Definitely: a night to remember.
Diana. Diana machucada. Diana triste. Di. Pobre Di... Era a única coisa que eu conseguia pensar quando saí da enfermaria depois de me despedir da garota na enfermaria. Eu tinha a impressão que não a veria mais, mas isso é besteira, o Ryan estava lá, e eu tenho certeza que ele se importa o suficiente para não deixar nada de ruim acontecer.
Como Willow podia ser amigo daquele... verme! Até pensar nele me deixava enojado. Ele merecia muito mais do que o karma iria trazer. Sinto muito universo, que dessa vez, não confiei em você.
Fui recolhendo as pessoas pelas quais seria responsável hoje: Will beijando Chris como se ele fosse desaparecer no instante seguinte, Ronan preso numa gravata como se fosse a própria corrente de prisão, com uma cara de mau-humor pior do que o normal, e Alice.
Ah Alice... Ela estava incrível. Realmente, ela sabia o que vestir. E ficava muito bem com os cabelos loiros caindo nos ombros a mostra pelo corte da roupa. Imagino o que Willow usaria se pudesse estar aqui... JAMES! Seu par é Alice, não falte com respeito com ela, nem mesmo em pensamentos.
Juntei todos, consegui por ordem e fazê-los chegar inteiros no local da festa. Um salão enorme, com várias mesas redondas decoradas com toalhas (nunca todas brancas, fica brega, dizia minha mãe), pratos, guardanapos de pano com dobras bonitas, taças caras, flores e velas estavam colocadas. O lustre balançava na altura do andar de cima, brilhando os cristais. Um quarteto de cordas tocava musica ambiente num canto enquanto convidados chegavam de várias formas: carros, limusines, aparatando ou em carruagens mágicas. Era uma grande exibição de luxo. Ou o que eu reconhecia como: festa na casa de meus pais.
“E lá vem o meu caçula!” Exclamou minha mãe a um grupo de engravatados. Possivelmente importantes. Eu já passei por tantos olhares que já não me importo, meus amigos já se acostumaram, só Alice e Chris eram novos nisso. Ofereci meu braço de apoio para Alice. Willow estaria surtando com toda essa atenção.
Falei com meus pais, parabenizei meu cunhado e minha irmã, que prontamente encheu Alice e Chris de perguntas. Das quais eu claramente tive que salvá-los, antes que Will gritasse um basta, por que Chris parecia que iria sumir a qualquer momento.
“James.” Chamou meu pai, seriamente. Do lado dele, uma figura imponente de cavanhaque e bigode. Ajeitei a postura. Como eu preferia estar buscando os fantasmas em Hogwarts com Willow. FOCO.
“Olá, o senhor deve ser Albert Moore?” Falei em minha melhor voz de bom candidato, sorrindo em seguida. “Meu pai me falou muito sobre você!”. Mentira. Meu pai havia me mandado uma carta dois dias antes para que eu pudesse estudar toda a empresa do homem e me preparar para o encontro. Albert me passou um copo de whisky.
“Que coincidência, seu pai tem falado muito sobre você também, James O’Brien.” Apertamos as mãos. “Soube que você já é um exímio administrador?” Segurei o impulso de rolar os olhos, pegar a mão de Alice e dar o fora dali agora mesmo. Ronan já tinha feito isso. Will tinha se afastado com Chris.
“Claro. Não como meus pais, ou o senhor, obviamente.” Demostre confiança, mas não prepotência. Os ensinamentos do pai passavam pela cabeça. Tomei um gole do whisky que geralmente não aceitaria. Era caro e provavelmente com um alto teor alcoólico.
“O sr. Moore estava me contando sobre como via você em sua empresa. Seria um ótimo destino, filho.” Se eu quisesse morrer de tédio, bem que seria. James, foco! Varias pessoas dariam de tudo por essa oportunidade.
“Sim, é verdade.” Concordei, lembrando do que Alice tinha me dito antes, sobre o futuro ser meu, não dos meus pais. Não me ajudava em nada ficar pensando nisso agora. Busquei seu braço novamente como forma de conforto. “Sr. Moore, pai...” acenei com a cabeça. “Sei que temos muito o que conversar, mas não acho apropriado encher minha dama esta noite com essas conversas agora.” Busquei o olhar de Alice. Espero que ela entenda que não estou a diminuindo, mas tentando fugir desse lugar.
De um jeito ou de outro, deu certo. Meu pai tentou me segurar mais um tempo, mas Albert fez questão de que eu fosse “fazer o que os jovens fazem”. Seja lá o que isso for.
Alice era uma companhia incrível, o papo nunca morria, o que era ótimo para manter minha cabeça funcionando e distraída. Ela também era fã de álcool o que me fez tomar um pouco mais do que acho que deveria..., mas não é culpa dela, eu comecei aceitando aquele whisky. Dançamos musica lenta e valsa, que para mim eram as coisas mais fáceis a se fazer, já que eu havia sido treinado. Na hora dos brindes, fiz um discurso um pouco mais longo do que o programado, minha cabeça estava um pouco embaralhada, mas eu conhecia minha irmã desde sempre, não havia sido difícil achar histórias para contar para emocionar e divertir os convidados. Will puxaria aplausos de toda forma.
Quando a música mudou, começando um DJ, foi que eu precisei de um pouco de álcool demais para acompanhar Alice na pista de dança. Mas e daí? Eu estava me divertindo. Não pensava em Diana, nem em Josh, nem em Albert, ou em Ronan. Eu via ela se mexer, os cabelos loiros girando de um lado para o outro, o corpo formar ondas e formas. Ela era realmente muito bonita. Pareceu uma ideia inteligente beijá-la. E até foi, até ela se tocar do que estava acontecendo e me negar.
“Acho que aquele ultimo drink foi um pouco demais para nós dois.” Alice disse, me puxando para o jardim. Perto da fonte tinha um casal aos beijos, ela simplesmente os enxotou.
Talvez tenha sido melhor assim, minha cabeça estava confusa e eu não parava de embaralhar tudo. Eu realmente bebi mais do que deveria. Mas Alice parecia estar com mais consciência que eu.
“Não vamos fazer algo de que nos arrependeríamos.” Ela afirmou quando nos sentamos na fonte. Eu sempre gostei dessa fonte, meu sonho de criança era nadar nela. Mas mesmo quando só haviam os empregados em casa, meus pais não permitiam. Imagem era tudo. Eles faziam do “tudo” algo muito simplório.
Conversamos por no mínimo uma hora, na qual todo o clima estranho que tinha se formado desapareceu. Era confortável conversar com Alice, eu devo ter confundido as coisas por isso... por que ela é tão divertida quanto a Willow.
“Alice...” Ela assentiu, bebericando de um drink de fruta que estávamos dividindo. “Desculpe ter te beijado. É que... você é divertida, e bonita, e me lembra uma pessoa.” O que Willow tinha dito antes? Elas eram amigas? “Vocês são... amigas, eu acho?” Ela riu um pouco, acho que eu devo ter feito uma cara engraçada. Ri também, eu não estava ligando muito para muita coisa. “Lila.” Continuei. Ela fez uma cara de confusão enquanto sugava a bebida pelo canudo. Ah, só eu sei desse apelido. “Willow”.
Agora o rosto dela mudou.
“Willow?!” Para minha surpresa, ela sorriu. “Ela é ótima. É minha amiga, realmente.” Alice parecia pronta para fazer uma piada, quando afirmou: “E namora o Elijah”. Automaticamente o sorriso dela sumiu, juntamente com o meu. Seria pena no olhar dela, enquanto mexia com o canudo no copo? “É realmente uma pena”. Ela voltou a sorrir educadamente, apoiando uma mão no meu ombro.
“É difícil por que eu respeito o relacionamento dela, mas ela é sempre tão linda... E nunca temos silêncios constrangedores, e ela me leva para um universo que eu sei que eu não posso ter...” Era tudo verdade. Willa era linda, tinha um sorriso de me arrebatava e fazia eu me sentir em casa, desde o ano novo, quando nossas mãos ficaram tempo demais juntas. Ah, segurar as mãos de Willow era uma sensação inexplicável, por que nunca ficava desconfortável, tanto que eu podia esquecer minha mão na dela por horas, em nosso pequeno mundo de aventuras. O universo tinha me acertado em cheio com ela, e a deixou num pedestal tão alto e inacessível.
Quando me dei por mim novamente, eu já estava a muito tempo deitado na beira da fonte, a água havia salpicado meu terno inteiro, a gravata estava amarrada no meu pulso, meu cabelo estava bagunçado e os óculos sujos. Alice estava falando comigo, mas eu sinceramente nem lembro sobre o que. A única coisa que realmente me fez sair do transe foi a voz decepcionada na minha mãe.
Levantei num pulo, derrubando o copo de vidro de Alice, que se espatifou no chão, sujando meus sapatos. Com olhares sérios e reprovadores estavam meus pais de braços dados, impecáveis, como começaram a festa. Logo atrás dele, Albert e sua esposa que meu pai havia me dito o nome, mas agora eu já tinha jogado para alguma lixeira intitulada “foda-se, estou bêbado”.
“Sim, senhor pai!” Falei com um tanto de deboche que automaticamente meu pai repreendeu com veemência. Eu já estava deplorável mesmo. Minha mãe estava horrorizada.
“Você está bêbado?” Meu pai disse bêbado com um nojo incomparável. “Eu achei que tivesse deixado claro quão importante seria esse encontro!”
“Ahhh sim, como todos os outros na minha vida, por que eu vou ser brilhante, um grande político, ou empresário, ou qualquer porcaria que usa ternos e gravatas o tempo todo.” Uma pequena parte de mim sabia que eu estava passando dos limites, mas todo o resto sentia uma euforia enorme nisso. Talvez fosse o álcool. Talvez essa fosse a prova de que eu estava fazendo merda. “Por que ah, a empresa do Albert Moore é perfeita para mim, mas basta uma mais rica aparecer e ela ser moldada para o caçula da família O’Brien. Assim como o partido da família, e os senadores, e todos os importantes cargos de assessor! Me desculpe, Sr. Albert, ou Joseph, ou Philip, ou qualquer um dos que eu falei animadamente hoje, os únicos interessados SÃO MEUS PAIS!”
Eu vi minha mãe soltando do braço do meu pai, sem chorar claro, eles não podiam mostrar reações. Não na frente dos convidados. Ela os conduziu de volta para a festa, dizendo que havia algum vinho ou prato ou sobremesa magnifica que eles tinham que provar.
Sinto muito que você esteja vendo isso Alice. Pensei.
“James, você está envergonhando nossa família. Está envergonhando a todos na festa da sua irmã.” As palavras do meu pai eram poucas, mas doíam.
“Sabe, pai? Sabe o que eu acho sobre toda essa porcaria? De imagem? De porcentagem de votos, de campanha? Uma enorme pilha de mentiras. Nada disso faz o coração de ninguém bater mais rápido, e é por isso que eu tenho plena convicção de que eu odeio tudo isso. É estúpido e imoral!”
“O que está acontecendo, James? É essa garota?” Ah, agora ele ia ouvir algo.
“CLARO! Por que sempre que eu tento expressar algo realmente nessa casa é culpa de alguém. Culpa de Ronan que não se encaixa, culpa de William que é muito escandaloso, culpa da Alice DEUS SABE POR QUAL MOTIVO!” Sem perceber, em meio aos gritos, as lágrimas começaram a escorrer em meu rosto. “Vá em frente, vá lá dentro, diga a eles que eu só estou bêbado, que é culpa de alguém, da mídia, da internet. Salve seus patrocínios, acordos e negócios.”
“James...” Quem me chamou dessa vez foi, para minha surpresa, minha irmã. Jessica estava com um vestido diferente do que usou mais cedo, estava com um mais curto, e surpreendentemente não parecia brava. Ela se aproximou e tapou meu campo de visão, impedindo de ver meu pai saindo com a expressão de decepção que doía mais do que qualquer sermão. “Saia daqui, irmãozinho. Não estou te expulsando, mas eu sei que seu coração não está aqui.” Ela sorriu um tanto magoada. “Preferia que essa cena tivesse ocorrido em qualquer outro lugar, mas...” Ela segurou meu rosto nas mãos. “Vá, eu sei que não tem mais nada para ver aqui.”
Eu senti meus joelhos ficarem fracos ao ver Jessica voltar para a festa, de cabeça alta, pronta para lidar com meus pais. Mas no mesmo instante, senti os braços fortes e familiares me segurando. Ronan. Todos podiam falar o que quisessem sobre ele, mas ele sempre estava lá para me apoiar. Daí vi William, correndo como o diabo foge da cruz, provavelmente ao ouvir o boato crescendo de que eu havia me tornado a ovelha negra. Christoffer vinha em seu encalço, um pouco menos afobado. Virei o rosto de vi Alice, com o rosto preocupado.
Eu podia estar desmoronando de todos os lados, mas pelo menos não estava só.