â Uma moça bonita como vocĂȘ nĂŁo deveria estar bebendo sozinha. NĂŁo me dei nem ao trabalho de encarĂĄ-lo, seja quem quer que ele fosse. Apenas sorri com o canto da boca e balancei a cabeça suavemente. â Quem disse que eu estou sĂł? â NĂŁo vi ninguĂ©m ao seu redor. â Eu meio que gosto da minha prĂłpria companhia. Sabe, antes a mim mesma do que mal acompanhada. Tomei o Ășltimo gole da minha bebida e a senti aquecer meu corpo a medida que o lĂquido descia pela minha garganta, me dando coragem suficiente para finalmente encarĂĄ-lo. Ele vestia uma camisa social azul marinho, tinha a barba por fazer e os olhos centrados em mim, ainda confusos e incertos, como se me observar fosse como entrar em um campo minado. â Isso quer dizer que vocĂȘ quer que eu vĂĄ embora? Dei de ombros e pedi outra dose de whisky, logo voltando a encarĂĄ-lo. â VocĂȘ vai mesmo ficar aĂ sem fazer nada sĂł com essa cara de paisagem? â NĂŁo. AliĂĄs, vim aqui porque queria te pagar uma bebida. â Pode ficar a vontade â sorri e indiquei o bar com a mĂŁo. â Se quiser pagar minha bebida pelo resto da noite tambĂ©m nĂŁo vou me incomodar. Ele riu e encostou-se ao meu lado, colocando os cotovelos no balcĂŁo e falando alguma coisa com o barman, o qual em segundos depois trouxe nossos copos. â O meu Ă© sem gelo, nĂŁo se incomode â puxei o copo antes que ele pusesse o gelo e tomei logo um gole, minha ação sendo seguida pelos olhares dos dois. â Isso aĂ nĂŁo Ă© forte demais nĂŁo? â Eu tambĂ©m sou, nĂŁo precisa se preocupar â sorri de um modo desafiador e depois ergui a sobrancelha. â VocĂȘ ainda nĂŁo me disse seu nome. â Arthur. Muito prazer â sorriu e me deu um beijo perto do canto da boca, fazendo com que eu sentisse a mistura de nicotina e ĂĄlcool no seu hĂĄlito. â E vocĂȘ? Como se chama? â Gabriela. â Nome bonito⊠Mas nĂŁo tĂŁo bonito quanto a cor dos seus olhos. â Muito obrigada, mas eles sĂŁo castanhos. Comumente castanhos. â Ă aĂ que vocĂȘ se engana â ele sorriu e eu vi um brilho passar pelos olhos deles de relance, fazendo com que eu fixasse o meu olhar no dele. â Eles sĂŁo tĂŁo escuros quanto a noite. Olhos como os seus sĂŁo a inspiração de centenas de poemas. Um sorriso tĂmido brotou no canto dos meus lĂĄbios e eu deixei meus olhos o acompanharem, fazendo com que eles ficassem pequenos a medida que o sorriso se expandia e eu tirava meu olhar dele para o chĂŁo, sentindo minhas bochechas começarem a queimar. â VocĂȘ atĂ© que sabe o que dizer quando abre a boca⊠Nada mal â dei outro gole na minha bebida, ainda sem encarĂĄ-lo. â Eu consigo fazer certas coisas com a minha boca que te deixariam impressionada, na realidade. Deixei uma risada escapar pelo meu nariz, voltando meus olhos aos dele com uma expressĂŁo leve, como se tivesse me divertindo muito com aquilo. â Acho bom vocĂȘ ficar logo sabendo que eu nĂŁo sou uma pessoa fĂĄcil de se impressionar. â Acho que vocĂȘ deveria experimentar e depois me dizer se vocĂȘ ainda continua firme com esse pensamento ou nĂŁo, o que vocĂȘ me diz? Ele começou a se aproximar aos poucos e eu apenas dei de ombros, concordando. Um instante apĂłs minha confirmação nossos lĂĄbios rasparam um no outro, a respiração quente dele batendo contra o meu rosto. Ele estava me provocando, medindo a minha vontade por ele nos instantes que os seus lĂĄbios ficaram a centĂmetros dos meus e uma das suas mĂŁos segurava firmemente a minha cintura e a outra acariciava meu rosto. Sorri e fiz o caminho dos meus braços atĂ© o pescoço dele, deixando meus dedos brincarem livremente pelos cachos do seu cabelo. Quando nossos lĂĄbios finalmente se encostaram, meu corpo pareceu explodir silenciosamente, com todas as minhas terminaçÔes nervosas liberando pequenas quantidades de eletricidade, deixando meu corpo em uma sensação boa de dormĂȘncia. Apertei-o contra mim e ele moveu a mĂŁo que se encontrava no meu rosto para a minha cintura, pressionando-as. Ele mordeu meu lĂĄbio inferior, puxando-o suavemente e eu nĂŁo consegui conter um sorriso. Ele sabia exatamente como fazer daquilo um jogo de resistĂȘncia; levar-me a sĂł querer mais e mais dele, mas sem que eu pudesse deixar transparecer.
Acasos, Rafaela Tompson.














