nekala, finland

#dc comics#dc#batman#dc universe#bruce wayne#tim drake#batfam#batfamily#dick grayson#dc fanart



seen from Switzerland
seen from United States
seen from Yemen
seen from China

seen from Japan
seen from Venezuela

seen from Finland
seen from Yemen
seen from Brazil

seen from China
seen from China
seen from China

seen from Costa Rica
seen from Germany
seen from Singapore

seen from United States
seen from China
seen from United States
seen from Saudi Arabia

seen from Germany
nekala, finland

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
nekalan siirtolapuutarhat, tampere
Ystävänpäivä dinneri @wanhatappi 😍 Mulla savulohiburgeri ja seuralaisella auraburgeri🍔🍺🥂 #nekala #wanhatappi #ravintolawanhatappi #tapissatapahtuu #ystävänpäivä #dinner (paikassa Wanha Tappi) https://www.instagram.com/p/Coq9NCOtxqB/?igshid=NGJjMDIxMWI=
Kävin eilen siskolla kylässä 😈 Koitettiin mennä terdelle mutta ovet laitettiin kiinni nenän edestä. Pilkku kuulemma tuli etukäteen. Ei varmastikaan johtunut meistä 🙄😳☺️🤣 @gothic_girl_88 ♥️ #terdelle #maanantai #siskot #nekala #kylassa https://www.instagram.com/p/Cfn8Xxqra1T/?igshid=NGJjMDIxMWI=
Nekalan haamuja, okkultistianarkisteja ja eräs etsivätoimisto (Tajunta.Net, 29.12. 2017)

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
Unblessed - Chapter VII “Watch out, little bitch”
“Você não vai dormir aqui essa noite” - Travis disse, empurrando-a para dentro do quarto. - “Pegue suas coisas, você vai dormir no meu quarto e vamos relatar isso ao reitor”
“Claro que não, Travis, devem existir dormitórios vagos.” - Nekala respondeu, pegando sua câmera, pijama, roupa para o dia seguinte e mochila.
“Não, não existem. Vamos”
“Travis, para!” - Nekala se soltou de Travis. - “Você me conheceu ainda essa semana. Não vou dormir no seu quarto!”
Travis parou e, respirando fundo, e virou-se para ela, aproximando-se lentamente.
“E vai dormir onde? No quarto de Ariel? No banco comunitário no topo daquela colina baixa?” - Perguntou, olhando no fundo dos olhos dela. - “Não me importo quando te conheci, eu te quero segura”
“Você nem me perguntou se eu quero”
“Estamos parecendo namorados brigando quando vão transar pela primeira vez” - Riu. - “Mas já que isso te incomoda… você quer ir dormir no meu quarto?”
“Tenho escolha?” - Ela retrucou.
Travis revirou os olhos e mordeu o lábio inferior.
“Você fez todo esse drama por nada” - Disse, oferecendo a mão para ela.
Nekala pegou a mão de Travis enquanto ele a guiava pelos corredores para alcançar o quarto dele, mas ela não se sentia segura. Não depois que seu quarto fora destruído. No início, ela não tinha suspeitas. Mas agora que vira seu quarto, se perguntava se Rebeca não havia feito isso…
Não, essa era uma ideia ridícula.
Por que Rebeca faria isso com o próprio dormitório?
Talvez ela tenha outro lugar para dormir, Katherine me disse para não confiar… não. Por que Rebeca faria isso com Ariel? A não ser que fossem duas pessoas, mas isso é pouco provável. Vou deixar isso para os investigadores.
Travis abriu a porta de seu dormitório e cumprimentou Jason, que estava jogado na cama.
“Seu desgraçado, não me acordou, filho da…” - Jason se interrompeu ao ver Nekala. - “Neka!”
Nekala deu um meio sorriso e Jason se levantou para abraçá-la, mas ela ficou um pouco sem graça. Lembrou-se de quando cruzou com Jason e ele passou reto, e ela viu ele olhar para ela. Foi estranho, e isso a deixava sem graça. Ela esperava ao menos um pedido de desculpas.
Nekala fora criada numa vila no Alasca em que as pessoas eram extremamente educadas, ela estava acostumada com essa educação. Não sabia se os britânicos eram tão educados quanto.
Ela abraçou Jason.
“Soube o que aconteceu com Ariel.” - Ele disse. - “Sinto muito por você ter visto aquilo, não deve estar acostumada…”
“Não se preocupe” - Ela o interrompeu. - “Como você está?”
“Bem, obrigado”
Travis observava tudo enquanto arrumava a cama de Jason para Nekala.
“O que você tá fazendo, mano?” - Jason perguntou ao ve-lo arrumando a cama. - “PARA DE JOGAR MINHAS COISAS NO CHÃO”
“Cê pode ir dormir no quarto da tua mina hoje? Naqueles esquemas lá”
Nekala olhou para Travis.
“Não me disse que eu ia dormir no lugar do Jason”
“Quieta, Nekala” - Travis disse gentilmente e virou-se para Jason. - “Por favor, cara”
“Travis, minha mina é a Ariel” - Jason respondeu e a boca de Nekala se abriu num “o”. Jason riu olhando para ela. - “É verdade, não sabia?”
“Não parece, se nem foi ver ela”
Travis revirou os olhos.
“Deve ter um quarto vago.” - Travis respondeu.
“Travis, você me disse que não tinha”
“Ele quer te comer, Neka”
“Jason, por favor” - Travis pediu. - “Não quero comer ela, mas o quarto dela foi destruído também”
“Então cara, ela tá no mesmo quarto que a Rebeca. A Rebeca deve ter pego o quarto vago e eu não quero dormir perto daquela maluca”
Nekala olhava de um para o outro.
“Jason” - Travis revirou os olhos. - “Te dou £200” - Ele tirou £200 do bolso.
“Falou dinheiro, falou Jason” - Jason respondeu e pegou o dinheiro, suas coisas do chão e abraçou Nekala, dando-lhe um beijo na bochecha. - “Tchau Neka, cuidado com o estuprador”
Nekala riu, despedindo-se de Jason. Virou-se para Travis e, quando ouviu a porta bater, ela pegou uma almofada e tacou em Travis.
“O que você está querendo comigo, Travis? Todo esse drama pra mim dormir aqui?” - Nekala cruzou os braços.
“Não acredite no Jason” - Travis riu e beijou sua testa. - “Fico mais tranquilo sabendo que você está aqui, ao meu alcance. Vai que a pessoa que destruiu seu quarto tenta te machucar”
“Travis, eu já te disse que não preciso de um protetor” - Ela revirou os olhos.
“Nekala, não sou seu protetor mas não quero que corra perigo. Esse lugar é muito perigoso”
Nekala se lembrou das palavras de Kathryn, de que ela não estava segura aqui. Um arrepio lhe percorreu a espinha, e ela ficou um pouco assustada.
Por que esse lugar é tão perigoso?
“Travis…”
“Por favor, Neka” - Ele pediu, pegando em seus braços e a puxando para perto dele.
Ela olhou para o outro lado.
Então soube que precisava falar com Katherine.
Se ela viveu na Wemgan na época em que era o Palácio Houston, ela devia saber que perigos assolavam a faculdade e quem havia destruído os quartos dela e de Ariel, poderia ajudá-la. Mas se ficasse no quarto de Travis, será que Katherine a acharia… Ou ela teria que ir atrás dela?
Não, era uma péssima ideia.
“Tá.” - Respondeu ela, por fim. - “Onde fica o banheiro? No fim do corredor?”
“Não, eu… meu quarto tem o próprio banheiro. Não gosto do coletivo”
Ela se virou e viu uma porta decorada com um extintor de incêndio.
“Ok. Eu já venho”
***
Katherine percorria os corredores pela milésima vez. Ela pensara em fazer o trabalho sozinha, mas precisava de Kathryn. Sabia que precisava.
E odiava essa ideia.
Então, segurando o impulso de se virar e ir atrás de Nekala e possui-la a força, Katherine entrou na cela de sua irmã, que por sua vez, nem olhou para ela.
“Eu ando muito boa esses dias, Kath. Você teria orgulho de mim” - Katherine soltou um riso que perturbou o ouvido de sua irmã. - “Andei fazendo uns tratos, ajudando pessoas. E elas me ajudam”
Kathryn mal olhou para Katherine. Ela se concentrava em seus hematomas, e mesmo que não sentisse dor física, sua alma estava fraturada. Seu orgulho há muito havia desaparecido; seus olhos perderam o brilho.
“Estou pensando em fazer um trato com você. Você me ajuda, em troca lhe dou um corpo e sua liberdade. Aceita?”
Kathryn levantou os olhos para sua irmã. Katherine achou que tinha visto algo brilhar neles. Kathryn abriu a boca e depois a fechou. Parecia pensar sobre o assunto.
Não achei que seria tão fácil., Katherine pensou, sorrindo e cruzando os braços.
Então Kathryn cuspiu nos pés de sua irmã.
“Vá para o Inferno” - Kathryn respondeu entredentes.
“Ainda não, irmã. Só quando eu puder pagar a bruxa e reinar o que eu não reinei.” - Katherine retrucou, controlando-se para não chutar o rosto da que estava amarrada. - “Minha querida, pense na vida que poderia ter, ao meu lado ou não. Nas roupas, no luxo que não tivemos”
Katherine sabia que não precisaria se esforçar muito; sua irmã logo aceitaria o trato.
Ou ao menos, ela esperava.
***
“Travis?” - Nekala chamou ao se deitar na cama de Jason, já com uma roupa mais confortável.
“Estou aqui “ - Ele respondeu da outra cama.
“Acha que o que aconteceu com Ariel foi overdose? Ou ela realmente foi atacada?” - Perguntou ela, lembrando-se do que Jason e Travis haviam dito sobre ela não estar acostumada, e Travis sempre estar do lado de Ariel quando ela tinha uma overdose.
“Não sei. Dessa vez, realmente não sei. Ela nunca destruiu o próprio quarto; era seu santuário” - Travis disse, e após longos minutos de silêncio, Nekala ouviu passos e sentiu a cama afundar.
“O que está fazendo?” - Ela riu, mas parou quando os braços de Travis envolveram a cintura dela.
“Cuidando de você. Sei que está com medo, mas não se preocupe”
“Parecemos um casal” - Ela disse.
“Relaxa. Eu cuido dos meus amigos assim. Menos de Jason, ele não é gay”
“Percebi” - Riu. E fechou os olhos.
Ela sentia-se confortável nos braços dele, mas era uma grande inocência que estava em seus pensamentos quando ela adormeceu.
Mas, quando algo a cutucou de madrugada, ela não estava mais nos braços de Travis. Ele havia sumido, e Nekala só conseguia ver um emaranhado de cabelos pretos.
“Quem…”
“Shh” - A pessoa a interrompeu e puxou-a com força para fora. - “Venha”
Nekala se deixou levar. Estava zonza de sono, não poderia se defender ou fazer qualquer outra coisa a não ser seguir quem quer que fosse. A voz não lhe era familiar; ou talvez fosse, porém ela não conseguiria identifica-la nesse estado de sono. Os cabelos pretos não lhe diziam nada, e ela não tinha forças para mover a cabeça e examinar as roupas.
Então, fez a única coisa que podia.
“Onde está Travis?” - Ela perguntou, olhando em volta.
“Tenho coisas mais interessantes a fazer do que espionar seu namorado” - Respondeu a pessoa de cabelos pretos.
Ela havia parado na frente de uma parte da parede em que não haviam quadros, ou qualquer tipo de enfeite. A parede era marrom, e havia uma camada de poeira formando o contorno de uma porta.
“Me da sua mão” - Pediu.
“Para?”
“Não temos muito tempo, Nekala, e meu sangue não vai abrir essa porta. Só os descendentes de Katherine conseguem abrir”
Nekala engoliu em seco e estendeu a mão. Quando a pessoa tirou uma navalha do vestido bege com toques dourados, Nekala se deu conta de que estava na presença de Kathryn Houston. Pegou sua mão de volta e deu dois passos para trás.
“Katherine já veio encher sua cabeça contra mim, não?” - Kathryn resmungou. - “Nekala, me dê uma chance de mostrar que pode confiar em mim. Entre na sala comigo e veja por seus próprios olhos”
“Não vou me arriscar a tanto. Deixe-me em paz!”
Kathryn deu um passo a frente, e apesar da fraca iluminação do corredor, Nekala podia ver hematomas pelo rosto e braços de Kathryn, seu vestido sujo e rasgado em diferentes pontos, e um corte enorme indo da sobrancelha até a boca.
“Você não sente dor?” - Ela se deixou levar pela curiosidade, esquecendo de que estava na presença de alguém muito perigoso.
“Sou um fantasma, Nekala. O que dói é meu orgulho” - Kathryn disse. E aproveitou a brecha. - “Foi ela que fez isso comigo. Porque estou tentando te salvar dela. Quer ser a vigésima garota morta? Ou, que alguém te livre, deixar Katherine possuir seu corpo é causar um caos inimaginável? “
Nekala ficou parada no lugar, ponderando. Kathryn se aproximou e ficou seu braço.
“Nekala…”
Como se tivesse acabado de acordar de um sonho, Nekala deu um pulo para trás e afastou Kathryn.
“Não me toque. Do mesmo jeito que você diz que Katherine quer me possuir, ela diz que você quer me possuir. Quero as duas longe de mim, entenderam? BEM LONGE!” - Ela gritou segundos antes de se virar e correr.
Ela não havia prestado atenção no caminho, mas ela sabia que acharia seu rumo.
Sua cabeça estava a mil; não sabia em quem confiar.
Nekala foram criada para não precisar de ninguém, não confiar em ninguém, pois sabia que ninguém naquela mundo era confiável. Porém, agora, talvez sua segurança dependesse de quem Nekala depositasse sua confiança, para que pudesse se proteger da outra.
Ela não queria nada disso. Não queria se envolver, e se perguntava se não havia outro Herdeiro disponível.
Será que foi Kathryn ou Katherine, tentando me assustar? Revirando meu quarto?, pensou, e pensou em Rebeca que, apesar de não ser o exemplo da educação, gentileza e bondade com Nekala, nada tinha a ver com a história, e sentiu pena dela. Só uma garota sem atenção na vida poderia agir daquele jeito. Mas mesmo assim, Rebeca não merecia estar envolvida nisso. Nem Nekala merecia.
Mas então por que destruiriam o quarto de Ariel? Ela tem algo a ver? Ou só queriam me atingir?
Sem perceber, Nekala parou de correr para pensar. Então, após alguns segundos de silêncio, algo se mexeu nas sombras.
“Quem está ai?” - Perguntou, respirando fundo, mas sabia que não haveria resposta. Apenas queria mostrar para quem quer que estivesse lá que ela sabia que ele estava lá.
Como realmente não houve resposta, Nekala encostou numa parede e respirou fundo. Talvez não houvesse nada nas sombras.
Ela não sabia mais onde estava. Queria chorar de pensar que estava perdida, que não sabia que horas eram. Podia ter alguém com ela, alguém que representava um perigo para Nekala. Podia ser a própria Katherine, ou Kathryn havia voltado. Mas Nekala acreditava em Katherine. Quando conversaram ela parecia tão frágil, tão vulnerável, tão… verdadeira.
“Psiu” - Ela ouviu alguém dizer. Seus olhos, que já estavam cansados, correram o ambiente em volta, em busca de quem havia chamado-a.
No canto do olho, ela viu um pontinho vermelho, e quando se virou, viu uns fios vermelhos na escuridão.
Quando voltou a olhar para frente, viu o rosto de Fabian.
“Fabian, me ajude” - Ela pediu.
Algo naquele corredor não a deixava bem. Deixava Nekala achando que iria desmaiar, estava começando a perder um pouco dos sentidos. Não sabia dizer onde era o norte ou o sul, direita ou esquerda, e suspeitava até que não conseguiria andar.
Ela achou ter ouvido ele chamar seu nome, mas viu ele fazer uma expressão indecifrável e se virar.
O lugar de repente começou a esquentar, e as paredes ameaçavam esmagá-la. A respiração começou a falhar e a visão embaçar.
Nekala seu corpo deslizar pela parede e a cabeça colidir contra o chão.
***
O corpo de Nekala atingiu algo sólido e gelado. Seus olhos se abriram lentamente, acostumando-se com a luz. Ela tentou ignorar a forte dor de cabeça e apoiou seus braços no chão para se levantar.
“Como eu vim parar aqui?” - Perguntou-se, percebendo que estava no quarto de Travis.
Mais uma vez, ele não estava na cama.
Aquilo aconteceu mesmo ou foi um sonho?, pensou.
Nekala passou a mão na parte de trás de sua cabeça, sentindo seu cabelo todo embaraçado e um galo. É, esse galo prova que sim.
Ela sentou-se na cama de Jason, tentando lembrar de tudo que havia acontecido.
Recusou-se a confiar em Kathryn, não confiava em Katherine, então ela se perdeu e algo onde ela se perdeu a fez desmaiar. Fabian não a ajudou.
Ela jogou as mãos para trás, e olhou para a janela. Porém, algo na cabeceira de sua cama chamou sua atenção.
Era um bilhete.
Nekala pegou o pequeno pedaço de papel e tirou a fita rosa que envolvia. Parecia bilhetes do século XVIII. Ela imaginou que seria de Katherine ou de Kathryn.
Escrito em uma caligrafia milimétrica e esteticamente perfeita, estavam os dizeres:
Cuidado, vadiazinha.
Muitas pessoas querem te fazer machucar.
-x
“Já está acordada?” - Nekala ouviu a voz de Travis quando ele adentrou o quarto. Seu cabelo estava molhado, ele vestia uma camiseta preta fina que se agarrava ao seu corpo, um jeans azul claro e um tênis velho. Seus olhos reluziram com a luz do quarto.
“Ah, sim” - Nekala rapidamente escondeu o bilhete no bolso.
“Onde você estava noite passada?” - Ele perguntou, sentando-se ao seu lado. - “Entrei no quarto e você não estava, e uns minutos depois Fabian entra no quarto com você desmaiada. O que houve?”
“Não me lembro” - Ela mentiu, e riu pelo nariz. - “Como Fabian sabia que eu estava dormindo aqui?”
“Não sei, de repente ele tá te perseguindo. Fabian é um pouco estranho” - Respondeu, e o piercing em sua boca balançou um pouco quando ele sorriu. - “Você é sonâmbula?”
“Não que eu saiba” - Nekala levantou-se e pegou sua bolsa. - “Me espera, eu vou tomar banho”
“Ok” - Travis jogou seu corpo para trás na cama e pegou seu celular.
Nekala entrou no banheiro e tirou sua roupa. Gostara do chuveiro de Travis; a água vinha em grande quantidade, com força e aquecida. Era bom para relaxar.
Unblessed - Chapter VI “Destroyed room”
“Eu…” - Fabian abriu a boca, mas não saiu som nenhum. Ele olhou para seu braço e Nekala o acompanhou.
Ela percebeu que estava segurando o braço de Fabian.
“Desculpe” - Soltou, e viu que seus dedos deixaram marcas vermelhas. - “Por que fugiu, Fabian? Estava me observando?”
Ele abriu a boca novamente, mas quando tentou falar algo, se virou e correu para longe de Nekala.
Ela passou a mão pelos cabelos e respirou fundo, então foi para o dormitório.
Trombou com Jason no caminho, mas ele nem falou com ela. Estava correndo, apressado, para o prédio de administração e carregava um manto marrom na mão. Aquilo lhe causou arrepios, mas Nekala ignorou. Deu um sorrisinho simpático par o Jason quando ele passou, mas ele não devolveu.
Os universitários já estavam se recolhendo para seus dormitórios, e Nekala estava fazendo o mesmo. Com o canto dos olhos, viu um homem de preto observando-a de longe.
Quando chegou no seu quarto, havia alguém revirando suas coisas.
“Você…” - Nekala parou no lugar, lembrando-se dos longos cabelos pretos da mulher que estava em seu dormitório mais cedo.
Ela se virou, surpresa. Então, a surpresa foi substituída por algo que Nekala não soube decifrar.
“Nekala” - Sorriu gentilmente. - “Eu queria te ver”
“Você é real?”
“Estou aqui, não estou?” - Disse, e vendo a expressão de Nekala, estendeu a mão. - “Vamos, toque”
Nekala deu um passo para trás.
“Não precisa ter medo, Nekala. Não vou te machucar”
“O que você quer comigo? Quem é você e como se chama?”
“Sou Katherine” - Sorriu gentilmente.
“Katherine, o que você quis dizer com ‘ela virá aqui e você não quer que ela venha’?”
O sorriso de Katherine murchou.
“Aquela não era eu. Era minha irmã gêmea, Kathryn” - Disse. - “Ela planeja coisas muito ruins, querida. Não quer que confie em mim, pois sabe que vou tentar te proteger”
“Quem é você, Katherine?”
“Ela matou 19 outras garotas, tentando fazer o mesmo que vai tentar fazer com você. Eu quero te proteger dela, então não confie nela, Nekala”
“QUEM É VOCÊ?”
“Não grite. Só você pode me ver e ouvir, vão achar que você é louca”
“Me responda” - Nekala disse entredentes.
Katherine suspirou.
“Sou Katherine Houston, sucessora do trono dos Houston… mas fui assassinada. Você não deve conhecer os Houston, foram muito… pobres em sua dinastia”
Nekala examinou Katherine. As semelhanças entre ela e sua irmã Kathryn eram muitas, Nekala não saberia diferenciar. Exceto pelo vestido. O vestido de Kathryn era bege, e o de Katherine era vinho.
Correndo os olhos pelo vestido, ela percebeu, assustada, que havia uma grande mancha de sangue no coração.
“Quem te matou?” - Nekala perguntou, mas no momento em que Katherine ia responder, a porta se abriu.
“Com quem estava falando?” - Era Rebeca.
Katherine virou-se para Nekala.
“Lembre-se: não confie em ninguém” - Katherine sumiu com um sorriso.
Nekala olhou em volta, querendo gritar. Engoliu o grito ao olhar para Rebeca. Não confie em ninguém., a frase soou em sua cabeça como um mantra.
“Ninguém” - Respondeu e foi para a cama. - “Se importa em apagar a luz?”
“Não.” - Rebeca respondeu e a luz foi apagada.
Nekala fechou os olhos.
***
Nekala acordou com o barulho de algo quebrando. Quando abriu os olhos, viu Rebeca ajoelhada sobre algo. Ela coçou os olhos e jogou os cabelos para trás.
“O que quebrou?” - Perguntou, mas Rebeca a ignorou. - “Rebeca” - Chamou.
Ela olhou para Nekala com um olhar que ela não soube decifrar. Nekala nunca foi boa com expressões faciais.
“Diga-me, Nekala Hawthorne, você entende de história?” - Perguntou, cruzando os braços.
“Mais ou menos”
Rebeca apontou para o que havia quebrado.
“Então sabe o que acontece com aqueles que desobedecem Sua Majestade?”
Antes que Nekala pudesse abrir a boca e responder, Rebeca levantou a mão.
“Não fale. Você não é capaz de compreender”
Uma onda de raiva atravessou seu corpo, e Nekala não foi capaz de segurar a própria língua.
“O que eu fiz para você me odiar tanto, Rebeca?” - Gritou, jogando o cobertor pro lado.
Rebeca foi em direção a porta e a abriu, e por um segundo, Nekala pensou que Rebeca fosse manda-la sair do quarto, e isso faria a garota xingar Rebeca de todos os nomes possíveis. Mas não. Ao invés disso, Rebeca saiu do quarto.
Antes de a porta ser fechada, Nekala ouviu Rebeca dizer algo.
“Você não fez nada”
Então você distribui ódio gratuito., pensou enquanto prendia seu cabelo e ia tomar banho.
***
As primeiras aulas de Nekala foram um tanto quanto exóticas.
A srta. Gonzálves, uma mexicana com sotaque carregado, fez os alunos tirarem fotos do que achavam importante, e ela julgou cada um de um jeito excêntrico. Nekala se identificou com a dinâmica da srta. Gonzálves, e achou que as aulas de Princípio da Fotografia seriam divertidas.
A professora de Artes Visuais trouxe uma cobra, e pediu que os alunos pintassem ou fotografassem ou esculpissem ou desenhassem a cobra, que interagissem com ela. Pediu até, para os mais corajosos, que segurassem a cobra e a nomeassem.
Ariel foi a primeira a se voluntariar. Pegou a cobra de um jeito totalmente errado, nomeou-a de Storm e acariciou sua cabeça. A professora contestou e tentou mostrar a Ariel o jeito certo de segurar Storm, mas para a surpresa de todos, a cobra pareceu gostar de Ariel. Então ela passou Storm para Nekala, e a cobra pareceu simpatizar muito mais com Nekala.
A professora explicou que isso era raro, pois cobras são animais insensíveis e perigosos, e que ela estava impressionada. Parecia que Storm havia criado um laço com Nekala e Ariel.
Nekala fotografou Storm, capturando-a perfeitamente, num ângulo em que a luz fazia a cobra parecer realmente uma tempestade, realçando o cinza e verde de sua pele.
Porém, Ariel passou mal e foi obrigada a retirar-se da sala. Nekala anotou mentalmente que deveria visitar sua amiga durante o intervalo.
E então chegou a aula prática de Fotografia, onde ela entregaria suas duas fotografias.
A Srta. Morgy pegou a foto de Nekala por último, e Nekala já temia pela crítica, já que a professora havia criticado negativamente todos os alunos. Alguns até choraram. Em sua opinião, uma professora não devia pegar tão pesado logo no segundo dia de aula.
Então, quando a Srta. Morgy não fez expressão nenhuma, Nekala continuou prendendo a respiração.
“Chama isso de quê?” – Perguntou a professora, apontando para os quadros de Ariel.
“Quadros.” – Nekala tossiu. – “Da minha amiga”
“Ela tem conhecimento destas fotos?”
“Sim. Ela permitiu.”
A srta. Morgy analisou as duas fotos e as jogou em cima da mesa de Nekala.
“Não vai falar nada?” – Nekala questionou, ganhando um olhar fulminante da professora.
Se ela pudesse dizer tudo o que diria... Seria demitida.
“Não.”
Nekala teve vontade de deixar a sala após enfiar suas fotografias na garganta da Srta. Morgy, no entanto, ela permaneceu em seu lugar procurando defeitos em suas fotografias. Sua mente girava, martelando na mesma tecla de que “ela havia falhado”, “as fotos saíram imperfeitas”.
Não achou nada, e ficou questionando o que a Srta. Morgy havia visto para que não dissesse nada. A principio, pensou que a tal Kathryn havia voltado a aparecer na fotografia, mas realmente não havia nada.
Nekala acabou não prestando atenção no restante da aula, e só foi desperta de seus pensamentos quando o sinal tocou. Era a última aula do dia, então ela resolveu visitar Ariel. Mas, antes de sair da sala, parou na mesa da Srta. Morgy.
Ela nem levantou os olhos para Nekala.
“O que você quer?”
Nekala respirou fundo.
“O que você tem a dizer sobre minhas fotos?” – Ela perguntou, mas a professora não respondeu. – “Você é a professora aqui, preciso de suas críticas para melhorar meu desempenho” – Tentou novamente, soando como uma aluna que precisava de guia para fotografar perfeitamente. Não que Nekala fosse perfeita, mas ela era boa no que fazia.
“Tem certeza?” – Srta. Morgy perguntou depois de um longo tempo, levantando-se.
Nekala assentiu com a cabeça.
A professora respirou fundo.
“Você realmente chama isso de fotografia? De uma boa paisagem?” – Perguntou. – “Faltou luz, ângulos e criatividade... Se você realmente acha que isso é seu máximo e o seu talento, não volte mais” – Disse, e depois lançou um sorriso para Nekala. – “Satisfeita?”
Nekala deixou a sala sem responder.
***
A porta do quarto de Ariel estava entreaberta, e de lá saía um som estranho. Como uma música, mas era apenas um chiado ritmado. Nekala sentia que havia alguma coisa estranha no ar.
Pela fresta da porta ela podia ver vidro quebrado, tintas jogadas e móveis revirados.
“O que aconteceu?” – Nekala perguntou, adentrando o quarto. – “Ariel, o que...” – Se interrompeu ao ver Ariel deitada no chão, convulsionando.
Nekala correu até Ariel, deitando seu corpo de lado e protegendo sua cabeça. Ela esperaria até passar, enxugando a baba que escorria da boca de Ariel com a blusa que estava jogada no chão.
Olhando em volta, Nekala percebeu que o quarto estava todo destruído. As pinturas estavam rasgadas, as tintas espalhadas e jogadas contra a parede. A estante que continha as tintas e pincéis de Ariel estava no chão, e uma cadeira quebrada em cima dela. Os cacos da TV estavam no chão, espalhados.
“O que aconteceu aqui, Ariel?” – Nekala perguntou, baixinho, sabendo que não haveria resposta.
Parecia que alguém havia atacado Ariel. Alguém que a odiava, ou um assaltante que se infiltrara na Wemgan.
Será que ela tem problemas de saúde?, Nekala se perguntou.
“As convulsões não estão passando” – Praguejou, pegando seu telefone.
Ela ligou para a primeira pessoa que veio à sua cabeça.
“Travis, preciso de ajuda”
“O que houve?” – Travis perguntou, parecendo preocupado. – “Você está bem?”
“Eu sim, mas a Ariel não” – Falou. – “Entrei no quarto e ela estava convulsionando. O quarto estava todo destruído. E as convulsões não pararam”
“Estou indo aí, com uma enfermeira.”
***
Nekala se levantou ao ver Travis indo em sua direção.
“Ela está bem.” – Disse. – “Provavelmente ela foi atacada, e quando se recuperar fará um boletim. Isso é, se ela realmente foi atacada. Esperaremos ela acordar para perguntar.”
Quando Travis chegou com uma enfermeira no quarto de Ariel, ele ajudou Nekala a levá-la para a enfermaria, com a enfermeira supervisionando e orientando-os. O reitor fora avisado; fariam uma revista completa no quarto de Ariel, e ela dormiria com algum aluno da preferência e confiança dela.
“Que bom.” – Respondeu Nekala. – “Por que ela estava convulsionando? Ela tem epilepsia ou algo assim?”
“Não. Deve ter caído e batido a cabeça.” – Travis respondeu. – “Vou te levar para um café. Você está meio abalada”
Nekala não recusou. Travis passou o braço ao redor de seu ombro e a empurrou para fora da enfermaria.
“Vi minha amiga convulsionando.” – Nekala disse.
“Estou acostumado” – Travis respondeu, como se não fosse nada demais. Nekala o olhou, fazendo a pergunta com os olhos. – “Quando Ariel exagera nas drogas... Ou tenta se matar. As vezes eu precisei enfiar os dedos na garganta dela para ela cuspir os comprimidos. Sempre sou eu que estou com ela nessas horas. Ela é minha melhor amiga.”
“Vocês já...”
“Ficaram?” – Travis completou. – “Não. Eu a conheço desde meus 7 anos, ela é como uma irmã mais nova para mim.”
“Ela é suicida?” – Perguntou, com uma estranha sensação.
“Ela passou por muita coisa, Neka. Não a culpo. Mas não acho que se matar seja a solução para os problemas.” – Travis respondeu, e puxou a cadeira para Nekala. Só aí que ela percebeu que haviam chegado na cafeteria. – “O que você vai querer?”
“Capuccino de chocolate.” – Respondeu, com um leve sorriso.
O sorriso foi retribuído.
“Já volto.”
Travis foi fazer o pedido, e Nekala ficou sentada.
Ela tinha uma sensação enorme de que estava tudo errado. Como alguém faria algo assim com Ariel, uma pessoa tão carismática, simpática e gentil? Nekala tinha a impressão de que Ariel não tinha inimigos, que era muito amada e querida em todos os lugares que frequentava. Ela era tão... ela mesma. Irradiava felicidade e energia, conseguia contaminar com energias positivas os lugares que tinham energias negativas. Ariel era poderosa, à sua maneira. Por que fariam isso com ela?
Isso lhe deu uma enorme sensação de medo. Não por ela, mas por Ariel.
E então pensou em Travis.
O jeito como ele havia sido protetor com Ariel, cuidando dela desde que se conheceram... Ela queria ter alguém que se importasse tanto assim com ela.
“Aqui está.” – Travis colocou o capuccino na mesa, em frente a Nekala.
Ela agradeceu, mas não disse nada.
“O que houve? Ainda está abalada?” – Ele perguntou, se aproximando.
“Não, é que eu só...” – Ela hesitou um pouco. – “Eu só queria alguém que se importasse comigo o quanto você se importa com Ariel”
Travis não respondeu, lançando-lhe um olhar que dizia para continuar.
Nekala começou a contar de sua vida. Sobre sua mãe que sempre estivera ocupada com seu trabalho de psiquiatra no hospital, mas como elas moravam numa cidade pobre e esquecida, então mesmo exercendo medicina, não ganhava muito. Seu pai a abandonara quando ela tinha 2 anos, não mandava notícias, muito menos a pensão que o juiz havia exigido quando a mãe de Nekala recorreu à justiça; o irmão de Nekala fora pego com drogas pela polícia, e eles o espancaram até a morte. A irmã de Nekala estava presa, mas Nekala tinha uma impressão que ela havia fugido da prisão; ela sempre foi muito inteligente.
A sra. Hawthorn culpava Nekala, que era a mais nova, por tudo de ruim em suas vidas. Mas quando ela estava de bom humor, era muito próxima de Nekala, então ela podia perceber que ela só falava as coisas na hora da raiva. Porém, ela não conhecia Nekala. Não sabia os gostos de Nekala, não saberia dizer quando ela estava depressiva. Sempre exigira muito. Mas era pro bem dela.
Travis jogou sua mão pela mesa e alcançou a de Nekala, repentinamente.
“Não se preocupe.” – Ele disse apenas isso, e sorriu, passando a outra mão pelo rosto de Nekala.
Ela sorriu.
“Terminou?” – Apontando para o capuccino. Nekala assentiu. – “Posso te levar até seu dormitório?”
“Pode”
Os dois caminharam em silêncio pelo campus, Nekala absorta em seus pensamentos e Travis a observava.
Quando chegaram no dormitório de Nekala, ele a encostou na porta.
“Está tudo bem mesmo?”
Nekala assentiu e apoiou-se na maçaneta. A porta se abriu, e se Travis não tivesse segurado-a, ela teria caído no chão.
“Desculpe, achei que a porta estava trancada...”
Ele a virou para olhar o quarto.
“O que infernos aconteceu aqui?” – Ela se perguntou, olhando para seu quarto todo destruído.
Unblessed - Chapter V “The black-hair woman”
A mulher se lançou contra Nekala, tapando sua boca.
“Pare de gritar!” - Disse, segurando a garota que se debatia. - “Por favor Nekala!”
Nekala mordeu a mão da mulher e se desvencilhou dos braços dela.
“Como você sabe o meu nome? Quem é você? Por que você apareceu de repente? Rebeca e eu estávamos aqui, como…?”
Essa vadia estava aqui?, K.Y. pensou.
“Acalme-se, Nekala”
“RESPONDA”
K.Y. balançou a cabeça e usou a janela como apoio para seu corpo.
Nekala estava assustada. Como ela não havia visto essa mulher? Como Rebeca não havia visto?
“Quem é você?”
“Ela está observando, Nekala, e saberá se eu fizer algo errado. Ela virá logo e, confie em mim, você quer que ela venha”
“Ela quem?”
“Você não está segura aqui. Precisa ir embora agora. Para fora do país, para outro continente, ela pode te alcançar pela Europa toda.”
“ME RESPONDA QUEM É VOCÊ!”
Nekala piscou com força, e quando abriu os olhos, ela havia sumido.
“Que merda…”
Ela se jogou na cama.
Estou louca?, ela pensou, obcecada pelos ideais da fotografia e acabo vendo coisas? Como… aquela foto minha e… ouvindo coisas também.
Não, não estou louca.
Com certeza havia algo errado ali, mas Nekala não queria saber o que era. Ela queria apenas continuar seu curso, não queria se envolver em assuntos que não poderia compreender.
Ela se levantou e foi até a foto do pôr-do-sol, agora no chão.
“Até que foi uma bela foto” - Disse, contemplando-a.
Nekala passou a mão em seu bolso e pegou a foto dos quadros de Ariel. Pegou a foto do pôr-do-sol e colocou as duas lado a lado, decidindo qual das fotos apresentaria.
No momento essa seria a única preocupação de Nekala.
***
“Não vou conseguir!” - F. entrou na sala de K., ofegando.
K. mal olhou para ele.
“Sua voz está diferente” - K. comentou, ignorando o comentário anterior de F.
Ele baixou o capuz, e K. percebeu surpresa que F. era uma mulher.
“Esqueceu-se de nossas regras, senhorita?” - K. perguntou e F. negou com a cabeça.
“Nunca tire o capuz” - F. disse, levantando novamente o seu.
“Como conseguiu fingir por tanto tempo?” - Riu. - “Embora sempre achei que fosse gay”
“Somos dois F., Majestade. Eu e meu irmão. Minha Rainha nunca notaria.”
“Então quem se comprometeu comigo?”
“Nós dois, Majestade.”
K. a ignorou.
“Majestade, não vou conseguir”
“Não vai conseguir o quê, exatamente?” - K. tentava controlar o impulso de derrubar aquela garota no chão e torcer seu pescoço.
“Ela é muito bonita, Majestade. E intimidadora também”
“Levarei isso como um elogio, obrigada”
“Por favor, Majestade”
K. levantou-se de supetão e lançou um olhar de ódio para F.
“Você acabou de violar uma regra, quer violar outra? Ou melhor, quer violar seu juramento? Você ao menos se lembra dele?” - Disparou, a língua e o olhar afiados como sempre.
F. se encolheu.
“Nunca a trairei, ó Minha Rainha, ou pagarei com a vida. Servir-te-hei por toda a eternidade…” - F. não completou.
“... Ou morrerei tentando” - K. completou o juramento como se fosse um mantra, uma canção que há muito tempo ouvira e decorara. . - “Ou você faz, ou você morre. De novo”
A risada de K. foi como um tapa na cara de F. Como ela se atrevia a rir dessa desgraça? Da morte de F.?
Ela se perguntava como conseguira se apaixonar por tal monstro, mas não negava o amor que sentia por K.
“Sinto muito, Minha Rainha”
“Não sente não, apenas sente medo de morrer” - Disse K. Por um instante, ela parecia vulnerável. Parecia chateada por F. não “sentir muito” realmente, parecia quase humana. Mas a impressão sumiu tão rápido quanto veio. - “Retire-se, tenho mais o que fazer. E nunca, jamais, pense em me trair.”
F. engoliu em seco e saiu.
Três minutos depois, K. se levantou.
Ela caminhou pelos corredores da Wemgan, percorrendo o caminho perfeitamente familiar das masmorras, onde sua irmãzinha se encontrava.
Levava consigo um copo pequeno de café, apenas para agrada-la. Mas fantasmas não bebem café.
“Querida Kath” - Disse K. num afeto fingido quando adentrou a cela de K.Y.
K.Y. não respondeu. Nem se deu ao trabalho de olhar para K. Mordeu os lábios de raiva. Como ela podia fazer essas coisas com a própria irmã, sem nem sentir remorso?
“Oh, querida” - K. se ajoelhou, como se tivesse lido os pensamentos de K.Y. - “Deus sabe o quanto me dói fazer isso com você”
“Não fale em algo que você não acredita! Você só acredita em si mesma” - K.Y. rebateu. K. não se abalou.
“Se você fosse mais obediente… e inteligente, você não estaria aqui. Eu não precisaria fazer tudo isso”
“Mas você faz só por diversão”
“Tem razão. Não me dói nada fazer isso com você, nem um milímetro do meu ser se arrepende” - Ela se levantou e pegou no queixo de K.Y. com força, as unhas fazendo pequenos cortes na bochecha dela. - “Não aprendeu, Kathryn, após todos esses séculos, que não se deve me desobedecer?”
“Vou salvá-la, Katherine. Vou salvá-la de você” - Kathryn disse entredentes.
Katherine soltou o rosto da irmã e se virou.
“Morra tentando”
Houve um barulho. Pareciam correntes tentando se soltar da parede.
“Ela é especial, Katherine!” - Kathryn gritou.
“Como todas as outras 19 eram, querida. E elas acabaram mortas, graças a sua intervenção.”
“Dessa vez é diferente. Você pode sentir daqui o poder que irradia dela. A aura dela é muito poderosa, você não vai toma-la facilmente”
“Que seja” - Katherine deixou a cela de Kathryn.
Ela estava cansada. Cansada da intervenção da irmã em todos os seus planos, e o único arrependimento que tinha era ter incluído Kathryn em seus planos. Ela estragaria tudo mais uma vez e Katherine iria ter que esperar mais uma década e meia para sua próxima Herdeira vir ao mundo, e mais 18 anos para tomá-la. Bom, esse era o tempo previsto, mas claro que algumas vieram mais cedo, se não ela não teria alcançado 19 garotas.
Dessa vez, ela iria conseguir. Iria usufruir de todos os seus recursos, mas Nekala Hawthorn seria dela.
Kathryn estava perdendo as esperanças.
Como ela poderia salvar Nekala, se todos os seus esforços sempre acabavam com Kathryn machucada em sua cela?
O que ela poderia fazer para evitar o destino terrível da garota?
Ou será que deveria desistir?
Não. Não desistiria.
Mas Katherine não tiraria mais Kathryn da cela. Ela tinha que dar um jeito de sair de lá e proteger a garota.
“Você é a Nekala, né?” - A garota que estava com Travis no refeitório parou na frente de Nekala.
Já havia anoitecido, deveria ser umas 8:30 da noite, e Nekala estava no pátio, sentada num banquinho que permitia uma vista incrível dos campos atrás da Wemgan. Mas ela não estava se concentrando na vista, ela se concentrava na foto do pôr-do-sol e o que aconteceu em seu quarto, com a garota do quadro.
“Sim, eu sou” - Nekala respondeu simplesmente. Não se recordava do nome da garota.
“Eu não sei o que aconteceu entre você e Travis, mas que fique bem claro…”
“Não aconteceu nada. Não quero Travis”
“Quer sim. Todas querem Travis.” - Lucy respondeu. - “Olha só para você. Tão sem sal. Tão feia e desproporcional. Olhe esses seios, essas pernas gordas…”
“Isso se chama excesso de academia e ter corpo, querida. Não ser um palito.” - Disse, virando-se para olhar para Lucy. - “Tenho mais coisas a me preocupar do que com Travis, nem conheço ele. Você pode me dar licença, por favor?”
“Você vai me…” - Lucy não completou a frase. Seu rosto se abriu em um sorriso, e Nekala percebeu que ela olhava para sua direita, de onde vinha alguém.
“Neka, Lucy, algum problema?” - Nekala ouviu a voz de Travis.
Era rouca, mas não era muito grave. Era linda a voz de Travis, e lhe causou arrepios.
“Estamos com algum problema, Lucy?” - Perguntou Nekala, mas foi ignorada.
“Travis, docinho, eu estava apenas…”
“Me insultando?” - Nekala completou e ganhou um olhar feio de Lucy como resposta.
“... Conversando com Nekala”
“OK, você pode me dar licença, Lucy? Tenho algo a falar com Nekala”
Nekala quase sorriu ao ver o olhar de raiva e constrangimento que atravessou o rosto dela.
Lucy se aproximou de Travis e deu um beijo longo em sua boca, segurando seus punhos com força enquanto ele tentava se desviar.
Quando ela foi embora, Nekala revirou os olhos.
“Nenhuma mulher de respeito beija um homem a força” - Ela suspirou, voltando sua atenção para a foto.
“Mas homens beijam mulheres a força, eles podem” - Travis riu.
“Só no seu mundo” - Nekala respondeu. - “O que você queria falar comigo?”
“Nada, mas eu vi que a Lucy estava te incomodando” - Ele sorriu e Nekala revirou os olhos. - “O que foi, Neka?”
“Não preciso de um protetor”
“Não fiz isso pra te proteger” - Respondeu, olhando para os campos. - “Mas sei que Lucy pode muito bem incomodar alguém quando quer”
“Certo, desculpe” - Ela suspirou, sem dar muita atenção. Ao notar o olhar de Travis sobre ela, percebeu que não tinha como escapar da conversa, e não queria ser grossa e mandá-lo embora como fez com Lucy, ela simplesmente… não podia fazer isso. Então, guardou a foto no bolso e cruzou as pernas, inclinando-se para frente. - “OK. Qual é a da Lucy com você?”
Ele deu um meio sorriso, sentando-se ao lado dela.
“Lucy e eu namorávamos quando saímos do colégio e viemos para cá. Não queríamos nos separar. Com o tempo, percebi como Lucy era: todas as garotas que se aproximavam de mim eram sem sal, falsas, ridículas, etc. E ela sempre ia incomodar as garotas. Ela já incomodou a Rebeca, mas a Rebeca revidou.” - Ele riu. - “Ela começou a me fazer sentir sufocado, então eu terminava mesmo gostando dela, e ela nunca aceitou”
“Mas com o tempo o sentimento morre com tanto sufoco…” - Nekala disse, olhando para ele.
“Sim. E então terminei com ela definitivamente ontem, e ela acha que é sua culpa.” - Travis terminou, mas viu Nekala um pouco distante. - “Neka, você tá preocupada com alguma coisa. O que foi?”
Nekala olhou para ele.
Se contasse, provavelmente seria chamada de louca, ele riria da cara dela e a deixaria ali, e embora ela quisesse ficar sozinha, ao mesmo tempo não queria.
Então, resolveu mentir.
“Com a aula prática de Fotografia” - Falou, tirando a foto do pôr-do-sol do bolso. - “Não sei se está boa o suficiente”
Travis tirou a foto da mão dela delicadamente e observou-a, prestando atenção aos mínimos detalhes.
“Nekala, seu talento é incrível” - Ele disse. - “Não entendo de fotografia, mas sei que você capturou um lindo momento”
“Que gay” - Ela tirou a foto dele e a guardou.
“Preconceituosa” - Travis passou a mão no cabelo e mandou um beijinho para ela.
Nekala revirou os olhos e olhou para a frente, dando de cara com Rebeca.
Rebeca lançou um sorrisinho maldoso para Nekala e virou-se para Travis, tomando ele pela mão.
“Desculpe, flor, mas tenho um assunto urgente para resolver com Travis” - Ela disse e arrastou Travis consigo.
Nekala se levantou e guardou a foto no bolso. Resolveu que iria para o dormitório descansar.
Mas e se a mulher estiver lá?, perguntou-se.
Não, é improvável. Com certeza eu que imaginei ela.
De qualquer forma, Nekala tinha ficado curiosa com o que ela havia dito. “Ela virá atrás de você, e você não quer que ela venha.”, essa frase ficou martelando em sua cabeça. Ela quem? Que perigo que Nekala estava correndo?
Ela pensou em procura-la, chamá-la várias vezes em algum lugar vazio ou em seu próprio dormitório, mas logo desistiu dessa ideia. Não iria se envolver nisso, mesmo que a garota fosse real - e Nekala tinha certeza que não era. Se fosse, seria apenas um… fantasma? Uma assombração? Como seria possível a garota do quadro “A Família Real” estivesse em seu dormitório?
Se bem que, quando Nekala passou em frente àquele quadro e examinou a garota que era exatamente parecida com ela, percebeu que haviam diferenças entre a mulher que estava em seu dormitório e a garota do quadro. O olhar da tal garota era mais maldoso, e a expressão era esnobe. A mulher parecia ser simples, bondosa e gentil. Quem seria ela? O que seria ela?
Nekala não sabia e, embora sua curiosidade fosse grande, tinha certeza de que se procurasse saber, haveriam consequências, e ela não queria ter de lidar com isso.
Ela estava parada na lanchonete, compra do um lanche quando olhou para o lado e viu, ao longe, Fabian a observando.
Nekala levantou para acenar, mas a reação dele deixou Nekala surpresa.
O rosto de Fabian ficou branco, o medo cruzou sua face e ele se virou e correu.
Nekala não pensou no que fazer. Ela pegou seu lanche e foi atrás dele.
Ela conseguia ver a camiseta azul clara dele se misturando num mar de universitários góticos, geeks, CDF’s, líderes de torcida e jogadores de futebol. Enquanto corria, mordia seu lanche.
Posso até passar mal por correr comendo, mas de fome eu não morro., ela pensou consigo e riu. Foi o suficiente para perder Fabian de vista.
“Ele foi em direção ao prédio da administração” - Uma voz sussurrou em seu ouvido, e Nekala viu pelo canto do olho a mulher que estava em seu dormitório.
Nekala se virou, mas ela havia sumido.
“Apresse-se” - A voz disse novamente, e ela correu em direção ao prédio da administração.
Nekala queria saber o porquê da reação de Fabian. Alguém que ele tinha medo estava atrás dela? Ou ele estava a observando e não queria que ela soubesse?
Fosse qual fosse o motivo, Nekala queria saber. Não havia motivos para Fabian ter fugido dela, visto que Nekala havia tentado ser simpática com ele na noite anterior. Mas ele estava afastado do grupo… entretanto, Travis o apresentou, então ele deveria fazer parte.
Ele estava tão distante…Estava drogado?, pensou. Como Ariel?
“Fabian” - Nekala disse quando o alcançou. - “Por que está fugindo?”
Ele se virou, ofegando.
“Eu…”