CapĂtulo 11
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“SaĂ da sua casa e estava andando atĂ© o carro do Smith quando notei que ele nĂŁo estava dentro. Estava preparada para voltar atĂ© a casa de Santiago quando vários homens de capuz saĂram tanto do carro de Smith quanto de outros carros que estavam estacionados. Todos estavam armados. E Smith estava algemado e amordaçado sendo segurado por dois dos vários homens.
- Pensou que eu ia deixar isso barato, senhora Malik? – ao ouvir essa frase eu só pensava em uma coisa: eu estava completamente fodida e com um pé dentro do caixão.”
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Virei-me lentamente para encarar quem tinha acabado de falar e a confusão não poderia ter sido maior. Quem era ele? Não tive tempo de correr, até porque minhas pernas estavam fincadas no chão. Eu estava muito assustada. Smith tentava a todo custo se soltar das grandes mãos dos homens, mas era em vão. Fui segurava por um homem que surgiu do nada atrás de mim, tente me soltar também em vão.
- O seu marido vai ter uma grande surpresa hoje. – riu diabolicamente.
- Quem Ă© vocĂŞ?
- Uh! – pareceu surpreso. – Não me conhece? Como assim, senhora Malik?
- Não, não faço ideia de quem você seja. E se você tem algum problema com o Zayn eu sugiro que vá resolver com o próprio porque não estou mais com ele. – o desgraçado riu.
- Eu sabia disso. E confesso que eu fico muito triste por vocês dois porque eu sei que aquele filho da puta ama você.  – debochou. – Mas sabe... – aproximou-se e segurou forte em meu queixo. – É justamente por isso que tudo o que eu planejei vai ficar melhor ainda. Eu não faria alguma coisa com você se isso não surtisse algum efeito, não é mesmo?
- Desgraçado.
- Adoro mulheres bravas. – deu duas tapas fracas em minha bochecha direita. – Os coloquem no carro. – aproximou-se do meu ouvido. – Tem uma surpresinha pra você lá dentro.
- Solte o Smith! – gritei quando ele se distanciou. – Ele não tem ligação nenhuma com o Zayn.
- O franguinho aĂ veio de brinde. Mas ele vai servir de alguma coisa. – tirou a mordaça de Smith que assim que teve sua boca livre tratou de cuspir no homem. – Talvez vocĂŞ sirva pra ter a orelha retirada e mostrar ao Zayn que eu nĂŁo estou brincando. – puxou o cabelo de Smith e chutou suas partes Ăntimas.
- VocĂŞ nĂŁo...
- VocĂŞ nĂŁo está no direito de exigir nada, (s/n)! – gritou. – Entre logo nessa porra antes que eu cale vocĂŞ do jeito mais doloroso possĂvel.
Fui arrastada pra dentro do carro enquanto ouvia os protestos de Smith. Eu tentava pensar que tudo ficaria bem, mas estava um pouco difĂcil. Talvez ele nĂŁo mandasse ninguĂ©m me matar porque se conhece o Zayn tĂŁo bem como parece ele sabe que meu marido acabaria com todos da sua famĂlia e sua descendĂŞncia.
- Mamãe? – uma voz chorosa ecoou desesperada. Gelei ao ouvir.
- Joe? – gritei fazendo força pra soltar-me do sósia do Jason Momoa e poder acalmar meu filho que estava encolhido no canto do carro.
- Solta ela. - o desgraçado disse e eu rapidamente fiquei livre das grandes mãos. Abracei Joe com todas as minhas forças.
- O que está acontecendo, mãe?
- Vai ficar tudo bem. – disse com a voz trêmula enquanto acariciava os seus cabelos. Smith foi colocado atrás da gente. Ele parecia sonolento, com certeza foi dopado. – Estamos juntos, eu não vou deixar que nada aconteça com você, meu amor.
- Eu te disse que ia trazer sua mamĂŁe, Joe. – ele riu debochado. – Vamos para casa. – olhou para nĂłs dois e sorriu. – Minha linda famĂlia feliz. Uma pena eu nĂŁo ter conseguido pegar o pequeninho.
- Filho da puta! – tentei pular para o banco da frente, mas fui impedido pelo seu capanga.
- Não faça mais isso, (s/n)! – repreendeu-me em tom de brincadeira. – Você não quer se machucar, não é? – levantou uma faca. Joe se encolheu em meus braços quando me sentei novamente. – Muito bem, minha linda.
- Meu pai vai pegar você. – Joe disse raivoso. Olhei-o assustada. – Você não vai fazer nada com a mamãe. Eu não vou deixar. – o homem riu.
- Vejo que Zayn educou bem essa criança. Pelo menos isso. – olhou o celular. – Oh! Falando nele... – apertou alguma coisa no celular que fez a voz esganiçada de Zayn ecoar pelo local.
“Se vocĂŞ fizer alguma coisa com a minha mulher e o meu filho eu vou acabar com vocĂŞ, com a sua famĂlia e com todos os Kavanagh que surgirem nesse mundo!”
- Devia ter pensando antes, Malik. – dizia olhando pra mim pelo retrovisor. – Aprenda que não se deve olhar ou mexer com a mulher dos outros. Estou só retribuindo a gentileza.
Agora tudo fazia sentido. Eu sabia que a Zoe ou Audrey era casada. Então esse é o marido dela. Ela era casada com um dos maiores empresários do ramo imobiliário. Ele queria vingança pela morte da esposa. E ele disse que vai retribuir a gentileza...
- Sabe quem eu sou agora, senhora Malilk? – perguntou. Seu olhar transmitia toda a raiva.
- E-eu... Eu nĂŁo tenho nada a ver com o Zayn faz.
- Eu sei, minha querida. – o carro parou. – Mas tem que sobrar pra alguém, não é? – Joe me abraçou apertado pela cintura.
- Vai ficar tudo bem. – sussurrei pra ele enquanto beijava sua testa.
- Retirem esse encosto daà e o deixem no porão. (s/n) e Joe vão ficar no quarto de hospedes. – deu as ordens e olhou pra mim. – Coloque a roupa que está em cima da cama. Tem um quarto dentro do quarto de hospedes e você pode usar pra deixar o Joe.
- Qual Ă© o seu plano?
- Se eu contar não tem graça, docinho. – tocou em meu queixo, mas eu me desvencilhei. – Levem eles.
[...]
Eu me olhava naquele espelho e não me via ali. Aquilo era tão surreal, eu nunca imaginei que aconteceria. Claro que eu corria o risco de servir de isca para o Zayn ou de morrer pra vingar alguma coisa que ele fez como está acontecendo agora, mas só pelo fato de ser tão protegida por ele eu nunca pensei que viesse ocorrer de verdade. Sempre achei que estava num castelo e os demais eram os plebeus que não tinham forças contra os reis do lugar. E agora eu estou aqui envolta por um vestido branco com um decote humilhante, saltos altos, batom vermelho sangue... Estava tudo tão pesado que chegava a ser vulgar.
- Mamãe... – Joe chamou receoso. – Nós vamos morrer?
- Não! – disse imediatamente e fui até ele. – Seu pai e eu não vamos deixar.
- Mas ele vai fazer alguma coisa pra vocĂŞ?
- NĂŁo, nĂŁo vai.
- E por que você vai vestida assim falar com ele? – fez careta.
- Porque eu tenho que agradar o psicopata, não tenho? – perguntei fazendo menção aos filmes que Joe assistia. Ele riu.
- Tem. – remexeu seu bolso. – Toma isso. – entregou-me uma faquinha.
- Joe! Aonde vocĂŞ pegou isso?
- Eu sempre ando com isso, mĂŁe.
- E por quĂŞ?
- Porque primeiro que eu sou um escoteiro. Segundo porque o papai pediu. – deu de ombros. – Agora está servindo, não está? – fechei os olhos e respirei fundo. Pior que está.
- VocĂŞ tem que se proteger. Fique com ela.
- Eu tenho outra aqui.
- Meu Deus do céu, Joe. O que mais você tem nos bolsos? – falei baixo fazendo-o rir.
- SĂł isso, infelizmente.
- Você é um anjinho, filho. – beijei sua testa. – Volto já. – quando eu ia levantar ele segurou minha mão.
- Se ele tentar alguma coisa vocĂŞ acerta ele, mamĂŁe.
- NĂŁo se preocupe.
Desci a escada nervosa tentando não errar um degrau e cair dali. Eu estava muito mal, podia desmaiar de nervosismo a qualquer momento. Os seguranças me seguiam a cada passo dado.
- Acho que você precisa saber meu nome. – ele estava de costas.
- Milton Kavanagh. – ele riu satisfeito.
- Eu nĂŁo sou um homem ruim, (s/a).
- Não? – ri debochada e nervosa sentando-me de frente para a cadeira que ele estava. Milton virou-se.
- Não. Seu marido que causou tudo isso. – deu de ombros. – Acho que você percebeu o bosta que ele é e por isso pediu o divórcio.
- Também. Pedi o divórcio porque ele me traiu com sua esposa.
- Ele nĂŁo precisava ter matado ela.
- Eu sei. – concordei. Era verdade. Eu atĂ© tinha desejado a morte dela, mas isso nĂŁo Ă© saĂda para ninguĂ©m. – Sinto muito.
- Sabe (s/n)... Você não é ruim. – ele levantou-se e me deu vinho. Fiquei receosa em tomar, mas não tinha outro jeito. – A principio eu estava pensando em te matar. – suspirou. – Mas eu pesquisei sobre você, meus detetives te seguiram, eu acompanhei sua vida por um tempo e mudei de ideia. Eu não vou fazer nada com você e nem com seus filhos.
- E o...
- O Smith tambĂ©m nĂŁo. Sei que ele Ă© seu amigo. VocĂŞ Ă© tĂŁo vĂtima quanto eu nessa histĂłria. Zoe nĂŁo era santa, me traiu muito, me roubou muito, mas eu a amava. – sentou-se com seu copo de whisky em mĂŁos. – Meu problema Ă© com o Zayn.
- E porque você fez isso? Meu filho está apavorado.
- Desculpe. Minha intenção é apenas assustá-lo.
- Como posso confiar em vocĂŞ?
- Não precisa confiar em mim. Só... Fique tranquila. Se eu quisesse já tinha feito alguma coisa com você. Ou não? – inclinou a cabeça e riu.
- Sim.
- Pois Ă©.
- E por que dessas roupas?
- VocĂŞ vai tirar umas fotos comigo.
- Que fotos?
- Escuta (s/n), é apenas isso que eu irei te pedir. – falou mais sério. – Quero umas fotos demonstrando intimidade para que o Zayn veja. Eu quero uma noite de tortura para o seu ex-marido. – engoli em seco. Tomei mais vinho. Pensei que ele fosse pedir um outro tipo de noite. Não estava disposta.
- T-tudo bem. – concordei com as mãos trêmulas.
- Soube que está em um novo negócio. – cortou o assunto.
- Antes de qualquer coisa... E o Smith?
- Ele está no porĂŁo, mas acredite, meu porĂŁo Ă© mais confortável que muita casa por aĂ. – apontou com a cabeça para o lado e eu pude ver numa televisĂŁo o monitoramento dos cĂ´modos da casa. Smith estava deitado vendo TV com as mĂŁos amarradas e na companhia de dois seguranças. – NĂŁo precisava da faquinha, mas achei muito legal aquela cena. – riu. – Seu filho será um grande homem, sĂł espero que nĂŁo faça as merdas que o seu marido faz.
Conversamos sobre muitas coisas. Por um momento eu esqueci que aquilo era um sequestro e que minha mãe, Bryan e Zayn deveriam estar loucos por isso. Tiramos as fotos e aquilo foi super constrangedor. O teor delas eram eu e ele nos olhando na mesa de jantar, eu sorrindo pra ele e ele erguendo a taça pra mim. As fotos foram enviadas e logo uma mensagem raivosa de Zayn chegou dizendo que iria caçá-lo no inferno.
Joe me esperava ansioso no fim da noite. Perguntou tudo e eu o tranquilizei dizendo que amanhĂŁ voltarĂamos pra casa. Milton sabia que eu estava grávida e aquilo deixou o homem sensibilizado. Ele parecia um demĂ´nio no primeiro momento, mas ao conhecĂŞ-lo vi que ele era uma vĂtima da Zoe e que estava fazendo tudo errado. Mas se ele nĂŁo iria machucar meus filhos, o Smith e eu, estava tudo certo.
[...]
- Sem ressentimentos? – Milton perguntou enquanto Ăamos para o lugar combinado com Zayn.
- Sem ressentimentos. – sorri sem mostrar os dentes. Era tudo muito estranho e com certeza  aquilo traumatizaria o Joe.
Ficamos em silêncio. Olhei pra Smith, agora acordado com seus machucados mais evidentes, toquei seu rosto e sussurrei um “está tudo bem”. Ele assentiu. Ainda estava amarrado, mesmo eu pedindo a todo o momento para que Milton o soltasse.
- Espero que me desculpe por isso um dia, (s/n). – sussurrou de maneira estranha. – Não posso deixar o Zayn sentir um pouco de felicidade. Eu preciso que ele sofra uma perda.
- Do que está falando? – perguntei com a voz entregando meu medo. Agarrei Joe contra mim.
A porta do carro foi aberta.
- VocĂŞ nĂŁo pode ter esse bebĂŞ.
O carro estava em alta velocidade.
NĂŁo.
- Não faça isso, Milton. Você não é isso!
- Desculpe.
Fui arremessada para fora do carro e sĂł percebi quando senti meu corpo colidir com o asfalto quente. Aquela dor era surreal. Eu sentia minha pele rasgando, meu corpo rolando pela estrada, minha mente vagava em imagens de Zayn, Joe, Bryan, minha mĂŁe e meu bebĂŞ. Eu iria perde-lo. NĂŁo podia deixar que aquilo acontecesse.
Mas meu corpo não respondia. Continuava rolando. E rolando. Minha pele ardia cada vez mais, era como se eu estivesse em chamas. A última coisa que eu ouvi foi o motor se aproximando. Tudo ficou preto. Eu não tinha mais noção de nada. Era meu fim?
[...]
- Moça... – senti uns empurrões. – Ela está acordando, Paul.
- Continue chamando.
- Moça! – chacoalhou-me. – Estamos te levando ao hospital. Você está sangrando muito por baixo. Moça! – gritou.
- Meu filho... Meu filho. – balbuciei.
- Você... Oh meu Deus, Paul. – a voz parecia assustada. – Ela está grávida.
- Puta merda, Claire! Â
- Acelera isso.
- Ele nĂŁo pode... – tentei falar. Por que era tĂŁo difĂcil? Eu estava ouvindo tudo.
- Ele não vai morrer moça.
- Droga! A polĂcia está ali na frente.
- Ótimo! Pedimos ajuda a eles.
- NĂŁo podemos.
- Por quĂŞ?
- Eu nĂŁo estou com os documentos.
- Que porra, Paul! – esbravejou.
- Vou tentar desviar.
- N-nã... – continuei tentando me comunicar. – Ele queria ma...
- Fique calada, moça... Vai ser pior. – senti mãos acariciando meu cabelo. – Por favor. A senhora está muito machucada.
- Estão vindo atrás da gente, Claire.
- Para esse carro agora, Paul! – gritou.
- Meu filho... – sussurrei melhor dessa vez. – Me ajuda...
- Vamos ajudar, calma. – a mulher disse. O carro parou.
- Policial, estamos com essa mulher. Encontramos ela caĂda no meio da estrada, estava sangrando muito. Na verdade ainda está, ela acordou um pouco e disse que tem um filho na barriga dela, acho que ele pode morrer se nĂŁo for para o hospital logo. – a menina falou afobada e se eu nĂŁo estivesse naquele estado atĂ© teria rido.
- E nós corremos de vocês por isso, pra leva-la. – o rapaz disse.
- Senhor Malik, encontramos sua esposa. – uma terceira voz surgiu.
Malik.
Zayn.
Meu marido finalmente me achou! Eu estava salva. E meu filho também.
- A ambulância está a caminho. Mantenham ela paralisada. – a terceira voz disse.
- S-sim senhor. – A menina ainda estava nervosa. Eu precisava agradecer a esse anjo depois.
[...]
Dor. Era tudo o que eu sentia. AtĂ© para abrir os olhos foi difĂcil. Assim que o fiz encontrei de cara um Zayn de cabeça baixa no colchĂŁo onde eu repousava. Olhei em volta e reconheci nosso quarto. Eu estava em casa. Uma mulher que eu nunca vi na vida entrou no quarto.
- Ela acordou, senhor Malik. – sorriu pra mim. Olhei confusa para Zayn. Seu rosto estava inchado, deve ter chorado muito. Eu tinha medo do motivo. Torci para que aquilo fosse por causa do sequestro.
- Amor. – sussurrou e me abraçou com força. Senti dor, mas não atrapalharia aquele momento. Meu coração acelerou assim que nossos corpos se encontraram. – A culpa foi minha.
- Culpa de quĂŞ, Zayn?
- Me perdoa.
- O que houve?
- A senhora... – a mulher parecia hesitante. – Perdeu o bebê.
- O quĂŞ?
NĂŁo imaginei que fosse ficar tĂŁo pequeno assim... Me desculpem!
Jess









