Algumas coisas eu realmente gostaria de sentir. Mas sobre algumas coisas eu não sinto nada, não consigo sentir absolutamente nada. Nada. É estranho sabe, porque as pessoas me questionam sobre as profundezas do barulho do meu nada. Mas eu não escuto os barulhos que eles dizem, o meu nada, é nada. De vazio mesmo. Como o vazio de um saco preto que a gente joga o lixo e o caminhão leva embora. A gente não consegue encontrar o que foi parar dentro do saco nunca mais, porque era lixo, e a gente só usou o espaço (do nada) daquele saco para jogar fora e descartar. Eu faço isso na vida. O meu nada é um saco de lixo preto, e quando eu jogo algo fora não me importo em saber onde está. O meu nada é um descarte realizado e fim. Talvez isso responda sobre os barulhos que fui questionada. Não vejo necessidade de dramas sobre os meus nadas. Porque eu realmente não sinto. Eu não sinto nada sobre algumas coisas. E nem mesmo a pressão social, sobre algumas respostas, me faz sentir alguma coisa quando eu não sinto nada. Sobre algumas coisas, eu não sinto nada.
- Eu, Andressa Melo"










