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A maior gayband do Brasil. Orgulhos

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Cenário Pop Nacional, Geração Tombamento e o Método RuPaul
Não faz muito tempo, mas quando MC Anitta se lançou nacionalmente como Anitta, por meio do hit “Show das Poderosas”, não demorou muito para que ela fosse consagrada como a Rainha do Funk. Ai começou um movimento para deslegitimar esse título, ao se exaltar as rainhas precursoras do funk, como Tati Quebra-Barraco e Valesca, além de se fabricar uma rixa entre Anitta e, na época, MC Beyoncé. Pouco tempo depois, quando MC Beyoncé se tornou Ludmilla, a rixa se direcionou para a novata Lexa. Mas essas rivalidades nunca foram novidade na música brasileira, basta lembrarmos de Sandy e Wanessa (Camargo), Ivete Sangalo e Claudia Leitte e até mesmo Gal Costa e Maria Bethânia já foram postas em campos opostos de um ringue.
Dizem que esse fenômeno é bom para as vendas e fomentam o crescimento de um cenário musical. O que seria da cena pop feminina nos EUA e no UK sem as rivalidades reais e produzidas entre elas? Quem pode negar o quanto de recursos de todas as ordens se movimentam nessa dança de cadeiras estadunidenses e britânicas? O fato é que essas rivalidades não têm mais se sustentado no Brasil e esse método, como forma de criar um cenário pop, se tornou ultrapassado, mas só agora outras perspectivas estão sendo experimentadas, sejam de propósito ou sem querer.
Quem acompanha o pop nacional sabe que bons artistas do gênero sempre tivemos. O que nunca tivemos muito claro foi um cenário pop onde esses artistas pudessem permanecer e desenvolver um circuito consistente. E esses cenários efêmeros que surgiam e depois desapareciam eram sempre monopolizados por dois ou três artistas de “grande porte”. Mas há um cenário muito diferente se instalando hoje no Brasil, propiciado pela Internet, pela Geração Tombamento e pela (enfim) autoestima perante o pop internacional.
A Internet se tornou um espaço de trânsito, que tem permitido vários encontros. Nos primórdios do saudoso Cansei de Ser Sexy, a banda por vezes reclamou do fato de que, no Brasil, não existe um espaço meio-termo para os artistas: ou você é super famoso ou você é um artista local/regional. Não existia um espaço que apenas não fosse mainstream, porém fosse nacional e alternativo. Esse espaço, porém, era garantido ao CSS lá na gringa. A Internet inaugura ou expande esse espaço no Brasil e faz com que a gente descubra artistas pop que, sem ela, nós jamais conheceríamos. Mas mais que criar espaço, a Internet permite produzir arte, simplifica o processo criativo e de execução. Video clipe já não demanda 100 mil reais para sair do papel; lançar EP já não precisa de selo; divulgação já não precisa (tanto) de TV e rádio.
E com a geração que cresce aprendendo a ocupar esses novos espaços, surge também uma politização que, pro bem ou pro mal, se torna o tom da juventude do século XXI. Vivemos a Terceira Onda do Feminismo, a ascensão dos direitos LGBTs no mundo, as tentativas de rompimento com padrões do corpo e o alastramento da luta Negra. Ao mesmo tempo, uma esquerda esfacelada, uma ausência de heróis e líderes políticos, bem como o ressurgimento do obscurantismo repressor, que achamos que não alcançaria nossa geração ingênua. Não existe mais um Feminismo, mas feminismos; nem cartilhas únicas de expressão da negritude, mas várias formas de ser negro; nem há mais pretensões de se criar um Movimento LGBT consensual. De forma pontual, todas essas bandeiras e discursos se manifestam no Tombo. O Tombamento se torna uma das formas mais materializadas de ocupação de espaços, de diálogo entre as manas e minas, mas também briga e afronta.
Assim, o surrado método de fabricação de rivalidades no pop parece não encontrar terreno tão fértil nessa nova geração de consumidores. A interseccionalidade abre caminho no pop, pois os espaços de domínio de um artista se cruzam com os espaços daqueles que deveriam ser seus concorrentes. Isso também se deve ao fato de que a chamada “apropriação cultural” se tornou evidente no processo de produção, então mesmo que na Era do Digital, onde a ideia de autoria é cada vez mais algo do passado, a apropriação será apontada, mas não evitada. E não se conseguindo evitar, os artistas terão que se relacionar de forma mais íntima (ou ao menos fingir) com a coisa apropriada e, portanto, fará mixagens com cenários que, até então, estavam isolados. Antes era fácil se apropriar quando o apropriado não tinha voz eloquente pra reclamar, mas agora que essas vozes se erguem, a apropriação terá que fazer concessões e, uma delas, é a ampliação do cenário artístico.
Então não faz sentido que a rapper lacradora seja a rival da funkeira feminista, que é rival da travesti militante, que é rival da drag queen festiva... Esses espaços não se cercam mais e os públicos já não são mais disputados, porque a rapidez com que esse público se move não acompanha a espera de um novo álbum, novo clipe, novo single. É um público que se move para quem lançar primeiro. Não há como manter a produção nesse nível de velocidade sem que haja colaboração entre os artistas e, por conseguinte, sem que se funde, finalmente, o cenário onde o público possa permanecer experimentando todos os lançamentos de uma só vez. Não há como criar o curral restrito do artista X e o curral do artista Y, porque na Era do Digital a tendência é, ou o público força a fusão dos currais, ou “ganha” o “melhor” curral, que também está fadado a desaparecer se não houver um terceiro curral, ou um outro cenário para fugir – não a toa aquela cantora foi do pop romântico, ao eletrônico de boate LGBT e acabou no sertanejo: porque não há com quem competir e também porque a própria ideia de competição se contradiz com a ideia do Tombo. Embora por vezes não pareça, pra tombar é preciso ser adepto da filosofia Ubuntu: expressão africana que de forma geral não admite o avanço de um indivíduo sem que todos os outros avancem juntos.
Então vemos hoje uma porrada de colaborações e encontros entre os novos artistas pop do Brasil. Se não é por meio do “featuring”, é por meio do compartilhamento do mesmo palco, ou pelo prestígio assumido que um artista expressa pelo outro, ou tudo isso junto. E ai, numa feliz coincidência (ou não), o espaço da Internet, que propicia o Tombo se esbarram com o reality show estadunidense RuPaul’s Drag Race, que já se encontra na sua nona edição, mais duas edições especiais. Sem a Internet, seja por conta da pirataria ou da Netflix, o Brasil não teria acesso quase massificado do reality e não veria o crescimento e bifurcações do cenário drag nacional e do amplo reconhecimento desse tipo de performance como arte. É desse cenário que surge quase metade das artistas pop nacionais que desfrutamos hoje.
Assim, o que podemos chamar de “Método RuPaul”* se cumpre pelas bandas de cá. E o que seria esse método? Seria o Ubuntu. RuPaul poderia seguir a vida sendo a mais famosa drag queen dos EUA, afinal, nenhuma outra drag no mundo havia conquistado tanto sucesso como ela, em tão diversificadas formas, como música, cinema e TV. Mas com o Drag Race, RuPaul provou que é muito menos eficiente seguir sendo a única grande drag queen de seu país, ao invés de ser uma das grandes drag queens do mundo. Nesse movimento, RuPaul criou um cenário e abandonou o curral. Não precisa de muito esforço pra se pensar nos benefícios que se tem quando se divide a coroa, ao invés de detê-la só para si e arriscar ser rainha de um reino solitário.
Se você é a única drag queen com acesso ao mainstream** isso significa que o público médio terá acesso a apenas uma forma de drag queen, por mais que a artista se reinvente. Assim, dois possíveis cenários podem ser previstos: uma outra drag queen poderá roubar seu espaço por completo, ou o público simplesmente se cansará de drag queens. Na primeira hipótese, o que se observa é que, como o público só tem acesso a um tipo de drag queen, para ele fará pouca diferença de quem é a drag queen que ocupa o espaço de destaque. Ele consumirá a arte da drag queen não porque ela tem uma identidade própria, mas apenas por ela ser drag queen. Ou seja, ela será substituível, porque o público se limitará a consumir a arte drag dentro da limitação de que basta haver uma caracterização e uma performance para ser considerado drag. Logo, não faz diferença sobre quem é o artista por traz da performance, pois o consumo não se dará pela unicidade do artista, mas pela performance em si.
A outra hipótese é de que, dada a previsibilidade da arte drag, devido a ideia equivocada do que é drag, o público se cansará e dará espaço a outro tipo de novidade. Quando RuPaul cria um cenário em que há espaço para várias formas de drag, o público percebe que ele não precisa sair em busca de um novo tipo de expressão artística pela exaustão da arte drag, mas sim se deparar com novas formas de drag e, cada dia mais, se apaixonar por formas diferentes de drag. Esse método permite que o público compreenda muito melhor o que é a arte drag, além de ser uma maneira de formar público fiel e, cada vez mais, exigente. Ao passo em que se cria a demanda por mais artistas, havendo assim a sensação (ou ilusão) de que há espaço para todas.
Ou seja, “eu sou fã da drag X não por ela ser drag, mas por ser uma artista X, que me proporciona experiência X” e, a partir disso, eu percebo que a experiência X não é melhor ou maior que a experiência Y, mas sim que são experiências diferentes. Por fim, percebo que quanto mais experiências eu puder ter, melhor.
Assim, pra quê fabricar a rivalidade entre Gloria Groove, Lia Clark, Aretuza Lovi e Pabllo Vittar se agora eu sei que cada uma pode me dar uma face diferente de drag, que a outra não vai me possibilitar? E qual a razão de rivalizar de Mulher Pepita, Linn da Quebrada, Candy Mel, MC Xuxu e Liniker, se cada uma delas me expõem formas diferentes de compreender o gênero? Por que motivo Karol Conká, IZA, Rico Dalasam e MC Carol, que sequer fazem o mesmo som, não podem andar juntas alargando o entendimento de negritude e de feminino? E por que Anitta não pode cantar Ludmilla num show, ou se espalhar no samba, no sertanejo e no reggaeton? Como não identificar em Jaloo e na Banda Uó uma tentativa original de Pop? E como negar que gêneros brasileiros como o funk, o tecnobrega, o forró e o sertanejo se atravessam de tal forma, que acabam criando um cenário pop único e de forte identidade nacional, fazendo com que os gringos, ao se apropriarem das nossas produções, passem a nos dar os devidos créditos?
Seja como for, o pop nacional provou nessa década que ele pode ser potente, sem precisar referenciar o pop internacional, por meio do reconhecimento de seu potencial interno e pela formação espontânea de público cativo. Um público que já não precisa escolher ou entrar em torcidas organizadas. O pop nacional, possivelmente, nunca havia experimentado a possibilidade de se manter consistente, basta que saibamos que isso é fruto da união e reconhecimento de todas as formas abrasileiradas de se fazer pop. Que não esqueçamos o cenário que ajudamos a construir, afinal, muito nos custou para chegarmos até aqui. Ubuntu!
* O que eu chamo de “Método RuPaul” seria a ação ou movimento de se criar um cenário onde o artista possa se desenvolver por si mesmo, sem precisar formar um público próprio, mas sim oferecer algo único a um público já formado para o seu tipo de arte. Dessa forma, o artista só precisa ser responsável por sua própria estética e não pela manutenção do cenário como um todo, pois este será mantido pela colaboração dos artistas e do público que dele fazem parte e convivem.
** Para RuPaul, a arte drag jamais será mainstream, no sentido de que o mainstream é um cenário que torna a arte homogênea e como a arte drag é justamente uma oposição ao status quo, esse tipo de arte jamais poderá ser mainstream.
Show da @xliaclark no Barilove , não consegui tirar minha fotinho contigo , mas pelo menos estive lá 💜 tu és um amooooooor !!!! #pinkflamingo #divine #dragqueen #art #culture #liaclark #barilove #bariloche #barilochebareeventos #love #amo #trash #coulture #vintage #night #nightclub #gaylife #gay #gayclub #dragse #drag #partyhard #party (em Bariloche - Bar e Eventos)
Quem é que fortelece as 4h da madrugada?
Se você não quer nem tempera meu amor!!!

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Quando estiverem tristes, ouçam esse hino que garanto tua autoestima ir nas nuvens
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