Esculachar mulher é fácil, eu quero ver é ser cavalheiro.
R. Santos
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R. Santos

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A cada decepção amorosa eu lia um livro, principalmente os clássicos românticos. Hoje eu vivo a querer não menos aquilo que leio e desejo. Com isto, percebi que isso tem me deixado inteligente demais para vários tipos de homens, o que faz com que eu perca o interesse na primeira conversa, ainda mais quando me deparo com a superioridade frágil e tóxica masculina.
Mulheres inteligentes, relações saudáveis
Mulheres inteligentes, relações saudáveis
Um livro para mulheres que buscam se entender e homens que desejam compreender melhor as mulheres.
Toda mulher, por meio de um processo de auto-identificação e de uma reflexão ponderada, é capaz de se transformar, deixando a culpa e a autopunição de lado e recuperando a autoestima e a saúde emocional. Abordando os mais diferentes tipos de mulheres e trazendo o lado positivo e negativo de cada…
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Era uma garota culta. Notoriamente culta. Poucos atrativos fĂsicos, mas um cĂ©rebro de causar inveja. Cursava o Ăşltimo ano de artes. Nas horas vagas, ouvia Pachelbel, lia Sartre, contemplava Dali, consumia Godard. NĂŁo simplesmente vivia. Estimulava-se. Exalava saber. Inspirava criação. Criava inspiração. E entre tanto inspirar, ele transpirava paixĂŁo. Ele, perdidamente apaixonado pela “Garota Saber” que sequer sabia de sua existĂŞncia. Como ela, ele tambĂ©m nĂŁo era dotado de atrativos fĂsicos. Diferentemente, era burro como uma porta. Mas o amor consegue ser destemidamente desbravador quando quer. Por isso, ele estudou tanto quanto pĂ´de todas as preferĂŞncias dela, seus gostos. Demasiada informação. Repetição. Associação. Recapitulação. Noites e noites em claro. Mas, ao menos, a recompensa lhe parecia perfeita e eterna. Num barzinho universitário, ela sozinha junto ao balcĂŁo. Ele respira fundo. Bem fundo. Aproxima-se, um andar cautelosamente calculado. Senta-se, ao lado, fingindo distração. Ele, apĂłs pedir a bebida, sem olhar para ela: – Esse ambiente Ă© um tanto quanto claustrofĂłbico. Remete-me a Misery. – Como? – Digo: esse bar. ClaustrofĂłbico. Misery. – Misery? – Ainda reposicionando-se ante a abordagem do “estranho”. – Uhum. Sir King. – Ah – um “ah” de quem compreende. Ă“timo. Ponto positivo. – SĂł faltava estar nevando – brinca, nova referĂŞncia ao livro. – É. – Desanimadoramente monossilábica. E entĂŁo faz silĂŞncio. Ele esperava um comentário convidativo, algo que fugisse Ă s interjeições desestimuladas. Nada bom. Mas o amor consegue ser tapadamente persistente quando quer. Por isso, ele espera uma “deixa”. A mĂşsica ambiente, algum jazz que ele nĂŁo conhece (o que nĂŁo Ă© de surpreender), termina, deixando uma aura de silĂŞncio onde sussurros podem ser ouvidos. Ele suspira profundamente. Arremata: – Play it again, Sam! Ela sorri. Outro ponto positivo. – TambĂ©m amo Casablanca – ela. – Assisti trĂŞs vezes. – TrĂŞs? – Essa semana. – Puxa! – Sabe como Ă©?!? Um fĂŁ inveterado de Humphrey Bogart. – Eu nem tanto. – E faz silĂŞncio. Ela discorda. Ponto negativo. E ainda por cima, o silĂŞncio. Ele precisa continuar o assunto que conseguiu arrancar-lhe um sorriso. Mas falar o quĂŞ? Nunca assistira Casablanca em toda sua vida. E nĂŁo conseguia se lembrar dos detalhes do filme que havia estudado, em alguma revista. Pouco importa. Continue. Continue. – Pobre Scarlett O´Hara – arrisca. – Como? – Ela ri. – Scarlett O´Hara em Casablanca? Excesso de informação. Dados cruzados. Reorganize. Reorganize. Scarlett O´Hara. Nunca mais sentirei fome em minha vida. “Minha Vida de Cachorro”? NĂŁo. Tente se lembrar das associações. Scarlett. Fome. Sem comida. Sem, porque alguĂ©m levou. Comida que o vento levou. Aham, Ă© isso!!! Pontos de suor aflorando na testa, apressando-se em ressalvar: – Refiro-me Ă sessĂŁo de logo mais. E o Vento Levou… quarta vez essa semana. SĂł de lembrar o que a pobre Scarlett vai passar, fico emocionado. – SĂ©rio? Costuma chorar nos filmes? – AtĂ© em Chaplin Marx. – Quem? Dados cruzados. Simplifique. Simplifique. – Hãã… Chaplin, o vagabundo. – Ah, sim. Ele tempera as piadas com emotividade. Consegue emostar as lágrimas. – Concordo. – Deixaria a palavra “emostar” para o prĂłximo encontro com o AurĂ©lio. – Mas nada que um pouco de Mercury Rev apĂłs nĂŁo resolva. – Hum… Boa pedida. Mas quer uma sugestĂŁo: prefira Smiths. É mais simbiĂ´ntico. SimbiĂ´ntico? BiĂ´ntico. BiĂ´nico. Olho biĂ´nico. EletrĂ´nica. – Sim, um som eletrĂ´nico Ă© uma Ăłtima sugestĂŁo. – Smiths, eletrĂ´nico? – Hãã… – Mais suor. Reorganize. Reorganize. Que inferno Ă© esse tal de Smiths? Seria Will Smith??? Arrisque. – É que o rap tem algo de eletrĂ´nico. – Rap?? The Smiths Ă© rock. – Rock? Sim. Foi o que eu disse. RAP. “Rock to Alternative People”. Um movimento musical ocorrido nos guetos londrinos, iniciado nos anos noventa. – Smiths nos anos noventa? – rindo. Anta. Por que nĂŁo colocou ponto final depois de “londrinos”? Agora se vira. – Hãã… bem… É que talvez vocĂŞ nĂŁo tenha ouvido a demo que lançaram na dĂ©cada de noventa, antes de estourarem nos anos dois mil. – Anos dois mil? – quase gargalhando. Ele pigarreia. Demasiadamente embaraçado. Quase entregue. Quase… Mas o amor consegue ser insensivelmente cara-de-pau quando quer. – Me desculpe. Estou um pouco confuso. Qualquer um ficaria apĂłs contemplar Rembrandt por duas horas seguidas. Surpresa: – VocĂŞ gosta de Rembrandt? NĂŁo acredito! Eu amo Rembrandt. Amo, amo, amo. Me diga: qual seu quadro preferido? Quadro preferido? E agora? Acesso ao banco de dados mental. Qual era o nome daquela coisa cheia de rabiscos? “La Gioconda”? NĂŁo. “Peloton”? NĂŁo, esse Ă© um disco do Delgados. “Sagrada FamĂlia”? Melhor nĂŁo arriscar. Cruzamento de informação. Miscelânea. Mistura indigesta. E agora? Ele, evasivo: – Prefiro aquela fase apĂłs ele cortar a prĂłpria orelha. – Mas quem cortou a orelha foi Van Gogh. – É… EntĂŁo… Pra ser bem sincero, estou começando agora a apreciar os pintores italianos. – Italiano? – Rindo de novo. – Rembrandt era holandĂŞs. – Era? Bem, isso era o que se acreditava no sĂ©culo 15… – Mas Rembrandt viveu no sĂ©culo 17. – CHEEEEEGA!!! – grita. Ele se levanta, furioso, e retira-se do bar sem dizer mais uma palavra sequer. Das aulas com a Garota Saber, aprendeu uma importante lição: mulheres inteligentes sĂŁo complicadas demais. E nessas horas, nem o amor..
Juliano Martinz
Para desenvolver estratégias o Eu precisa explorar e conhecer o seu próprio mundo. Ele precisa saber onde está e aonde quer chegar. Depois disso precisa estabelecer metas e em seguida fazer escolhas e, consequentemente, saber que todas as escolhas também envolvem perdas.
(Augusto Cury - Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis)

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Todo ser humano, mesmo os mais difĂceis, tem potencial para desenvolver as funções mais complexas da inteligĂŞncia: o pensamento abstrato, a resiliĂŞncia, a tolerância, a capacidade de pensar antes de reagir, de se colocar no lugar do outro, de expor e nĂŁo impor ideias, de proteger a emoção, de gerir os pensamentos. Mas entre ter esse potencial e desenvolvĂŞ-lo há um fosso enorme. Mas Ă© necessário coragem e disciplina para desenvolvĂŞ-lo. Desperte-o.
(Augusto Cury - Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis)
Espero que jamais se tornem radicais, inflexĂveis e pautem a interpretação dos eventos da vida apenas pelos ângulos da lĂłgica. Caso contrário, perderĂŁo a oportunidade de dar um choque de lucidez nas sociedades modernas.
(Augusto Cury - Mulheres inteligentes, relações saudáveis)
Brigar, gritar, impor ideias, nem de longe significa ter um Eu forte, mas, sim, frágil. Falar o que vem a mente, dizer sempre a verdade, nem sempre é a expressão de um Eu maduro, mas, sim, de quem não tem autocontrole. Um Eu forte e maduro aquieta sua ansiedade, protege quem ama, pede desculpas sem medo, aponta primeiro o dedo para si antes de falar dos erros do outro, repensa sua história, exige menos e se doa mais, não tem a necessidade neurótica de mudar quem está a seu redor, conhece, portanto, todas as letras do alfabeto do amor inteligente.
Augusto Cury (Mulheres Inteligentes, Relacionamentos saudáveis)