Mulher
Ela não parou quando o pai dela falou que ela não devia agir daquela maneira, ou quando ele impôs limites quando ela tinha apenas 12 anos, “seja uma boa garota”, “cruze as pernas”, “namorar só depois dos 18”, “seja igual sua mãe”. Ela não parou quando sangue desceu por suas pernas e sujaram o colchão de sua casa, ela sabia que aquilo era a mesma coisa que corria nas veias de qualquer um, e afinal de contas vermelho sempre foi sua cor favorita. Ela não parou quando os amigos da escola começaram a falar que sua bunda estava maior ou quando os mesmos abraçavam-a só para sentir o tamanho dos seus seios, ela era inocente e humana demais para pensar que eles fariam esse tipo de coisa. Ela não parou quando o primeiro namorado escondido dela, encheu a cabeça dela de baboseiras, dizendo que ela já tinha 16 e que todo mundo fazia aquele tipo de coisa. Ela não parou quando toda a escola aplaudiu ela por suas notas boas ou por sua gentileza, amor e carinho com os outros alunos. Ela não parou quando entrou na faculdade e os amigos queriam favores sexuais em troca da explicação da matéria, ela não aceitava isso, ela acreditava em si, mesmo que tivesse que ficar sozinha. Ela não parou quando enjoou no meio de uma aula, quando desmaiou em casa e ninguém viu, quando ficou com a boca salivando ao ver uma manga, desejo? Ou um erro?. Ela não parou quando segurou aquele teste de gravidez na sua mão direita e mais nove na sua esquerda implorando para dar negativo: os dez deram positivos. Ela não parou quando deitou na grama fria do parque, em uma tarde qualquer de fevereiro e descobriu que estava grávida, ela sabia que sentiria naquele momento o peso do mundo em suas costas, as lágrimas de sua mãe, as palavras de seu pai e os desgostos dos seus irmãos, ela tinha pesadelos, ela estava com medo. Ela não parou quando o namorado ficou zangado por ela não ter tomado a pílula do dia seguinte, por ela não ter usado camisinha ou por ela querer a criança que estava em seu ventre. Ela não parou quando os pais aceitaram a criança, mas não o pai da própria criança. Ela não parou quando o pai da sua criança atingiu seu rosto com a própria mão, só para se sentir superior, só para rebaixar ela ao nível do nada. Ela não parou quando a criança nasceu, quando a criança andou, quando a criança se tornou um menino forte e o grande responsável por mostrar para a ela que nem todos os homens são iguais. Ela não parou quando trabalhou em dois empregos, quando pagou suas próprias contas, quando criou seu filho como mãe solteira. E sabe por que? Porque desde quando era uma pequena menina, ela já sabia que em si habitava uma grande mulher. Porque o mundo não se divide em esteriótipos de Eva e Maria, Puta e Santa, Mulher da rua e Mulher de casa. Porque toda mulher luta a vida inteira e não existe adjetivo forte para isso, pois o simples fato de ser mulher já traz esse mesmo significado: Mulheres sinônimo de força. Porque desde o momento em que mundo sabe que nascerá uma mulher, uma força superior já chega e comanda todas as garotas do mundo, invadindo o espírito de cada uma. Ela não parou quando todas as circunstâncias queriam que ela parasse, quando o mundo gritava para ela parar, você não pode parar qualquer garota, e deve aprender isso o quanto antes, e sabe o porquê? Porque no fundo de qualquer pessoa: meninos, garotos, homens há uma grande mulher. Afinal elas são a força, elas são a energia, elas são a resposta.
Por: Surreal Subversivo.
















