Nosso caso nĂŁo tem mais solução. Ă sempre assim: a gente discute, conversa, fala que vai terminar, sofre de saudade e volta. Porque a gente se gosta. E, sabe, Ă© exaustivo esse nosso gostar. E eu digo "nosso" porque eu sei que vocĂȘ sente muito por mim. NĂŁo sei o quĂȘ, necessariamente. Se Ă© amor, paixĂŁo, tesĂŁo, obsessĂŁo, carinho, afeto. Mas eu sei que sente. E, olha sĂł, eu tambĂ©m sinto. A gente Ă© diferente demais, meu Deus. Porque raios o raio foi cair justamente na nossa cabeça? Porque diabos a gente tinha que se apegar tanto? VocĂȘ quer ser um cara de negĂłcios, eu uma escritora de alguns leitores e uma xĂcara de cafĂ©. VocĂȘ quer uma festa enorme e eu uma reuniĂŁo no quintal de casa. VocĂȘ quer o mundo. Eu quero vocĂȘ. Nossas divergĂȘncias sĂŁo, de longe, a razĂŁo de estarmos nesse impasse. VocĂȘ Ă© impaciente, explodido, menino. Eu sou toda calma, toda compreensiva, mas toda detalhista e profunda. Eu acho que Ă© isso que prende a gente. A gente se sabe demais. A gente se vive, dia apĂłs dia. A gente espera que um dia dĂȘ certo de verdade, mesmo sabendo que nĂŁo vai acontecer. A gente tenta de todo jeito achar uma maneira de ficar junto, mesmo sabendo que nĂŁo hĂĄ mais esperanças pra nĂłs. NĂłs jĂĄ passamos do tempo, meu amor. NĂłs ultrapassamos o ponto final da histĂłria. NĂłs trocamos as vĂrgulas por interrogaçÔes que nĂŁo serĂŁo respondidas e pontos finais por reticĂȘncias que jamais serĂŁo sucedidas. Porque Ă© isso que somos. Eternidade. Agora pĂĄra de confusĂŁo e volta logo pra mim, porque esse perĂodo entre o "discute" e "sente saudade e volta" enlouquece.