Entrevista traduzida do New Music Monday
Link para a entrevista original aqui.
Cecilia: Olá, eu sou Cecilia Andersen.
Gabrielle: E eu Gabrielle Powell, e vocês estão ouvindo “New Music Monday”.
C: Hoje nós temos o Jake Bugg como convidado.
(pausa para “Taste it” tocar)
G: Você está aqui (nos EUA), e você vai fazer um show no Pabst Theater em Milwaukee em breve, e Cecília, você tinha uma pergunta sobre isso...
C: Sim. Voltando em 2014, você tinha acabado de fazer um show no Summer Fest e agora, anos depois, você subiu de nível e vai fazer um show no Pabst. Você pode falar sobre como foi isso de chegar ao sucesso ainda tão jovem?
Jake: Uhm, bem, é... Eu não sei muito a diferença, pra ser honesto, de quando eu estava escola com 16 e depois com 17 ter assinado o contrato, minha vida foi assim desde então, sou como os outros caras.
C: Você aborda o sucesso de uma forma diferente agora que você está no mundo da música, agora que você tem 22 anos?
J: Uhm, bem, eu só estou meio que fazendo o que eu gosto, eu não vejo muito como sucesso ou nada do tipo, eu só estou fazendo o que faço e gosto de tocar. Eu não acredito que exista “o músico mais falho do mundo”, eu não acho que ninguém seja um músico falho, eles só gostam de tocar a música que eles tocam. Alguns podem ser melhores que outros, mas no final é tudo sobre fazer o que você gosta.
C: Você acha que você gosta da performance, da persona, de ser um artista, ou você acha que é mais tipo um Van Morisson, sem saco pras pessoas, pra parte da performance?
J: Não, eu gosto de sair e tocar minhas músicas, eu sinto que eu posso ser eu mesmo, eu não preciso inventar uma persona ou nada do tipo, eu só faço o que eu gosto e as pessoas querem vir e fazer parte disso e quanto mais, melhor.
G: Saindo da pergunta da Cecília, qual sua música favorita de cada álbum para tocar pras pessoas e por quê?
J: Do primeiro álbum, eu acho que uma música chamada “Broken”, eu gosto de tocar essa música porque as pessoas cantam junto, é um momento especial no show pra mim. No segundo álbum eu gosto de tocar “Slumville sunrise” porque ela faz as pessoas se mexerem, entrarem no ritmo e isso é bem legal; e nesse novo álbum tem uma música chamada “The Love We’re Hoping For”, eu sempre quis uma música que soasse meio como costa oeste, mas que também fosse meio obscura, e então essa música surgiu e eu fiquei feliz com isso.
G: Sim, e parece que esse novo álbum é como um desvio dos seus trabalhos anteriores, qual foi o motivo dessa mudança no seu som?
J: Bom, eu acho que música tem que ser sobre isso, sobre tentar coisas novas. Tem muitas pessoas por ai que lançam uma música e porque elas fazem sucesso eles imitam essa mesma música, eu queria dizer que isso não é muito certo, mas tem gente que faz. Mas eu não gosto de falar por fórmulas, quando se trata de escrever música eu gosto de mudar um pouco as coisas.
G: É, eu acho que On My One definitivamente nos chocou com suas habilidades de escrever em vários gêneros. Mais pra frente nós vamos ver mais desse trabalho eclético, ou nós vamos ver uma abordagem mais focada? Você achou alguma coisa, uma ou duas músicas em On My One que fez você mergulhar em um novo gênero que você gostaria de explorar mais, ou vamos ver algo mais eclético?
J: Bom, eu não sei. Eu não gosto de estar ciente sobre qual o tipo que música que eu vou escrever ou estou escrevendo, eu só sento e toco um instrumento e vejo o que acontece, e aconteceu isso nesse álbum. Mas pode acontecer de alguma vez eu ir pro estúdio e toque uma música que tenha um estilo country, você nunca sabe... Depende do dia, do sentimento, é meio inconsciente isso com as músicas.
G: Isso é muito respeitável.
J: Eu sempre senti que era bom ter pessoas por perto, apoiando, com ideias sobre o que tocar. Mas nesse álbum eu meio que não tive ninguém pra ficar do meu lado, é por isso que foi legal trabalhar com coautores. E eu aprendi muito trabalhando com essas pessoas, então pensei que era hora de me testar, me desafiar, e eu acho que eu aprendi coisas durante o processo de criação também.
C: Eu tenho uma pergunta sobre Ain’t no Rhyme, especificamente. Você fez um pouco de rap nessa música, você acha que isso meio que fez você sair da sua zona de conforto um pouco, entrando nesse gênero?
J: Bom, eu não acho que eu entrei de verdade nesse gênero, eu sei que eu não sou rapper de jeito nenhum... Eu só estava no estúdio me divertindo um pouco, nunca pensei que essa música entraria no álbum, mas então meus amigos ficaram “ah, você tem que por essa música, tem que por sim” e eu ficava meio “ah, eu não sei não”. Parece que eles gostaram da música, mas não tem como eu fazer rap ou entrar no mundo do hip-hop, isso é certo.
C: Você acha que vai ter mais rap nos próximos álbuns?
J: Hm, eu não sei... Eu fico impressionado que tem pessoas que odeiam uma música, e pessoas que realmente amam a mesma música, então eu não sei...
G: Você nunca pareceu ser alguém que liga muito pro que os outros pensam; você pode falar um pouco como isso influencia sua música? Como você luta contra a pressão de fora?
J: A verdade é que ninguém nunca vai me pressionar mais do que eu mesmo me pressiono. Eu espero bons resultados de mim, porque eu só quero fazer músicas e eu não posso deixar que opiniões de fora, opiniões não construtivas, me influenciem.
C: Uma de suas músicas foi destaque no filme “A Culpa É das Estrelas”. Você gosta da escrita do John Green?
J: Eu não faço a mínima ideia de quem seja John Green.
C: (risos) Foi ele quem escreveu o livro que inspirou o filme.
J: Eu não faço ideia de que livro ou filme seja esse, mas eu sei que minha música estava no filme e isso fez com que muitas pessoas descobrissem meu trabalho, então eu sou muito grato pelo filme e pelo livro dele.
C: Então o que o Jake Bugg está lendo?
J: O que eu estou lendo? (risos) Eu estou lendo um pouco de Hasiod, que é meio que... Uma coisa que é chamada Theogony (não foi possível ouvir muito bem o que ele disse aqui), é tipo mitologia grega, essas coisas. Tem histórias boas, um pouco de filosofia. Não é pra nada mesmo, é só que tem uns bons livros e etc, eu não estou estudando nem nada do tipo.
C: (risos) É interessante! Você acha que você incorpora as coisas que você lê na sua música? Tipo, você é influenciado por outros trabalhos?
J: Eu acho que sim, eu acho que é bom explorar coisas diferentes, diferentes tipos de trabalho das pessoas, e melhorar o vocabulário é sempre bom. Subconscientemente, em algum lugar, você aprende uma coisa ou duas, e isso pode aparecer nas músicas. Eu gosto de pensar assim.
G: Certo. Eu tenho uma pergunta... A gente estava pensando se você acredita em fantasmas. Jake Bugg acredita em fantasmas?
J: Se eu acredito em fantasmas? Eu acredito que se tem alguma coisa parecida com fantasma, essa coisa provavelmente tem a ver com dimensões. Se nós sabemos sobre o universo e sobre como o tempo funciona, então às vezes as dimensões podem se repetir, e é por isso que as pessoas acham que viram um fantasma, mas é só uma outra dimensão se repetindo. Essa é a minha teoria.
C: Muito interessante. Outra pergunta: você gosta de música Country?
J: Eu amo música Country. Pra mim, quando a música é boa, é o melhor gênero musical. E quando a música é ruim, é o pior gênero do mundo, eu até ouviria pop contemporâneo mais do que isso. Tudo que passou de 1979 não é uma boa música Country, na minha humilde opinião. Mas eu amo coisas do tipo Tammy Wynette, Slim Whitman, Don Gibson. Todos esses caras e senhoras.
C: Qual foi a melhor interação que você já teve com um fã?
J: É sempre como... Recentemente tive experiências com pessoas que me disseram que passaram por problemas com drogas e coisas assim, e às vezes quando você ouve que sua música ajudou essas pessoas a saírem dessa situação, é muito inspirador. Tipo, quando as pessoas dizem “ah, o show foi ótimo” ou “eu amo sua música”, é bom. Mas quando alguém diz você os ajudou ou os inspirou a fazer isso e aquilo, é o que me inspira a continuar tocando e escrevendo música pras pessoas.
C: Você sente falta da sua casa, da sua cidade?
J: Não.
C: Não?
J: Não.
C: Pra você, qual é a melhor coisa da sua cidade natal?
J: Só as pessoas, as pessoas que eu conheço. Essa é a única coisa boa. Meus amigos e minha família.
G: Então, On My One foi lançado em 17 de julho, e nos últimos meses como você sentiu que o público reagiu ao seu trabalho?
J: Bom, os fãs sentiram... Bom, tem sempre alguns fãs de antes que se sentiram traídos devido ao tanto que esse CD é diferente dos anteriores. Eles só querem que eu cante o que eles querem ouvir, o que não é o que eu vou fazer, mas parece que outros fãs gostaram. Os shows estão indo bem, os festivais na Europa também. Parece que os fãs gostaram e isso é tudo que importa.
G: Sim, porque eu vi que Lorna Snapes, do Pitchfork, escreveu uma crítica maldosa sobre On My One, e pra mim parece que a maior crítica dela foi que o álbum não era autentico. E na minha opinião, o seu trabalho todo foi sobre ser autentico... Como você responde pessoas que criticam seu trabalho dessa forma?
J: Bom, primeiramente, eu não presto muita atenção nisso, eles podem dizer que eu sou ou não autentico, que não posso cantar. Mas no fim das contas, eu sou só um cara que gosta de tocar música, de cantar e é isso. Eu não tento ser nada mais. Eu não estou buscando por credibilidade, ou por pessoas morrendo de vontade de ouvir música nova dizendo “ah, ele é autentico”, e por causa disso, elas criticam outras pessoas no passado. Eu só gosto de tocar e cantar, isso é tudo.
G: Certo. Eu acho que essas eram as perguntas, a entrevista vai ao ar no segmento do “New Music Monday”. Obrigada.
C: Perfeito! Muito obrigada!
J: Muito bom falar com vocês, ótima entrevista. Obrigado!










