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I LIKE the sadeyes, badguys Mouth F U L L of white ( LIES )
Daisy Acassia Tudor Kingsley through the years:
Miss Daisy, Eufaula’s princess as Alyvia Alyn Lind;
Daisy, the beauty facade as Willa Fitzgerald;
Sarge Kingsley, NY’s finest forensics examiner as Sarah Gadon.
“Are you really gonna leave without asking me the question you’ve been dying to ask me?”
Não costumava ignorar pessoas, especialmente os mais novos na cidade, mas tampouco costumava separá-los de brigas inúteis. Não queria pensar no que desencadeara aquele surto por parte da morena, sequer tinha a cabeça no momento para tal, então, quando fora interpelada após afastar os dois e dar o primeiro passo rumo ao seu trabalho como voluntária novamente, suspirou. Queria poder fingir que não a tinha escutado, que estava tudo bem e que a normalidade continuaria a perpassar Eufaula, ainda que não quisesse ficar no local por muito tempo. Adorava a cidade, gostava dos métodos provincianos, da comida e das pessoas, era meramente a pressão que lhe afligia mais do que o necessário. Somada à própria irritação e perfeccionismo, era a receita para o desastre. Surpreendia-lhe, e muito, o fato de ainda não ter jogado tudo para o ar e fugido para a casa da tia Heaven, em Nova York, onde não só ela lhe receberia, como Nate, Seth e mesmo seu marido, Paul. Holliday não ficaria feliz, seu pai, desolado e... Ela realmente não queria pensar na reação do restante de seus amigos. Negou levemente, certa de que deveria encerrar aquele contato o mais brevemente possível. Um breve olhar já a assegurara de que as amigas da mãe cochichavam ante a interação entre Daisy e Lilith, e ela sabia que não demoraria até que a mãe fosse comunicada do fato. Voltando os olhos para a outra, Daisy meramente respirou fundo, olhos em riste na direção dela antes que se arrependesse ------ não diria que a postura da outra lhe causava medo, mas talvez chegasse bem perto de um breve incômodo; ninguém em Eufaula a olhara daquela forma, e talvez o desconforto fosse devido a isso. Lidar bem com o diferente não era uma das qualidades do povo de Eufaula, e Daisy não se eximia daquela característica.
Comprimiu os lábios em uma linha fina, pendendo a cabeça para o lado a medida em que a analisava, ou tentava fazê-lo, para então pigarrear, olhando para o chão, para onde o bico da bota colidia com as pedrinhas da praça. “Talvez. São várias perguntas dentro de uma só, então não sei se valeria a pena gastar a oportunidade.” O sorriso fraco emoldurou o rosto, mas logo depois Daisy negou, soltando um suspiro, tão fraco quanto o sorriso. “Não é da minha alçada, de toda forma. Divirta-se em Eufaula, senhorita.” Assentiu uma única vez, dando uma leve meia volta. Era evidente que Daisy conseguia antever os estragos que a morena causaria na cidade, e provavelmente interpelaria-lhe muito em breve. Fato era que não havia motivo para se estressar, ou mesmo para estressá-la, em uma ocasião festiva tão linda quanto o aniversário da cidade. De toda forma, previa que se veriam muito em breve, e então poderia perguntar o que quer que passasse por sua mente.
QUERIDA EU SEI QUE NO FUNDO VC NÃO É SANTA.
Daisy meramente arregalou os olhos, mas, depois de alguns segundos, não pôde fazer nada, a não ser sorrir, insatisfeita ante as palavras dx estranhx. Não a conhecia, não havia como saber sobre como era por baixo do que demonstrava aos outros. Portanto, simplesmente arqueou uma das sobrancelhas, abrindo mais um dos sorrisos que aprendera com a mãe ------ o que transpareceria uma camada de inocência que ela precisava acreditar que tinha. “Alguma vez já disse que o era?” Tombou levemente a cabeça, franzindo o cenho por fim, ao encará-lx. Não deveria se importar tanto com a visão que os outros tinham dela, mas, paranoica que era, Daisy viu nelx a oportunidade, ou mesmo um desafio a ser vencido. E todos sabiam como a Kingsley nunca negava um desafio que mexesse com o orgulho evidente. “De toda forma, não é como se fosse ser canonizada ------ veja bem, não sou católica.” Deu de ombros, como se aquele detalhe fosse imprescindível para o argumento.
Mas que canarinho lindooo!
“Você seriamente tem que parar de beber, V.” Arqueou uma das sobrancelhas, segurando uma das mãos da amiga antes de puxá-la, sem muita paciência. “Já te disseram que você é uma bêbada muito carente?” Negou levemente, soltando um mínimo sorriso a medida em que tentava não respirar ------ Deus sabia o quanto até mesmo o cheiro de bebida lhe atordoava. “Vamos, Harley. Não queremos que o Coringa perca o ensaio, também.”

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“Que bom que nós estamos de acordo com isso, eu devo beber mais chocolate quente.” Acenou com a cabeça, divertida com a situação. “Mas em breve você verá mais do meu show, e por falar nisso, nós temos ensaio daqui dois dias, né? Ou são três?” Disse pensativa, deu de ombros. “Não tenho certeza, mas você ou Dennis vão aparecer na minha casa de qualquer forma, então me avisem quando for realmente o próximo ensaio, eu realmente preciso me distrair.” Valerie piscou.“Oh, Dennis? Tem, bastante.” Comentou dando a Daisy um sorriso gigante, mais parecendo o Gato de Cheshire, continuou a andar, ignorando completamente o papo de Daisy, todos ali sabiam que ela era uma louca por controle e meio que tinha medo da mãe, ou do pastor, ou de Deus, de alguma forma, ela estava presa aquilo ali, e Valerie queria que ela se livrasse de uma vez por todas dessas amarras impostas pela família da amiga. “Só relaxe, está tudo sob contro-” Valerie não conseguiu terminar de falar, pois naquele mesmo instante um rapaz – que no caso eram um dos motoqueiros – passou na frente das duas, derrubando bebida na roupa das garotas. “Ei seu idiota, olha por onde anda.” Xingou a loira, Valerie olhou para o estrago feito e deu de ombros, estava tudo bem. Foi então que resolveu olhar para Daisy, Valerie analisou a expressão da loira. “Você… Está… Bem?”
Assentiu com a cabeça ante as palavras da amiga, voltando o rosto em sua direção a medida em que sentia as pedras protestarem sob os passos. “É amanhã, na verdade. Pensei que você pelo menos saberia que dia é hoje. Está tão ruim assim?” Franziu o cenho, encarando a amiga com um tanto de preocupação. Não podia evitar, era praticamente parte de si tentar evitar que a outra não sofresse com algum tipo de coma alcoólico ------ o que sua mãe diria? Certamente iria proibi-la de vez de participar dos ensaios na garagem dos Harrison, e então Daisy perderia boa parte da diversão que tinha. “Está avisada, então. Chega de chocolate quente por hoje.” Tomou o copo das mãos de Valerie, pousando-o com impaciência na primeira superfície que achou. Antes que ela lhe repreendesse, Daisy meramente levantou um dos dedos, a careta de aviso presente. “Você vai me agradecer amanhã quando conseguir aguentar o barulho da bateria.” Arqueou uma das sobrancelhas, abraçando de lado a amiga, para então afastá-la ante a menção a Dennis. Por que todos sempre apertavam naquela tecla? Suspirou, revirando os olhos logo em seguida. “Hm.” Resolveu não respondê-la, não querendo manter o assunto por muito tempo. Gostava de Dennis, gostava de como se sentia perto de Dennis, mas não sabia o que fazer quanto àquilo. Daisy poderia ser a princesinha de Eufaula, mas, no que tangia a relações um tanto quanto mais íntimas, simplesmente não conseguia deixar que outros entrassem. A cabeça dela já era complicada demais sem uma distração, não tinha tempo para nada além da banda, da igreja aos domingos, da faculdade e dos trabalhos voluntários. De fato, parecia que nunca havia tempo suficiente, e a cada dia a loira parecia um pouco menos apta a continuar naquela rotina maçante e sufocante por muito mais tempo. Assim que a amiga começou a falar, tentou assentir, mas antes que pudesse falar ou fazer qualquer coisa, um dos ditos motoqueiros, bêbado demais para sequer se manter em pé, aparentemente tropeçou, e, no processo, Daisy só pôde sentir o líquido enervante empapar a lateral do vestido branco, assim como manchara as botas preferidas. Arregalou os olhos instantaneamente, buscando não encarar o estrago, mas parecia impossível não fazê-lo. A ânsia de vômito lhe acometeu, fosse pela crise que estava surtindo efeito sobre si no momento, fosse pelo cheiro intragável. Algum lugar de sua mente registrou as palavras de Valerie, mas aparentemente Daisy perdera o controle de seu próprio corpo pela segunda vez em apenas um dia. Realmente deveria tratar os transtornos que pareciam inerentes à si, mas falar sobre isso para a mãe ou mesmo para o avô estava fora de questão. Como se já não bastasse os terrores noturnos, Daisy os revivia ininterruptamente quando era maculada daquela forma. A respiração se acelerou, e o suor frio parecia ter coberto o corpo com uma fina camada, mas não conseguia sequer outra reação ante a hipótese. Antes mesmo de pensar, tinha agarrado o pulso da amiga com uma das mãos, segurando-o com força acima do normal a medida em que tentava buscar algum tipo de âncora, olhos dessa vez cerrados tão fortemente que Daisy sentiu eles protestarem. Não sabia quanto tempo demorou, mas abriu os olhos embaçados, buscando a pessoa que estava segurando. Ao ver que era a amiga, Daisy simplesmente negou, atordoada. “Desculpe, e-eu realmente não queria...”
O moreno voltara a sua posição inicial após ter se levantado e ido se servir de churrasco. Era a única coisa que valia a pena naquele lugar e a cada novo dia tudo o que Danvers desejava era poder fugir daquela cidade. Observou quando o conhecido passou por si e não pode deixar o comentário provocativo de lado. “Parabéns, parece que afinal alguém está se divertindo com o entretenimento barato que nossa cidade esta proporcionando.” Comentou num tom de voz falsamente animado, enquanto um sorriso brando surgia em seus lábios, mas era dispensado quando o rapaz dava outra mordida em sua refeição.
Depois de tanto trabalhar ------ não era bem um trabalho, mas ao que tudo indicava, aparentemente deveria estar andando solta pela praça principal de Eufaula em busca de confusões ------, Daisy enfim tirara algum tempo para aproveitar as festividades. Ainda que se sentisse sufocada na maior parte do tempo, Eufaula fora grande parte de sua vida, e ela não poderia se desfazer daquele pedaço seu. Parecia rejuvenescida em posse do algodão doce, de fato, aprecia mesmo uma criança, fanática por qualquer açúcar que encontrasse ------ Holliday não deixava que muito açúcar chegasse em casa, dizia que engordava, e Daisy tinha que aproveitar as ocasiões em que poderia provar da iguaria ------, quando escutou as palavras de alguém lhe interpelando, virou o rosto com um tanto de alegria, para então seu sorriso se desfazer. “Algumas pessoas gostam de aproveitar as belezas e prazeres simples da vida.” Respondeu simplesmente, tomando mais um pequeno pedaço do algodão, um tanto quanto desnorteada pelo moreno adereçar tão abertamente tamanho ultraje contra Eufaula. Bem ela sabia, ele nascera no lugar, assim como ela, mas jamais explanaria a sensação de sufoco sempre que sentia olhos sobre si.
Ao ver a reação da garota, que parecia prestes a ter um ataque de pânico, Lucy arregalou os olhos e deu um passo para trás. “E-Eu… eu sinto muito mesmo!” continuou, gesticulando com as mãos. Desde os sete anos, vinha se esforçando para passar uma boa imagem aos mais religiosos da cidade de Eufaula — e isso incluía o pastor. Se não era aceita por ser filha de uma adúltera bissexual — mesmo com um bom comportamento perante os olhos da igreja — o que Tudor diria aos fiéis se Lucy acabasse envolvida em uma briga, ou qualquer tipo de confusão, com sua neta? “E-Eu vou pagar pelo vestido, juro!”
Ela simplesmente não escutava Lucinda. Algo em sua mente pediu para que respirasse, para que se acalmasse, mas simplesmente era impossível. Respiração entrecortada e corpo trêmulo, demorou algum tempo até que Daisy fosse capaz mesmo de piscar com os olhos, sentindo o rosto mais vermelho do que o recomendável. Pequenas, breves respirações. Respire fundo. Busque uma âncora. Está tudo bem. O mantra parecia acalmar sua mente, e, depois de minutos ------ não sabia quantos ------, Daisy enfim olhou novamente para a outra, piscando freneticamente ao tentar ao máximo não olhar para o estrago que Lucinda fizera no seu vestido. Engolindo em seco, trincou o maxilar ao máximo, forçando um sorriso amável ------ mais parecia uma careta se fossem perguntá-la ------, a medida em que tentava respirar pausadamente. “Não tem problema.” Forçou as palavras, sorrindo. “Não foi sua culpa.” Assentiu, voltando os olhos inconscientemente para as mãos da garota, mais sujas de graxa do que ela já tinha visto em toda a sua vida. Cada movimento de Daisy, entretanto, parecia ser robótico, tenso. Ela não podia se dar ao luxo de mostrar a todos de Eufaula o quão quebrada era. “Não acho que seja a solução.” Negou brevemente, o mesmo sorriso mecânico presente nos lábios a medida em que engolia em seco. Queria se afastar da outra, mas temia que, se o fizesse, acabaria correndo para longe da quermesse em direção à mansão dos Kingsley, esfregando o vestido até que sentisse os dedos em carne viva.
Crystal ergueu o olhar novamente para a morena, abrindo um largo sorriso ao ouví-la repetir sua frase, como se tivesse entendido o recado.Assentiu com a cabeça, lançando uma piscadela para garota, antes de falar:
-Exatamente!Você aprende rápido garota!-ela disse, tomando um gole da bebida que Betsy havia lhe fornecido anteriormente, o fazendo aos poucos, como se a poupasse.
Girou os calcanhares, posicionando-se de frente para a garota e inclinando a cabeça para o lado ao ouví-la falar, com um sorriso divertido no rosto. Quer dizer, não parecia que ela não era uma puritana.
-Eu tenho certeza que Josh não é, definitivamente, puritano.Mas não estou tão certa quanto a você…-comentou, lhe lançando um sorriso, quase uma característica da loira.-Aposto que nunca experimentou nada como isso.-ela disse, estendendo o copo com whiskey para a garota com um olhar desafiador.-Não se preocupe, mantenho segredo.-continuou, procurando alguma forma de incentivá-lo.-E me diga.O que está em questão?-questionou por fim, se inclinando em direção a garota.
Meramente deu de ombros diante do exagero da outra, os olhos arregalados e com uma certa vontade de pedir para que não fizesse um escândalo. Eufaula falava demais sobre as pessoas, e Daisy queria tudo, menos estar na boca das senhoras, não fosse para estarem falando coisas boas de si. Um escândalo estava longe de ser algo benéfico para ela, então negou, logo em seguida, implorando a Deus para que a loira parasse de falar tão alto. “Não é uma questão de aprender, mas de assimilar conte------ Esquece.” Moveu a mão, em desimportância. Não era como se Crystal fosse querer entender sobre o que estava falando, de qualquer forma, e mesmo Daisy não tinha a devida paciência para explicar. O sono parecia lhe acompanhar de forma arredia, e os olhos se fechavam de forma tentadora a cada piscada. O que menos queria no momento era falar ou mesmo discutir. Ao escutar o nome de seu irmão, entretanto, franziu o cenho, respirando fundo o suficiente para que não falasse a primeira coisa que lhe viesse à cabeça. Não iria discutir sobre a reputação ou personalidade do mais velho com Crystal ------ não era tola de achar que o irmão era um anjo; bem longe disso, na verdade, pelo que diziam as más línguas de Eufaula. “Bem, eu não sou.” Negou com a cabeça, os olhos fechados em uma pose um tanto quanto régia, até que os abrisse novamente, e revirasse os olhos. “Não é algo ruim ser puritana, a propósito. É a escolha pessoal de uma pes------ Não importa. Eu não sou uma.” Assentiu rapidamente, os olhos arregalados, como se ela mesma precisasse se assegurar de que não era algo assim. Crystal não era a primeira que lhe dizia isso, evidentemente, talvez houvesse um parafuso a menos em sua cabeça... Não! Não havia nada de errado consigo. Ao ver a dose de uísque, Daisy torceu o nariz, sentindo o cheiro intragável antes mesmo da coloração cor de mel se mostrar presente assim que se aproximou. Levantou o olhar para a loira, uma das sobrancelhas arqueada a medida em que a desconfiança se demonstrava presente. “Não sei o que, mas algo me faz duvidar da sua promessa.” Negou, por fim, tomando o copo da mão de Crystal antes que se arrependesse. Daisy poderia ser francamente influenciável se botassem o seu orgulho em questão. O líquido parecia ter posto fogo na garganta, e fechou os olhos com força ao terminar o gole, negando veemente ao engolir o líquido. “Deus! Como vocês conseguem beber isso?” Desgostosa, tentou respirar fundo a medida em que sentia a garganta arder e uma leve tontura.

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Kingsley’s princess outfit: Eufaula’s 200th birthday.
Eram tão diferentes que havia quem dissesse que não eram realmente irmãos. Enquanto Daisy tinha as madeixas loiras da mãe, Josh era muito parecido com Vincent, exceto pelos olhos. No tocante ao temperamento, os irmãos Kingsley eram como a água e o vinho; enquanto a mais nova se mostrava tranquila e gentil —— alguém admirado e querido por todos ——, o mais velho era arredio e desagradável, sempre dando motivos para que os outros desejassem sair de sua presença. Estranhamente, contudo, Joshua e Daisy eram muito próximos, compartilhando de uma conexão única que não podia ser tratada como inteiramente fraterna. A caçula era a única com quem o lutador era verdadeiro; com quem não tinha de manter a fachada o tempo todo, até porque não desejava amedrontá-la, não queria que ela visse seu pior lado, além do que já via. “Eu dizia que eram minhas preferidas pra que você não se sentisse culpada por comê-las sozinha”—— um sorriso de canto surgiu em sua boca ao lembrar da infância, e ele logo se agachou para ajudar a irmã com a limpeza, antes que seu desespero aumentasse. Josh reconhecia facilmente as mudanças nas feições de Daisy; via o quanto ela estava transtornada por conta de uma simples torta. A vontade de protegê-la era tanta que muitos veriam na mais nova a fraqueza do Cachorro Louco; e não estariam errados. Contudo, em um meio como o dele, tais informações deveriam ser preservadas. “Tome”, disse, pescando uma nota da carteira. Tinha dinheiro o suficiente das apostas para desperdiçar com tortas da igreja, mesmo sabendo que nem toda aquela verba se destinava para o que seu avô referia aos fiéis que usaria. “Eu compro sua torta. Agora desfaça essa cara de choro”, repreendeu, sem muita firmeza, enquanto passava o dedo que acabara de sujar com a torta no nariz da garota, propositalmente. “Terei que comprar todas para que saia daqui? Ou você tem mais um carrinho de refrigerantes lá atrás?”, desdenhou, com os olhos semicerrados. Captou a mentira no tom de voz da outra, sabendo de antemão que era típico de sua família fazer aquele tipo de coisa. Tentaram, por mais de uma vez, doutriná-lo, mas isso foi no tempo em que ele ainda achava que estava possuído por demônios. “Está subestimando minha inteligência, irmãzinha…”, avisou, incapaz de condená-la por tentar proteger Holliday e Tudor. “E quanto ele paga a hora, hm? Deus, eu digo. Deve ser um péssimo patrão”, observou, em seu melhor tom de deboche. Os anos no curso de Filosofia fizeram de Joshua mais cético do que já o era antes de ingressar. “Seu currículo já é impecável”, retrucou, revirando os olhos. “Só um tolo não veria isso” —— agora ele sorria, percebendo que ela também sabia disso, e só esperava o momento certo para mostrar do que era capaz, realmente capaz, algo que ia muito além de fazer trabalho voluntário na igreja de uma cidade minúscula. “Isso é só uma forma diferente de dizer que você faz o que eles mandam…”, argumentou, como se sua lógica fosse incontestável. “Agora vamos. Outra pessoa pode fazer isso”, disse, se referindo às tortas. Já puxava a garota pelo braço, levando-a para longe da barraca.
Desde pequena, tudo o que Daisy desejava era ser motivo de orgulho para os pais. Ao passo em que Joshua se mantinha um rebelde a todo custo, Daisy sempre se sentiu bem em se encaixar nas molduras pré-estabelecidas de Eufaula, no estereótipo de filha perfeita que Holliday desejava que fosse. Ao menos até a adolescência, ela sempre fora a joia da família, o orgulho do avô e a princesa do prefeito da cidade. Não suportava decepcionar a todos, mas era evidente que o dia chegaria. Josh sempre fez com que o dia fosse postergado, por incrível que parecesse. Daisy poderia ser aparentemente tranquila, mas já arruinara muitos jantares ------ nunca levara a culpa, evidente, visto que não era ela quem a assumia. Desde pequena, alguém sempre lhe protegia, e não revelaria nomes, jamais. Talvez por isso fosse tão leniente com o irmão, talvez por isso sempre se dobrava quando chegava cheio de hematomas e cortes em casa, sempre cuidando dele da mesma forma que ele cuidara dela. Ao passo em que a reputação ruim de Josh assolava Daisy na maior parte do tempo, fazendo com que temesse o dia em que fosse agir daquela forma consigo, não podia deixar de gostar dos momentos que tiravam para apenas eles, falando de futilidades ou remendando os pedaços um do outro ------ mais ela do que ele, nesse sentido, mas não era como se estivesse contando. “Então tudo não passou de uma mentira? Eu exijo minhas memórias de infância de volta.” Arqueou uma das sobrancelhas, as mãos dispostas na cintura a medida em que formulava a melhor careta de desilusão, parando até mesmo no caminho e voltando a barraca sem olhar para o irmão. Era evidente que não levara a sério suas palavras, o humor negro do irmão em muito se assemelhava ao seu próprio em situações limítrofes. Não pôde deixar de encará-lo um tanto quanto abismada quando viu que estava tentando ajudá-la. “Sua boa ação do ano, irmãozão?” Tombou a cabeça para o lado, empregando um mínimo de humor negro na fala ------ não podia evitar, Josh sempre fora capaz de lhe acalmar, mas ao mesmo tempo afetava grande parte de suas ações. Os olhos, então, seguiram o outro até que tirasse uma nota para pagar pela torta, ação a qual Daisy rejeitou veemente, negando sem muito entusiasmo. “Mas você não iria comer tudo... Sabe que dinheiro não é bem o problema, não? Eu tenho a minha mesada, poderia pagar... Onde conseguiu tanto dinheiro?” Franziu o cenho, ainda agachada, recolhendo os restos mortais da torta sem prestar muita atenção. O verdadeiro problema era o fato de ser tão desastrada, e aquele, além dos muitos outros que perpassavam sua mente ininterruptamente, faziam com que sentisse que seria uma péssima legista. Qualquer coisa era capaz de tirá-la de sua paciência invejável, qualquer coisa era capaz de desnorteá-la em Eufaula. Somente suavizou o olhar quando o irmão passou o dedo sobre seu nariz, sentindo a cobertura molhada empapar a região e fechou um dos olhos, com um tanto de nojo, mas não pôde deixar de rir, passando a mão pelo nariz. Não era como se tivesse sido ela quem começara com a brincadeira, ela simplesmente estaria devolvendo o favor... Antes mesmo que pudesse se conter, Daisy encheu a mão com um pedaço relativamente limpo da torta, esfregando-o no rosto do mais velho, a risada juvenil lhe transbordando a medida em que se deixava sentar no chão sujo, só então se apercebendo do que fizera. Arregalou os olhos, levando uma das mãos aos lábios antes de buscar por um guardanapo. “Ah, não, não. Me desculpa, Josh! Eu realmente não queria fazer isso ------ talvez só um pouco.” Fez uma careta, tentando limpar ao máximo o rosto do irmão, a delicadeza há muito desaparecida a medida em que podia prever que a pele do irmão com certeza estaria verdadeiramente irritada caso acabasse. Assim que terminou, tombou a cabeça para o lado, tentando prever como o irmão reagiria a isso, mas na verdade não sabia bem se o havia estressado. Era exatamente por isso que não agia impulsivamente. “Eu? Subestimando sua máscula inteligência? Jamais. Sempre achei que fosse a pessoa mais inteligente do mundo.” Deu de ombros, voltando ao assunto principal, no intuito de distraí-lo. “Não blasfeme... Por favor” Pediu, apenas no último segundo acrescentando o verdadeiro pedido para que não parecesse autoritária, tombando levemente a cabeça a medida em que os olhos buscavam os dele, o tom de aviso corroborado pelo dedo sujo de torta enquanto a mão segurava o guardanapo sujo. Negou levemente, sorrindo por fim. Ela se orgulhava, e muito, da sua trajetória acadêmica; orgulhava-se do fato de ter ao menos uma chance verdadeira de sair de Eufaula sem que os pais a odiassem por isso ------ ou ao menos a odiassem menos. “Sempre é bom ter mais prós do que contras no currículo.” Deu de ombros, não dando muita importância. A bagunça parecia ter sido arrumada, e Daisy suspirou uma única vez antes de se levantar, puxando o irmão consigo. “Não, Josh, é o mesmo que dizer que eu aceito as sugestões.” Assentiu, teimosamente batendo o pé quanto à questão, orgulhosa que era. Jamais admitiria que estava sendo manipulada ------ um Kingsley nunca era manipulado, segundo o pai. Antes mesmo que terminasse de falar, o irmão já a estava puxando, e Daisy perdeu a linha de pensamento por alguns segundos, recuperando-a logo em seguida e seguindo-o. “Sabe, eu realmente tenho que levar pro vovô o saldo da barraca... Ele não gostaria que pusesse em risco a reforma no telhado da igreja.” Respirou fundo, já antevendo as blasfêmias que o irmão soltaria no que tangia ao avô. Houvesse paciência para que aguentasse o irmão vociferando ofensas ao familiar. “Eu faço isso, e depois vamos nos divertir, certo?” Levantou o dedo antes que ele começasse, como se tentasse mediar a situação, o mínimo sorriso no rosto deixando claro que sabia que venceria aquela discussão.
Angelinne apenas sorriu e assentiu com a cabeça para as palavras da garota, decidindo mentalmente que preferia estar ali a qualquer lugar no mundo. Ela não acreditava que haviam a arrastado até aquele fim do mundo e que agora estava na igreja vendendo tortas. Naqueles momentos ela realmente se questionava se Deus realmente existia.Quer dizer, que tipo de Deus faria aquilo com alguém? Para ela era algum tipo de castigo, que parecia não ter o menor fundamento.
Voltou-se novamente para a garota, apertando os lábios enquanto decidia se deveria ou não continuar com aquela conversa.Quer dizer, duvidava que a opinião da garota fosse ser diferente só por conta de sua meia dúzia de palavras.Invés disso, os olhos escorregavam aflitos para a fila que se formava na barraca, enquanto avistava os cabelos claros da avó se aproximando, aquele sorriso de quem tinha um enorme orgulho da neta.Mas a verdade, é que ela provavelmente infartaria se conhecesse a verdadeira Angelinne.
Segurou a torta nas mãos com o maior cuidado do mundo, não poderia dar-se ao luxo de cometer o mesmo erro que Daisy havia feito anteriormente.Depositou-a com cuidado sobre a mesa, pegando uma das facas para começar a cortar as fatias que deveriam ser vendidas, concentrando-se na sua tarefa.
-Razão e emoção são conflituosos.-ela começou a dizer, os olhos fixos na torta.-Ás vezes, você quer perdoar para que tudo volta a ser como era antes, mas seu coração ainda não consegue…-finalizou,dando de ombros.Sempre cedia aos seus desejos de falar.
Tinha muito mais com o que se preocupar do que continuar conversando com Angeline. A fila apenas aumentava e Daisy duvidava sinceramente que apenas uma torta seria capaz de saciar a barriga voraz dos cidadãos de Eufaula. Não havia muito mais a ser feito, contudo, e ela teria que manter a cabeça no lugar, mesmo diante de hipótese tão ruim ao seu ver. Era uma líder, não era? As pessoas olhavam para si esperando por respostas. Não poderia continuar se apoiando em outros quando as coisas saíam do que planejara anteriormente. Sorriu, tentando não aparentar nervosismo, ao encarar o próximo consumidor. “Aceita uma torta de maçã? Oh, não, eu escorreguei e a de pecã caiu... Não é uma bela história.” Fez uma careta ao explicar suas falhas ao conhecido, tentando manter um mínimo de humor nas palavras a medida em que o estômago se revirava. Daisy não gostava de admitir a derrota, especialmente em público e para pessoas que a conheciam desde tenra infância. “Tenho certeza de que esta está no padrão de qualidade da torta tradicional de pecã, não se preocupe. Devolveremos seu dinheiro se não gostar, senhor!” Soltou um sorriso amável, manipulador até, a medida em que piscava com as pestanas da mesma forma que a mãe, lábios abertos de forma a evidenciar as covinhas nas bochechas. Ao terminar de atender o restante dos clientes, um fantasma do que era a travessa de uma maravilhosa torta de maçã se mostrou no balcão, de forma que Daisy foi obrigada a encerrar os negócios por aquele dia. Um mísero suspiro foi tudo o que conseguiu deixar escapar, sentindo, pela primeira vez no dia, o cansaço de ter que passar a imagem de que tudo estava bem ------ já devia ter se acostumado com isso, era verdade, mas normalmente Daisy não estava tão transtornada. Foi só então que, depois de abrir os olhos, voltara a olhar para a loira, a parceira no voluntariado do dia, minimamente dando de ombros. Não queria mais discutir sobre perdão; não queria ser hipócrita, tampouco se penalizar ainda mais pelo que ocorrera, então preferiu encerrar o assunto. “Concepções diferentes.” Respondeu minimamente, voltando o corpo para a mesa, já com um pano em mãos para limpar a bagunça que tinham causado ------ sua barraca estaria impecável em pelo menos dez minutos, e então, ela não sabia mais o que faria. “Não precisa ficar, aliás.” Virou o rosto minimamente, buscando a outra, já com um saco de lixo a postos. “Eu só não quero deixar sujo.” Ao terminar de falar, sentiu o frio na espinha, negando logo em seguida. Ninguém poderia dizer que a Kingsley era normal, ainda que tentasse ao máximo sê-lo.
“Universos paralelos, realidades alternativas, o que importa é que estamos ligadas, irmãzinha” Zombou. “Os opostos se atraem, e alguém precisa cuidar de mim, e alguém precisa te distrair, combinação perfeita.” Valeria disse como se aquilo fosse a coisa mais logica do mundo, maior que a Física. “Graças a Deus você existe, o que seria dessa comunidade sem o seu bom coração, realmente, tocante.” Disse balançando a cabeça. Terminou de tomar o seu drink e sorriu docemente para Daisy, que parecia bem constrangida, Valerie sentiu-se satisfeita consigo mesma. Ela e Dennis deviam estar querendo se pegar, ou já tinham, tudo é possível. Ah, ela amava quando estava certa, era quase como estar bêbada – ou terminar um exercício de física quântica antes de todos da sala, o que ultimamente não acontecia muito. “É, ele tem falado de você, mas não vou ficar fazendo fofoca, Deus mandou cada um cuidar das suas coisas né?” Disse de forma indiferente, mas sem conseguir esconder o sorriso do rosto. “Ok, quantos minutos nós temos ainda?” Disse pegando o pulso da Kingsley. “Ótimo. Ainda podemos ver os motoqueiros sem que a sua mãe apareça e te arraste de volta para a escravidão, então vamos aproveitar para comer alguma coisa, antes que eu fique bêbada.”
Arqueou uma das sobrancelhas, a expressão demonstrando a exata dúvida quanto às palavras da Harrison. “Você sabe que isso não existe. Não de verdade...” Soltou uma risada pequena o suficiente para que Valerie não levasse a mal sua súbita epifania religiosa. Nem mesmo ela, naturalmente, deveria levar a sério o que falava com a loira, mas não fazia mal voltar um pouco à realidade, de vez em quando. “Bem, não importa.” Bateu as mãos na saia do vestido uma única vez, tentando se esquecer do assunto em questão antes que a cabeça começasse a pensar em milhares de besteiras ------ Daisy nunca parava, e aquilo era exaustivo, para falar a verdade. Depois de dezenove anos em Eufaula, com poucas viagens a Austin e mais raras ainda as visitas à tia Heaven em Nova York, a mente começava a dar sinais de defeitos que não estariam ali caso vivesse em um local mais normal. “Oh, é claro. Alguém realmente tem que fazer com que você pare de beber chocolate quente antes de começar a fazer um pequeno show. Tomo com grande responsabilidade essa incumbência.” Franziu o cenho, o tom humorístico seguido de uma careta maldosa a medida em que abraçava de lado a amiga de longa data. Não se lembrava quando Valerie decidira deixar de atormentá-la por ser a filha de Holliday, mas o que importava para si era o fato de tê-la a apoiando. Revirou os olhos. “Não me venha com sarcasmo, V, sei que é melhor do que isso.” Arqueou as sobrancelhas, voltando os olhos para a Harrison com um pouco de irritação. Não era a primeira a detestar as atividades extracurriculares de Daisy ------ na verdade, a lista só crescia ------, mas a Kingsley não decepcionaria os parentes, tampouco deixaria de ter a oportunidade de ajudar em uma causa como aquelas. Além de tudo, não era como se fosse continuar na cidade por muito mais tempo. “Ele tem?” Viu-se perguntando, um olhar furtivo dirigido à multidão de pessoas que se amontoavam na praça inconscientemente, para logo depois suspirar. Não, não pensaria naquele tipo de coisa justamente quando estava trabalhando. “Desde quando você não gosta de uma fofoca?” Franziu o cenho, tombando levemente a cabeça antes de sorrir, deixando clara a pequena brincadeira. Daisy não era das pessoas mais abertas a outros, todavia não tinha como manter-se distante de Valerie ------ almas gêmeas, como a outra deixara claro. “Eu não------” Não conseguiu sequer terminar de falar, e a amiga já a estava puxando na direção dos ditos motoqueiros, fazendo com que a Kingsley revirasse os olhos. Não pôde deixar de sorrir ante a possibilidade, entretanto: gostava da adrenalina, só não gostava das consequências que a adrenalina lhe proporcionaria para o resto da vida. “Ela não faz isso...” Começou, mas sabia que a amiga não lhe escutaria e, no fundo, era a maior das verdades. Caso Holliday a visse perto da trupe, provavelmente teria um ataque cardíaco. “Temos dez minutos.” Suspirou, vencida, uma piscadela fraca antes de parar de resistir ao puxão da Harrison ------ não devia ter tanta força, Daisy era mais alta que ela ------, seguindo-a com um tanto de excitação. Não sabia exatamente o que fariam assim que chegassem ao local, mas era o momento que interessava, a breve escapadela de um mundo perfeito. Os olhos de Eufaula seguiam a neta do pastor Tudor desde que se entendia por gente, e eram poucas as vezes em que se permitia ser uma pessoa normal.
michael826:
Shatter Me (feat. Lzzy Hale) | Lindsey Stirling | Shatter Me

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“Crystal mordeu o lábio inferior, tentando segurar o riso diante daquela situação, ciente de aquilo irritaria a garota ainda mais.Não gostaria de rir da garota, quer dizer ela não era o tipo de garota malvada que zombava com os outros por aí. Apenas não sabia muito bem lidar com aquele excesso de religiosidade e perfeição.-Não precisa se desculpar, Daisy. Não é como se eu esperasse que você soubesse.-ela disse, dando de ombros.-Você nunca caiu na tentação, Daisy? Quer dizer, nunca provou nem uma gotinha de álcool?-ela perguntou, subitamente curiosa sobre aquela vida religiosa.”
Holliday criara a filha à sua imagem e, ainda que Daisy possuísse uma mente própria e éticas que não diziam tanto respeito à religiosidade na qual fora inserida mesmo na barriga da mãe, não podia escapar de alguns excessos. A neutralidade não lhe perseguia, como desejava, mas, pelo contrário, ela mesma buscava essa pungente demonstração de um ser humano mais elevado, espiritual e racionalmente. Não era das pessoas mais falantes, mas buscava sempre o equilíbrio. Falhava miseravelmente na maior parte das vezes, mas era apenas humana, não? “A esperança é a última que morre.” Citou a loira, arqueando uma das sobrancelhas com um pingo de humor negro, logo negando ao tentar se desfazer daquela parte de si que se manifestava mais vezes do que gostaria. Arregalou os olhos assim que assimilou a pergunta seguinte, engolindo em seco. “Claro que sim, Crystal. Não sou uma puritana. Em ocasiões festivas como o Natal e Ano Novo é permitido beber, mas apenas alguns goles.” Franziu as sobrancelhas, incapaz de se lembrar de outras ocasiões nas quais provara do líquido alcoólico. Não a importava, jamais fizera a verdadeira falta, e não era como se precisasse do líquido para se divertir ao cantar ------ desidratava-a, pelo contrário. “Mas não está em questão a minha experiência ou falta de experiência com álcool...”
Angelinne podia sentir a certa tensão que surgia no ar quando ela conversava com Daisy. Era quase como se a garota soubesse que ela tinha algo de ruim, que ela não era a garotinha que fazia todos pensarem que ela era e aquilo a incomodava um pouco. Balançou suavemente a cabeça para os lados, afastando aqueles pensamentos e ignorando aquela sensação, a medida que ouvia o telefone tocar. Ok, em trinta segundos havia conseguido salvar o orçamento da barraquinha o que a deixaria orgulhosa.Contava mais alguns pontos a favor dela, o que era sempre bom.
Voltou novamente a atenção para a garota, erguendo suavemente a sobrancelha ao ouvir seu rápido discursos sobre perdão.Não entendia exatamente o que ela queria dizer com aquilo, mas definitivamente a incomodava.
-Em 10 minutos estará chegando uma torta de maçã.Espero que seja suficiente.-ela respondeu, lançando um sorriso um tanto quanto forçado para a garota, enquanto começava a organizar algumas coisas sobre a mesa, antes de virar-se novamente para ela.-Vamos aprendendo aos poucos.Mas perdoar é mais complicado do que isso, Daisy. Você tem que sentir que está perdoando, entende?-ela disse, voltando para seus afazeres.
Sentia-se como uma incapaz ao não ser ela a salvadora na situação. O que o avô diria? Devia agora um favor à Angelinne, e caso a loira o quisesse cobrar à sua maneira, Daisy não seria capaz de reprimi-la ou negar o pedido. Tudo por conta de sua falta de atenção ------ maldito sono, malditos pesadelos recorrentes. Ocupada demais em se auto punir, demorou um pouco até que prestasse atenção novamente às palavras da Bürckle, e mesmo assim não se manteve atenta por muito tempo. “Eu também espero, Angelinne. Precisamos disso. A Igreja precisa, também.” Deixou os ombros caírem, soltando um suspiro antes de continuar. Mantinha a máscara de menina recatada, de religiosa puritana e temente a Deus, mas mal podia esperar para sair de lá. Era a mais hipócrita de todos, e sabia bem disso, mas não era como se fosse externar seus pensamentos a alguém como a loira ------ nem mesmo Josh sabia de suas pretensões. “Não é complicado quando você realmente quer dizer, na verdade.” Deu de ombros, não dando muita importância ao assunto. Gostava de pensar que era uma pessoa que perdoava facilmente, que se esquecia dos erros e das falhas dos outros no que tangia às relações consigo, mas, realmente, não era tão complicado assim. Era uma Kingsley, e um Kingsley jamais perdoava antes de se ver satisfeito com a derrota do outro. Não, ela era diferente. Assentiu com o pensamento, por pouco não caindo novamente em um estupor grande demais para que nem mesmo a loira pudesse tirá-la. “Mas entendo o seu ponto.” Concordou uma única vez, acenando para a senhora que trazia a torta de maçã com menos pressa do que o necessário ------ durante o período em que ficaram paradas, uma fila se aglomerara na barraca, e Daisy só podia rezar para que tudo corresse bem daquela vez. Não podia falhar novamente.