevia ter pago alguĆ©m para roubar as chaves no meu lugar." Me arrependi do plano, mas agora nĆ£o tem volta se for pego aqui jĆ” eraā¦
Vasculhei o escritório. A luz fraca que entrava pela janela suja iluminava as estantes empoeiradas e a mesa de madeira com arranhƵes visĆveis, como cicatrizes de anos de uso. Olhei as gavetas e armĆ”rios, alguns com puxadores bambos. De fato, havia milhares de papĆ©is ali, amarelados pelo tempo, mas como iria saber qual era o certo? Ficaria escondido obviamente, ninguĆ©m deixa a prova do crime em qualquer lugar... "Um esconderijo." Levei a mĆ£o ao queixo e fiz uma expressĆ£o pensativa. "Onde estaria senĆ£o aqui? JĆ” sei, talvez estivesse na casa dele, ninguĆ©m invadiria ou acharia por acidente, claro, faz todo sentido. EntĆ£o tudo que fiz aqui foi para nada." Me arrependi mais uma vez do meu plano e me irritei com o quĆ£o mal executado foi. Devia ter planejado melhor, como fiz com outros casos em que trabalhei.
Plano B: invadir a casa do diretor. Me direcionei atĆ© a janela para sair do escritório e vi algo diferente dessa vez. O quadro ao lado da janela estava torto, a moldura com lascas na pintura escura. E eu nĆ£o mexi nele. Levando em consideração que o escritório Ć© intocado e o diretor ultimamente quase nĆ£o vem aqui depois de se divorciar, só pode ser isso. Peguei o quadro, que era grande e bem pesado, a tela um pouco frouxa na estrutura, e atrĆ”s estava uma pasta pequena, com uma olhada rĆ”pida vi o sĆmbolo da escola e uma mensagem escrita com uma letra horrĆvel, mal dava pra ler, a palavra que consegui decifrar era queime. NĆ£o era muita coisa para acusar aparentemente, mas a coisa toda estava estranha o suficiente.
Ouvi passos perto da porta, āo diretor jĆ” voltou? TĆ£o cedo!ā Pensei, em conflito com o que fazer.
Rapidamente me pendurei na janela. Agora só precisava alcanƧar o cano para subir de volta para o telhado. Me estiquei ao mĆ”ximo e quase nĆ£o consegui agarrar o cano velho. Era visĆvel a ferrugem nos parafusos que o prendiam Ć parede, como lĆ”grimas escorridas de metal. Comecei a subir de volta para o telhado, minhas mĆ£os pequenas agarrando com dificuldade a superfĆcie Ć”spera e enferrujada. De repente, senti o cano ceder sob o meu peso. Com um estrondo alto, o cano quebrou, despenquei os trĆŖs andares direto para a frente da sala de materiais de limpeza.
ā Que barulho foi esse? Perguntou Clodette ao diretor.
ā Deve ter sido um pĆ”ssaro. Mas esquece isso. Escondi a pasta atrĆ”s do quadro por enquanto, vocĆŖ precisa terminar as cópias falsas logo ou entĆ£o⦠- dizia o diretor com pressa.
Perdi a consciĆŖncia antes de ouvir o resto, mais um pouquinho acordado e poderia resolver tudo.



















