Por Juliana Costta, analista de redes sociais, Sawré Muybu
Estou aqui há alguns dias já, aprendendo um pouco mais a cada contato com o povo Munduruku e todas as noites os Mundurukus jovens nos pintam com tinta de Jenipapo. Conversando com uma das jovens, ela me disse que o processo para a fazer a tinta é simples: ralar o Jenipapo e depois espremer para sair o líquido preto. Enquanto ela me contava esse processo, também me mostrava sua mão preta de espremer a fruta.
Para fazer o desenho é utilizado um talo bem fino de folha de palmeira, conforme a ponta do talo fica mole, ele é arrancado no dente e pintura segue seu ritmo. Cada desenho tem um significado, até agora sei reconhecer alguns: escama de peixe, Buriti, palheiro, onça das mulheres e por aí vai.
*A pintura que estou olhando é do Buriti e a pintura no punho é açaí.
São nesses pequenos momentos do dia a dia que penso na loucura que é o plano do governo de construir uma hidrelétrica aqui perto da Sawré Muybu. Se essa hidrelétrica for construída, esse povo será afetado e toda essa cultura milenar se perderá. Eu não posso deixar que isso aconteça e espero que você, assim como eu, se solidarize com a luta do povo Munduruku.
Assine a petição! Vamos juntos impedir a construção da hidrelétrica em São Luiz do Tapajós e exigir a demarcação da Terra Indígena Sawré Muybu