Desta vez olho pra porta do meu quarto, o que eu sempre faço quando acordo. O quarto do mesmo jeito que havia deixado antes de pegar no sono, exceto a porta. Havia uma fresta enorme em baixo, como se a porta fosse pequena para aquele enquadramento.
AlĂ, exatamente alĂ, naquela fresta, acima do chĂŁo, dois pĂ©s, como se alguĂ©m tivesse sido enforcado ou apenas flutuando.. O que eu sĂł conseguia ver eram aqueles pĂ©s balançando e a ponta de um machado vermelho, que por vez, parecia que jĂĄ havia sido usado antes, estava cheio de sangue.
Tudo o que eu ouvia era o silĂȘncio e no fundo uma risada completamente perturbadora. Parecia que ele estava esperando eu acordar.
⊠Começa a rir mais alto, algo não comum. Um diferente ruim.
Era muito convidativo, por mais desumano que fosse. Aceitei. Então se inicia uma partida. O jogo foi escolhido. E aquela risada perturbadora começa a ficar mais eufórica, como uma criança brincando de pique-pega. Ele desce e corre em direção a porta da frente, seguindo para a rua..
A Ășnica luz que passava pela minha janela, era da lua.. Logo que levanto, começa o jogo. Estava comigo! Começo a andar pela casa, as janelas todas abertas, era noite. A Ășnica luz que tocava meus pĂ©s era da lua.. Vendo suas costas, continuo seguindo, ele começa a ir mais rĂĄpido e aquela risada incontrolĂĄvel e completamente perturbadora ficava mais alta a cada passo meu. EntĂŁo ele corre em direção a porta a abre com um empurrĂŁo. Chega no pĂĄtio, estĂĄ dia. Nuvens no cĂ©u, como se fosse mais ou menos trĂȘs da tarde.Â
Era noite aqui dentro e dia lĂĄ fora.
 Ele estĂĄ lĂĄ, mas hĂĄ mais pessoas em sua volta, formando um circulo. Eu finalmente consigo ver sua face, mas nĂŁo consigo identificar, como se nĂŁo tivesse aparĂȘncia. Como se ele deixasse apenas eu ver seus olhos. Olhos verdes, como de gato, mas nĂŁo.Â
Parecia insaciĂĄvel. Me olhava com sede, como se eu fosse um copo cheio de ĂĄgua e que ele precisava bebĂȘ-lo antes que fosse tarde de mais.Â