SARAMALACARA para MTV LADO B

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SARAMALACARA para MTV LADO B

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embrujar
FESTIVAL LADO B — 21.12.2012 (primer día) » VER ÁLBUM COMPLETO
Você vai deixando rastros pela casa.
Tem uma foto nossa na minha carteira
e na parede do meu quarto.
Tem um girassol na varanda, que está vivo há 15 dias e insiste em não morrer.
Tem um bonequinho que você trouxe de Recife pra mim na minha biblioteca.
Meu cachorro está andando pela casa com a pulseira que estava no seu braço hoje.
Às vezes o medo de paralisa, porque sei que é você.
E, se não for, também sei:
Vai ser o pior término da minha vida.
(Iraque)

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Tá tudo bem enquanto estou vivendo. Arrumando a casa, lendo e resolvendo negócios.
Tá tudo bem enquanto estou dirigindo. As ruas parecem as mesmas, as pessoas dirigem mal como de costume, a prefeitura de são paulo não consegue tirar o buraco do asfalto como de costume.
Até enquanto estou saindo está tudo normal. Chego no rolê e é ótimo, a música é ótima e a bebida também. Mas aí eu olho pro lado e vejo que você não está lá. E que, pior que isso, não vou te encontrar depois disso.
A saudade parece que vai brotando nessas frechas. Entre um momento e outro da vida cotidiana eu lembro que em alguma madrugada do final de semana eu não vou estar te enchendo, agoniada, porque não consigo dormir e quero a minha casa minha cama e meu cachorro. São nesses espaços que lembro que não tô fumando e, sinceramente, não é nem pela maconha, mas porque fumar sem você, pensando a cada 3 minutos o quanto você é lindo e fofo e sexy, perdeu absolutamente toda graça. Que transar tá sendo péssimo simplesmente porque as outras pessoas não me conhecem como você me conhece.
Meu corpo não cede a outras pessoas como cede a você.
A saudade é perceber que o mundo todo está mais silencioso porque não tem você falando sem parar nele.
Sinto falta do teu abraço, do seu beijo e da sua companhia.
Mais importante que tudo isso, tô morrendo de saudade do teu cheiro.
Te amo e espero que sua viagem esteja sendo incrível, e que você possa estar se permitindo sentir tudo que a vida tá te trazendo.
E não vejo a hora de você voltar pra mim.
(iraque)
quando você voltou eu pensei que fosse um sonho.
achei que estivesse ficando louca. que era só sexo. ou que não fosse nem isso. que era ego. ego ferido por eu ter ido embora, mesmo depois que você ter me destratado, me maltratado, me deixado pequena.
achei que eu estivesse delirando.
que era bom demais pra ser verdade.
você apareceu, meio trêmulo meio tímido, me parou no meio-fio da augusta e me lançou um “agora você tá fumando?”.
fiquei paralisada.
minhas pernas não respondiam ao comando - porque, se respondessem, talvez eu tivesse saído correndo - e só me restou dar um sorriso meio falso, meio perturbado, e soltar um meu-deus-há-quanto-tempo-a-gente-não-se-vê, e ir inalando teu cheiro de novo. teu cheiro de saudade.
e confundi com recomeço.
confundi tudo com recomeço.
as noites foram incríveis porque você é incrível.
o sexo foi incrível porque nossa química é perfeita e o tempo não mudou isso.
não mudou seu gps interno, que reconheceu cada esquina do meu corpo. não mudou a hora perfeita de colocar e tirar, de acelerar e desacelerar. o tempo não mudou meus pelos e minhas costas respondendo a você, meu corpo cedendo ao seu toque.
achei que fosse amor de recomeço.
e, sinceramente, é bem provável que até fosse uma tentativa de sermos mais sinceros, mais compreensivos e mais entregues, mas a verdade é que eu não posso fazer isso.
não posso recomeçar com você.
porque você não quer dividir sua vida com ninguém. e eu não vou mais me colocar no papel de tentar destruir essa barreira por sabe-se lá que motivo você criou com a vida. porque não é justo com quem eu tô agora. e porque, acima de tudo, não é justo comigo.
não quero e não posso ficar com ninguém que me faça abdicar de mim.
não vou mais me adaptar.
te amo pra sempre sempre sempre.
não se esqueça de mim.
(iraque)
Você vem, numa madrugada de um dia útil desses que a gente tá cansado, estressado, passou 2 horas no trânsito, tá com a roupa suja da poluição de são paulo e acha bonito tirar foto do céu da paulista às 5 da tarde porque o pôr-do-sol tá lindo e o instagram precisa ver isso porque dói menos os views que a consciência de que essa porra dá câncer.
Você me vem numa madrugada dessas, comuns, e descarrega um caminhão de sentimentos no meu colo. Joga a merda toda.
Me pega desprevenida.
E a minha vontade é de sair de casa de qualquer jeito pra te olhar no olho e dizer:
Para.
Por favor, para.
Porque eu não aguento mais brigar.
Não aguento, b. Eu juro. Juro mesmo. Eu não tenho energia pra brigar com você.
Eu,
a maior briguenta que qualquer um já conheceu,
não consigo brigar com você porque isso me machuca. Isso me destrói. Me corrói por dentro, sabe? Parece que eu não consigo fazer mais nada.
Obviamente fazem noites que eu não durmo
E eu não consigo chorar porque essa porra de sertralina não deixa.
Esse choro engasgado na garganta, preso, doido pra sair, é a anunciação de mim por dentro: presa. Querendo sair.
Brigar com você me deixa sem força pra levantar. Num buraco fundo de escuridão, umidade e tristeza. Porque ficar com você me deixa sem força pra seguir em frente.
E eu não quero, b, esse que é o foda. Eu não quero seguir sem. A perna não firma, o ar não entra, o cérebro não funciona.
Volta, pelo amor de deus. Volta. Que o caminho dessa dor me atravessa.
Iraque