por que você não está ouvindo Kevin Max?
Não deve ter muita gente que acompanha o cenário gospel desde a década de 90 e não conhece dc Talk. Mas, se você nunca ouviu falar deles, vou só dizer que são icônicos e que todas as bandas gringas cristãs que você escuta hoje escutavam esses caras.
O fato de Kevin Max ter sido integrante de uma banda desse nível já é motivo para você conhecer o som dele. Mas o cara é tão bom, que você teria que dar uma olhada na música dele mesmo que o dc Talk nunca tivesse existido.
Max tem uma voz única, totalmente reconhecível e inesquecível. Sem dúvida, um tenor. Mas não me peça para explicar como ele toca as notas absurdamente graves que ele alcança, porque tenores não costumam fazer o que ele faz.
É fácil pensar em cantoras que se qualifiquem como divas. Mas e cantores homens, quais poderiam ser... divos? Se a gente pensar em cantores cristãos, então, fica mais difícil responder. O que eu sei é que não conheço nenhum cantor cristão mais indicado ao título de divo do que o Kevin.
Desde os tempos do dc Talk, Max tem a coragem de gravar faixas que consistem de acompanhamentos musicais para ele recitando poesia. Aparentemente, ele ama fazer coisas proibidas para quem não curte loucura. Mas Kevin é divo mesmo que não esteja fazendo algo tão inusitado, porque a interpretação musical dele é sempre arrebatadora. O canto dele consegue soar ao mesmo tempo super calculado e super orgânico.
Apesar de ser basicamente um roqueiro, o autointitulado Cantor Enigmático pode cantar tudo. E é basicamente o que faz em sua carreira solo. Para você ter uma ideia, o primeiro disco dele misturou rock com música eletrônica e música árabe. De brinde, teve até rap do Mike Shinoda, do Linkin Park, no meio disso tudo.
Como Kevin tem uma voz muito versátil, a discografia dele é a mais eclética que você vai encontrar no mundo gospel. Tem disco de rock, tem coletânea de músicas tradicionais cristãs com participação da Amy Grant e outros cantores, e tem disco de cover que reúne canções famosas de jazz e de musicais. Não tem muita gente que possa navegar por vários estilos sem parecer que não tem identidade musical e oferecendo sempre algo realmente bom. Mas o Kevin consegue.
Um cover do Kevin Max nunca é só a mesma coisa de sempre cantada por outro cara. É uma verdadeira releitura da canção original. Holy Night, o disco natalino dele, nem parece de natal. E eu viajei escutando Strangers in the Night, no disco Starry Eyes Surprise. Nem parece um jazz clássico – parece algo que o Kevin inventou, como tudo que ele faz, direto da Kevinlândia.
Eu poderia passar mais tempo falando dele. Mas acho melhor deixar você abrir o celular e ouvir música boa. Minha sugestão é que comece pelo EP Crashing Gates, que tem poucas faixas e vai dar uma boa ideia de quanto o Max é original, louco, e simplesmente sensacional.