Eu tinha um sonho que não sabia ser um sonho. Acho que nem era um sonho, era uma vontade, ou melhor, um desespero. Ansiava pelo dia em que teria um espaço para chamar de meu. Pela primeira vez, teria algo só meu. Meu sofá, minha mesa, cadeira, cama, guarda-roupa, escrivaninha… Teria conquistado cada detalhezinho. Nesse espaço, ninguém tiraria minha paz e meu sossego. O lugar seria meu santuário.
Ansiava pelo dia em que poderia sair a qualquer hora do dia ou da noite. Poderia escolher onde pisar, viajar de um dia para o outro, fazer algo novo, conhecer pessoas novas ou ficar em qualquer lugar com um amigo(a), até a hora que bem entendesse.
Eu ansiava pela liberdade, mas a liberdade como sinônimo de livre-arbÃtrio, autonomia. Acho que nem era autonomia, era existência, ou melhor, vida. Ansiava pelo dia em que não teria que fazer grandes esforços para viver e seria algo mais do que sobreviver.

















