“Are you really gonna leave without asking me the question you’ve been dying to ask me?”
Não costumava ignorar pessoas, especialmente os mais novos na cidade, mas tampouco costumava separá-los de brigas inúteis. Não queria pensar no que desencadeara aquele surto por parte da morena, sequer tinha a cabeça no momento para tal, então, quando fora interpelada após afastar os dois e dar o primeiro passo rumo ao seu trabalho como voluntária novamente, suspirou. Queria poder fingir que não a tinha escutado, que estava tudo bem e que a normalidade continuaria a perpassar Eufaula, ainda que não quisesse ficar no local por muito tempo. Adorava a cidade, gostava dos métodos provincianos, da comida e das pessoas, era meramente a pressão que lhe afligia mais do que o necessário. Somada à própria irritação e perfeccionismo, era a receita para o desastre. Surpreendia-lhe, e muito, o fato de ainda não ter jogado tudo para o ar e fugido para a casa da tia Heaven, em Nova York, onde não só ela lhe receberia, como Nate, Seth e mesmo seu marido, Paul. Holliday não ficaria feliz, seu pai, desolado e... Ela realmente não queria pensar na reação do restante de seus amigos. Negou levemente, certa de que deveria encerrar aquele contato o mais brevemente possível. Um breve olhar já a assegurara de que as amigas da mãe cochichavam ante a interação entre Daisy e Lilith, e ela sabia que não demoraria até que a mãe fosse comunicada do fato. Voltando os olhos para a outra, Daisy meramente respirou fundo, olhos em riste na direção dela antes que se arrependesse ------ não diria que a postura da outra lhe causava medo, mas talvez chegasse bem perto de um breve incômodo; ninguém em Eufaula a olhara daquela forma, e talvez o desconforto fosse devido a isso. Lidar bem com o diferente não era uma das qualidades do povo de Eufaula, e Daisy não se eximia daquela característica.
Comprimiu os lábios em uma linha fina, pendendo a cabeça para o lado a medida em que a analisava, ou tentava fazê-lo, para então pigarrear, olhando para o chão, para onde o bico da bota colidia com as pedrinhas da praça. “Talvez. São várias perguntas dentro de uma só, então não sei se valeria a pena gastar a oportunidade.” O sorriso fraco emoldurou o rosto, mas logo depois Daisy negou, soltando um suspiro, tão fraco quanto o sorriso. “Não é da minha alçada, de toda forma. Divirta-se em Eufaula, senhorita.” Assentiu uma única vez, dando uma leve meia volta. Era evidente que Daisy conseguia antever os estragos que a morena causaria na cidade, e provavelmente interpelaria-lhe muito em breve. Fato era que não havia motivo para se estressar, ou mesmo para estressá-la, em uma ocasião festiva tão linda quanto o aniversário da cidade. De toda forma, previa que se veriam muito em breve, e então poderia perguntar o que quer que passasse por sua mente.
















