Para refletir
"Dia desses, caminhando no shopping, vi um menino girar, girar, girar até ficar tonto. Ele ria ao tentar se equilibrar. A mãe gritava: “menino, você vai cair!” Ele não caiu, mas eu sim. Caí na real.
Somos, desde sempre, dependentes dessa sensação ébria, dessa quase loucura. Estamos eternamente em busca de modificadores de percepção. Algo além do sabor, tato, olfato, audição ou da visão.
Hoje de manhã ouvi a notícia de que a maconha foi legalizada no Uruguai. Pensei: que loucura! Depois repensei: que sensato! É incrível por que ainda são poucos os que entendem essa loucura como sensatez.
Passamos uma vida inteira vendo a maconha como um demônio, algo de outro mundo (apesar de ser uma planta), e aprendemos a ver o álcool como símbolo de alegria. Entendo que não seja tão simples quanto mudar uma chave no cérebro, mas somos criaturas com potencial para o raciocínio. Acreditem.
Vamos tentar imaginar que, no Brasil, ao invés de liberar a maconha, resolvessem proibir o consumo do álcool (pasmem, o álcool é uma droga). Vamos pensar em algumas possíveis consequências:
- O país seria tomado por centenas de “marchas da birita”, com milhares de pessoas revoltadas;
- A Ambev e outras empresas do ramo se associariam a figuras como Beira Mar para garantir a distribuição;
- Incrível alta nas ações do setor de perfumaria e produtos de limpeza; - o estado de Minas Gerais proclamaria independência e se tornaria a “Holanda da cachaça”;
- Você, seu pai, sua mãe, irmãos, tios e amigos teriam que subir o morro pra comprar uma “piriguete” (cerveja em lata de 250ml);
- Torcer para um time de futebol perderia 80% de sua graça;
- O carnaval deixaria de existir.
Claro que essa é uma hipótese utópica. Piadas à parte, os dados em relação aos prejuízos (sociais e à saúde) causados pelo consumo do álcool superam os da maconha em números incríveis (vide Google e cuidado com as fontes). E não se trata de transformar um em vilão e o outro em herói. Prejuízos à saúde, até o açúcar que é docinho causa. Falo de sensatez. Reconhecer a dor e a delícia de cada coisa e decidir o que é melhor pra si. Sempre que penso sobre, tento visualizar de que forma tratarei desse assunto com os meus filhos (que ainda não tenho). Penso que, cada vez mais, só me resta ser sincero, livrá-los da grande droga que é o consumismo irracional, as intolerâncias sexual, racial e social. Por fim, observar e aprender com eles, para que possa protegê-los do que ainda está por vir.
O fato é que o ser humano é insaciável por natureza. Estamos sempre em busca de respostas concretas sobre a nossa existência ou qualquer paliativo que nos sacie: seja uma religião, um amor, uma birita, um chá, um pó, um ar ou mesmo um lugar onde possamos girar, girar, girar até ficarmos tontos. "
Autor Desconhecido











