“... Os hopis utilizam os numerais cardinais “um, dois, trĂŞs...” apenas para objetos concretos. Unidades de tempo eles nĂŁo contam com esses nĂşmeros, mas sim com os ordinais, “primeiro, segundo, terceiro... dia”, e usam “dia” sempre no singular. NĂŁo se subentende neste caso uma diferença radical na concepção de “tempo”? Os hopis - diz Whorf - nĂŁo contam os dias como nĂłs contamos várias pessoas que se encontram juntas, mas sim do modo como contamos as sucessivas aparições da mesma pessoa: “sua primeira, segunda, terceira visita”. Eles vĂŞem na sequĂŞncia dos dias nĂŁo uma distribuição linear, mas sim um retorno cĂclico. Whorf sustenta esta tese com a ilustração de determinados comportamentos dessas pessoas. Se Ă© o mesmo dia que retorna amanhĂŁ, podemos influenciar o futuro com determinados comportamentos, neste caso em sua maioria de tipo cerimonial, com orações, meditação, execução de ritos e danças, mas tambĂ©m com meios mágicos a serem utilizados”. (STĂ–RIG, 1990: 211-212).