Ele saiu praticamente me puxando todo o caminho, tive que me equilibrar por diversas vezes. Perdi as contas de quantas vezes quase cai pelas escadas a baixo, mas nesse breve trajeto pude ver o quando que lá era lindo. Eu realmente havia feito à escolha certa. Descendo o primeiro lance de escadas dava de encontro a uma grande cantina que interligava as escadas dos outros corredores do prédio de artes, estava realmente lotado e só ouvíamos gritos eufóricos de pedidos, ou barulho de passos em conjuntos. Era realmente muita gente e eu achava lindo aquilo.
Quando já íamos nos encaminhado para o segundo par de escada que ligava ao enorme pátio verde entre os três prédios eu quase caio pela milionésima vez.
-Caramba, você podia pelo menos largar o meu braço? – praticamente esbravejo.
- É... me desculpe! Às vezes eu ajo desse jeito e nem percebo – ele parecia realmente chateado. Será que peguei pesado?
- Não, me desculpe, foi só que você estava realmente me machucando.
- É que eu estou realmente empolgado para que você conheça meus amigos, eles vão adorar você. – é, ele não estava chateado, apenas ignorou o que eu acabei de falar.
Continuo o seguindo, havíamos passados por diversas pessoas, de diversos estilos: roqueiros, hippies, descolados, os nerds... Lá era realmente dividido, com naqueles filmes, sabe?
Quando já ia perguntar por eles, ele acena e aponta pra um grupo de... três garotas? Espera, será que eram garotas que ele obrigava a lhe servir e estava me incluindo nisso?
- Garotas – ele começa – essa aqui é Viviane, ela é do mesmo curso que eu e veio da Itália, vocês acreditam? Que nem o Gustavo – pergunto-me quem é Gustavo, mas resolve não falar nada.
– Ela não é legal? – não, elas não me acham legal, sabe por quê? Por que você não me da a oportunidade de se apresentar.
- Oi – o interrompo – prazer.
Duas garotas se mostraram simpáticas ao me cumprimentar, o nome da primeira era Taísa, ela era baixinha e tinha um estilo mais revoltado, porém mais normal do que a outra que não se deu o trabalho de levantar o olhar em minha direção. A segunda era um negra dos cabelos cacheados, parecia bem alienada no celular, mas me cumprimentou educadamente. A terceira que não me olhava chamou-me atenção. Ela parecia bem misteriosa e definitivamente não tinha me achado legal, tinha cabelos roxeados, bem rebeldes, devia ter olhos claros também, mas não dava pra reparar bem já que permanecia com a cabeça abaixada e uma longa franja caia sobe o rosto pálido. Essa não se deu o trabalho de se apresentar, quando ela não correspondeu o meu aperto de mão encaro Diego com um olhar de socorro.
- Stéfany, essa é Viviane, ela é nova aqui na cidade também, porém não conhece ninguém ainda, se mostre simpática e a cumprimente.
- Oi – ela levantou colocando a franja de lado, e sim, ela tinha olhos claros – eu tenho que ir à cantina, até mais. – curta e grossa, pensei.
- Antes que você pergunte, ela é assim, só se torna pior na TPM – sorriu, ele realmente devia achar aquela antipatia normal.
O resto do horário livre seguiu tranquilo com a nossa conversa, a garota de nome Stéfany não havia voltado, o que foi melhor, pois me senti mais à vontade e comecei a me acostumar as loucuras do garoto. Acabei sabendo um pouco mais deles, Taisa, a menor, namorava um amigo do grupo, mas que não tinha vido hoje por uns problemas pessoais, o que a fez choramingar em vários momentos, disse também que havia outro garoto, o tal de Gustavo, que também devia ser da Itália pela comparação. Os três garotos incluindo o namorado da menor que cursava artes cênicas, dividiam uma casa à beira da praia que tinha sido um presente da mãe de Diego depois da sua mudança.
-Deve ser muito legal – falei entusiasmada.
- Em alguns momentos, na maioria das vezes ninguém quer cozinhar ou limpar nada, geralmente as garotas vão lá dar uma força, quer dizer, isso há alguns meses desde que nos mudamos. – agora sim ele parecia uma pessoa normal falando.
Continuamos falando entusiasmados sobre nossas novas vidas, mas também as nossas novas responsabilidades, as mudanças, falaram de todos os seus amigos quando eu por curiosidade resolvo perguntar.
- E quando eu vou conhecer os garotos? – ok, eu não devia ter perguntado isso.
- Se depender de mim, nunca – Taisa responde, sendo direta, direta até demais a meu gosto.
- Ela está brincando, não é verdade, Taisa? – não, ela não esta!
- claro, acredito que amanhã você conheça eles – ela tenta sorrir, mas não me convence, tudo bem, já percebi que é ciumenta.
Antes de conseguirmos falar algo o sinal toca alto e nos encaminhamos novamente às escadas, dessa vez indo a um pequeno auditório. Ele era apertado, devia ter lugar para mais ou menos 20 pessoas, obviamente o número de pessoas que tinha na minha sala. No centro do circulo formado pelas cadeiras tinha uma mulher jovem de cabelos castanhos e pele alva, se disse ser a nossa professora de construção e união de peças.
A tarde passou voando, tanto que me espantei ao sinal tocar e ver todos levantando das cadeiras.
Sim, eu nasci pra fazer moda, estava amando aquelas aulas que para alguns iriam ser chatas e introduzidas demais.
Ao descer as escadas me despeço de Diego que não iria para as alas dos dormitórios e sim para a sua casa, o que me deixava com um pouco de inveja, confesso.
Já no estacionamento pego a minha enorme mala que havia deixado no porta mala do carro e me encaminho para onde acreditava ser os dormitórios.
Depois de meia hora subindo escadas com uma mala que devia pesar uns 20 quilos avisto uma porta com o número 142 pendurado na porta. Olho a minha ficha e confirmo, quarto 412, ótimo, finalmente achei o meu quarto. Não havia nenhum papel pendurado na fechadura, o que indica que alguém já havia entrado.
Paro na porta, respiro fundo, ajeito a bolsa sobre o ombro e abro a porta pronta pra encontrar minha colega de quarto, e... Não pode ser!
-Eu entrei no quarto certo? – pergunto rezando para receber um não como resposta.