Essa foi uma das composições que mais gostei de fazer até o momento, afinal foi baseada nesse jogo incrível que é o FEZ. Todas as música do jogo foram compostas pelo compositor Disasterpeace, conforme pode ser acompanhado nessa excelente entrevista do Overloadr, e também já publiquei um post aqui no blog falando um pouco sobre a música que mais me inspirou para compor a “Track 008″.
A composição em si é muito transparente: e uma forma AB monotemática que uso muito do recurso minimalista de repetir estruturas estáticas e ir realizando suas transformações paulatinamente expandindo e ou retraindo o material musical tanto em duração [quantidade de notas] quanto em tessitura, baseando a construção dos materiais a partir de uma figuração ascendente.
A seção “A” é uma espécie de apresentação da base harmônico/rítmica sobre a qual o tema, que só entra na próxima seção, será exposto. Em suma é aplicada a técnica de expansão motívica onde o ostinato inicial é saturado ora com o adicionar de mais figuras, ora com o aumento da tessitura criando uma motricidade que direciona para exposição do tema.
A seção “B” funciona como surpresa, dada a entrada do tema, como recapitulação, já que é uma repetição quase integral da seção “A”. O tema segue o mesmo mecanismo de expansão melódica do ostinato inicial e também aplica o mesmo modelo de equilíbrio utilizado na música de referência do jogo.
O tema é exposto duas vezes seguindo de modo bem livre a estrutura fraseológica de períodos paralelos, sendo que no último “consequente“ é realizada um expansão melódica através de uma sequênciação deixando a estrutura aberta para a realização do looping.
De um modo geral a música é bem simples mas acredito ter conseguido expressar bem o clima de aventura do jogo.
Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
✓ Live Streaming✓ Interactive Chat✓ Private Shows✓ HD Quality✓ Free Actions
Free to watch • No registration required • HD streaming
Hoje vamos ampliar nossa visão escalar e começar a pensar não mais tão somente em sons sucessivos [melodia], mas também em sons simultâneos [acordes].
Quando definimos uma nota principal, estamos definindo o que chamamos de centro tonal. Pensando assim, temos que uma nota é o centro gravitacional em torno do qual as demais notas estarão dispostas, e poderão formar caminhos distintos que poderemos percorrer ao passarmos de um som ao outro.
Na figura estamos pensando apenas em 7 notas, ou seja, estamos pensando diatônicamente. Se estivéssemos pensando cromaticamente seriam então 12 notas representadas por 12 círculos.
A esses caminhos chamamos de melodia quando usamos apenas uma nota por vez e harmonia quando usamos mais de uma nota por vez. Há quem diga que para ser um acorde precisa haver ao menos três notas simultâneas mas, no meu entendimento, com uma nota [melodia] já conseguimos ter uma sensação harmônica, ou seja, conseguimos sentir que podemos preencher esses sons com outros sons... e quando temos já duas notas simultâneas deixamos ter somente a sensação desses preenchimentos, já passando a ter um direcionamento para esses preenchimentos. Então, de novo, no meu entendimento, duas notas já formam um acorde, ou seja, já temos um pensamento vertical, e não mais somente horizontal.
Façamos um breve detalhamento, por enquanto sem medo de não entender nada. Abordaremos isso com mais vagar futuramente.
Melodia
Podemos entender melodia como o movimento entre os sons sucessivamente. Sempre um após o outro. Uma melodia poder ter um perfil escalar [que é quando as notas seguem intervalos 2ªs tanto para cima quanto para baixo] ou pode ter um perfil arpejado [que é quando as notas são atingidas por saltos, ou seja, utiliza-se intervalos diferentes de 2ªs].
De um modo geral a melodia é sempre o carro chefe de uma música. De fato, de todos os elementos que compõem uma música, a melodia é o que mais adere em nossa memória.
Harmonia
A grosso modo, ignorando uma boa parte da história da humanidade, vamos entender harmonia como acordes. Um acorde é sempre a junção de dois ou mais sons. Existem várias regras para como os acordes são feitos mas vamos pegar como regra usarmos somente 3 notas simultâneas. A isso damos o nome de tríade. Um acorde triádico, ou seja, que é composto por 3 notas, possui como característica uma técnica chamada de empilhamento de 3ªs. Digamos que queremos fazer um acorde a partir da nota Dó. Pegaríamos então o Dó e a partir do Dó a sua 3ª: Mi. Feito isso nossa referência passa a ser a nota Mi, e então pegaremos a 3ª de Mi, que é Sol. Consequentemente teríamos então as notas Dó - Mi - Sol, sendo essas as notas que formam um acorde de Dó maior. Chegamos a esse resultado fazendo o empilhamento, colocando uma sobre a outra, das 3ªs Dó-Mi e Mi-Sol.
A classificação entre acordes maiores e menores se dá a partir da relação da nota principal [tônica e ou nesse contexto podemos chamar também de fundamental] com a sua 3ª. Se o acorde é maior, essa 3ª precisa ser maior, ou seja, a fundamental precisa estar à distância de 2 tons da terceira nota. Se o acorde é menor, essa distância deve ser menor: 1 1/2 tom.
Pensando em Dó: 3ª maior temos Dó - Mi; 3ª menor temos Dó - Mib.
Dentro dessa mesma regra temos que a segunda 3ª será o inverso da primeira, ou seja, se a primeira 3ª é maior a segunda deve ser menor, e vice-versa.
Assim temos por exemplo:
Acorde de Dó maior [3ª maior + 3ª menor]: Dó - Mi - Sol.
Acorde de Dó menor [3ª menor + 3ª maior]: Dó - Mib - Sol.
Esse assunto é deveras interminável em especial pelo fato de existirem diversas possibilidades de montar um acorde. Por exemplo, se usarmos somente duas primeiras cordas de um violão e não ultrapassarmos o âmbito das 4 primeiras casas, teríamos um total de 25 possibilidades de acordes diferentes. Ignorando aspectos técnicos a conta que seria nesse caso 5^2 [5 notas elevado a 2 cordas], ou seja, 5 notas para cada corda combinadas entre si, viraria 5^6 ou, num caso mais extremo, 19^6. E estamos pensando em apenas um intrumento, se juntarmos mais intrumentos essa conta cresce grandemente.
Por enquanto fiquemos nisso. Mas é preciso entender que isso tem um desdobramento sem precedentes. =0
Tenho participado de um projeto de desenvolvimento de um jogo de plataforma em paralelo com os afazeres da GoToshy. E como parte do #desafiogameaudioacademy, esse é o primeiro teste de paisagem sonora [soundscape] criado para a ambientação sonora do jogo.
Esta foi uma semana muito produtiva. Aprendi a utilizar melhor alguns recursos que vinha estudando [sidechain, pannig e reverb] e acredito ter obtido um resultado muito satisfatório em comparação com meus estudos anteriores.
O processo criativo dessa vez começou a partir da escolha de sons na bibliteca de sound effects [pack disponibilizado pela Soniss] liberado para a GDC deste ano [2016]. Minha inspiração para escolha dos sons foi uma screenshot em pixel arte que o Jonas de Lima fez para compor a primeira fase do jogo.
Basicamente pesquisei por sons de pedras, vento, e água, bem como sons de anbientação de floresta em geral e então, tendo escolhido alguns sons, passei a compor a parte musical da paisagem.
Inicialmente a ideia era transmitir a imersão em um desconhecido subterrâneo. Montei então uma progressão bem vaga [com pouco direcionamento tonal] baseada em 4 acordes [D5- add9 / Bb add6 / E / G]. A princípio não queria usar muitos instrumentos, mas no final os timbres foram compostos por marimba, vibrafone, glockenspiel, piano vintage, harpa, cordas graves [cello e baixo], orgão e vocoder [todos do pacote “intruments for Finale” do Garritan].
Tentei, ao compor a música, deixar espaços para vários eventos sonoros, não carregando em nada as linhas melódicas. Acabei aplicando, de uma certa maneira, um recurso definido como “silêncio parcial” segundo o Profº Dr. Marcos Câmara, em que as vozes instrumentais se pronunciam como em diálogos, dando espaço para outros eventos sonoros. Mas foi no processo de mixagem que, direto na DAW, talhei os diálogos através de panning e equalização com cortes bem definidos.
A música é praticamente monotemática, com uma introdução que funciona quase como um segundo tema, mas principalmente serve de ponte entre as repetições do tema. O tema deveria passar a mensagem de algo meio líquido com um movimento contínuo porém com caráter de aventura.
Escalas ou escadas para os ouvidos [parte 3 - Final]
Com este 3º post completo o tema escalas, tratando os pontos que julgo como os mais elementares nesse assunto. Claro que retomaremos isso num futuro próximo quando estivermos falando sobre harmonia. Mas vamos chegar lá. (=
Nas postagens anteriores fizemos um apanhado geral sobre escala maior e escala menor, contextualizado-as a partir dos modos gregos. Apenas como recordação:
Escala Maior [Jônio]
Dó - Ré - Mi - Fá - Sol - Lá - Si - Dó
Escala Menor [Eólio]
Lá - Si - Dó - Ré - Mi - Fá - Sol - Lá
O mais importante é que entendemos que não precisamos pensar tão somente em nome de notas, mas sim podemos levar em consideração as distâncias que separam cada nota, ou ainda cada grau da escala. Então, para cada grau da escala existe uma distância a ser respeitada de acordo com a escala que estamos tratando:
Vamos então pensar que existe um intervalo entre cada grau, ou seja, vamos começar a classificar a distância entre os graus de acordo com um tamanho hipotético. Para elucidar: entre o primeiro e o segundo grau teremos um intervalo de segunda [2ª] por que estamos nos referindo à distância entre a 1ª nota [1º grau] e a 2ª nota [2º grau]. Lembrando sempre que devemos contar o intervalo a partir de nossa referência. Então se estamos contando o intervalo entre o 1º grau e o 3º grau temos um intervalo de 3ª, pois o 3º grau é a terceira nota em relação ao 1º grau.
Agora uma pequena metáfora:
Sempre gosto nessa altura da explicação de levantar os questionamentos sobre a cadeira. O que é uma cadeira? O que faz de uma cadeira, uma cadeira? Por qual motivo o nome da cadeira é cadeira? E ainda, quais foram os motivos para termos aceitado de que uma cadeira é uma cadeira?
Podemos reproduzir essas mesmas perguntas a quase todas as coisas relacionadas à música, e o que eu sempre recomendo é: vamos apenas acreditar que a cadeira é uma cadeira, e que um Dó é um Dó. Assim seremos mais felizes por enquanto.
Temos assim uma tabulação da seguinte forma:
Surge assim a possibilidade de uma nova classificação, como quando percebemos esses intevalos executados simultânea ou consecutivamente. Eu gosto de classificar os intervalos em três categorias: ressonância, consonância e dissonância; muito embora nos livros de teoria vemos essa classificação de maneira similar, mas em apenas duas categorias.
Cabe aqui uma breve explicação de o por quê classifico assim.
Mais pra frente veremos série harmônica e perceberemos que faz todo o sentido agruparmos os graus 1ºs, 4ºs, 5ºs e 8ºs como ressonâncias, já que pensando nas parciais harmônicas do espectro sonoro de um som temos esses graus como formantes de timbres de um som. Há ainda um segundo motivo: como vamos ver a seguir, esses intervalos são classificados como “justos”, pois eles são intervalos importantes quando estamos lidando com sistemas de afinação e mais específicamente no ciclo das quintas. Mas tudo isso vamos explorar com calma num futuro próximo.
Temos então os intevalos de ressonância que possuem um distânciamento “justo”, em geral esse distânciamento é padrão:
Uníssonos possuem 6 tons de distância
4ªs possuem 2 1/2 tons de distância
5ªs possuem 3 1/2 tons de distância
Os intervalos de consonância e de dissonâncias são mais flexiveis podendo ser usualmente maiores ou menores:
2ªs
menor possui 1/2 tom de distância
maior possui 1 tom de distância
3ªs
menor possui 1 1/2 tom de distância
maior possui 2 tons de distância
6ªs
menor possui 4 tons de distância
maior possui 4 1/2 tons de distância
7ªs
menor possui 5 tons de distância
maior possui 5 1/2 tons de distância
Pensar nas escalas não só pelas notas mas também por intervalos é importante para nosso próximo assunto que será formação de acordes.
Para não reinventar tanto a roda, aconselho uma lida no wikipedia, que comenta de maneira um pouco mais aprofundada.
Continuando o #desafiogameaudioacademy essa é a música feita para a 5ª semana do desafio inspirada na ambientação do game Ultraflow 2. (=
Essa música foi feita baseada na minha experiência durante o gameplay da franquia do Ultraflow [1 e 2].O jogo é um puzzle arcade desenvolvido por uma equipe de estudantes francesa chamada UltraTeam, e basicamente possui a mecânica de um air hockey: um um disco deve percorrer um caminho específico e alcançar uma meta, mas a cada fase esse caminho é variado e dificultado progressivamente.
A trilha original do jogo é composta integralmente por músicas eletrônicas mas tive a intenção de criar uma atmosfera diferente, mais puzzle e menos casual, misturando chiptune com samples de piano e vários efeitos.
O processo criativo foi mais padrão. Escrevi as linhas na partitura, e depois levei o MIDI para edição na DAW, onde acrescentei os efeitos e trabalhei melhor os timbres. A música em si é um looping de 29 compassos onde um tema único é expostos duas vezes com pequenas variações.
Aprofundando um pouco na ideia, escrevi pensando num perfil melódico fragmentado na intenção de transmitir uma ideia de dispersão. Somando os efeitos meio sci-fi [ondas reversas, granulações] e também marcações de tambores, a ideia era fazer alusão aos movimentos do disco.
Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
✓ Live Streaming✓ Interactive Chat✓ Private Shows✓ HD Quality✓ Free Actions
Free to watch • No registration required • HD streaming
Continuando o assunto do post anterior, vamos aprofundar um pouco mais no conceito de tom [T] e semitom [sT] e entender como as escalas alternam a disposição dessas distâncias criando assim sonoridades totalmente diferentes.
Continuação dos Modos Gregos
Como vimos anteriormente, cada nota pode ser tomada como tônica dentro do contexto da sequência das notas [vale relembrar que sempre deve-se respeitar a regra de começar e terminar a sequência da escala na mesma nota, ou seja, definimos uma nota mais importante: uma nota tônica].
Quando definimos essa nota, estamos definindo também a forma como vamos organizar as distâncias entre as notas. Por exemplo, vamos tomar a nota Fá. Ao iniciarmos a escala pela nota Fá, modo Lídio, temos Fá - Sol - Lá - Si - Dó - Ré - Mi - Fá. Com isso temos que pensar que a distância entre essas notas ficam dispostas da seguinte maneira:T - T - T - sT - T - T - T- sT.
Constatamos então que a escala no modo Lídio difere do modo Jônio pois se pensarmos nesse último [Dó - Ré - Mi - Fá - Sol - Lá - Si - Dó] teremos as distâncias dispostas da seguinte forma: T - T - sT - T - T - T - sT.
Começamos então a associar a distribuição dessas distâncias à sonoridade inerente à cada escala de acordo com a disposição dos semitons:
Jônio
Dó |T| Ré |T| Mi \sT/ Fá |T| Sol |T| Lá |T| Si \sT/ Dó
Dório
Ré |T| Mi \sT/ Fá |T| Sol |T| Lá |T| Si \sT/ Dó |T| Ré
Frígio
Mi \sT/ Fá |T| Sol |T| Lá |T| Si \sT/ Dó |T| Ré |T| Mi
Lídio
Fá |T| Sol |T| Lá |T| Si \sT/ Dó |T| Ré |T| Mi \sT/ Fá
Mixolídio
Sol |T| Lá |T| Si \sT/ Dó |T| Ré |T| Mi \sT/ Fá |T| Sol
Eólio
Lá |T| Si \sT/ Dó |T| Ré |T| Mi \sT/ Fá |T| Sol |T| Lá
Lócrio
Si \sT/ Dó |T| Ré |T| Mi \sT/ Fá |T| Sol |T| Lá |T| Si
Vale a pena rever o video dando atenção especial agora às notas que são tocadas em casas imediatamente adjacentes. Isso no caso do violão, representa a distância de semitom.
Diminua a velocidade de reprodução do video para que fiquem mais evidentes as notas sendo tocadas em casas vizinhas.
Temos que abstrair um pouco mais agora.
Relembrando a escala cromática, vamos passar por todos os sons audivelmente identificáveis por nós ocidentais:
Obs.: Vale lembrar que toda nota acidentada tem dois nomes, um acompanhado por # [sustenido] e outro acompanhado por b [bemol]
Já que o importante é a distância entre as notas, podemos fazer uso da escala cromática adptando-a à nossa vontade para criarmos os modos em diferentes tons, como por exemplo montando todos os modos a partir da nota Dó:
Jônio [modo maior]
Dó |T| Ré |T| Mi \sT/ Fá |T| Sol |T| Lá |T| Si \sT/ Dó
Dório
Dó |T| Ré \sT/ Mib |T| Fá |T| Sol |T| Lá \sT/ Sib |T| Dó
Frígio
Dó \sT/ Réb |T| Mib |T| Fá |T| Sol \sT/ Láb |T| Sib |T| Dó
Lídio
Dó |T| Ré |T| Mi |T| Fá# \sT/ Sol |T| Lá |T| Si \sT/ Dó
Mixolído
Dó |T| Ré |T| Mi \sT/ Fá |T| Sol |T| Lá \sT/ Sib |T| Dó
Eólio [modo menor]
Dó |T| Ré \sT/ Mib |T| Fá |T| Sol \sT/ Láb |T| Sib |T| Dó
Lócrio
Dó \sT/ Réb |T| Mib |T| Fá \sT/ Solb |T| Láb |T| Sib |T| Dó
Observe que foi respeitada tanto a disposição dos semitons nos lugares característicos de cada modo, bem como foram respeitados também os nomes das notas em sua sequência padrão, fazendo o uso do sustenido e do bemol para enquadrar as alterações nas notas de acordo com a distância exigida pela “forma”, ou “molde”, pré-definido de cada modo.
Então, a partir de agora temos que os acidentes [sustenido e bemol] servem não só para fazermos o caminho ascendente e descendente na escala, mas também para alterarmos uma altura, subindo ou descendo um semitom, sem precisarmos trocar o nome dessa nota. Quando precisamos de um Lá um semitom mais agudo, não vamos para um Sib, e sim para um Lá#. E ao contrário, se precisamos de um Lá um semitom mais grave não vamos para um Sol# e sim para um Láb.
Nesta e na próxima postagem trataremos aqui um pouco sobre escalas musicais passando pelas escalas formadas apenas por notas naturais e também chegando nas escalas com notas acidentadas.
Nas postagens anteriores chegamos à conclusão de que existem sete notas musicais: DÓ - RÉ - MI - FÁ - SOL - LÁ - SI. E que essas notas são representações, ou seja, rótulos para determinadas faixas de frequência.
Vimos também que quando juntamos várias notas simultaneamente fazemos um acorde que, diferentemente de nota, é composto por vários sons simultâneos.
O que vale a pena lembrar é que existe uma série de possibilidades de sons entre uma nota e outra. Por exemplo, tomemos um Lá 440Hz. Após um Lá sempre vem um Si, e esse último vamos assumir que é um Si 493,88Hz. Entre esse Lá e esse Si existem 53,88Hz, ou seja, 53,88 outras possibilidades de sons separando essas duas notas. De fato nosso ouvido não é capaz de discenir todas essas frequências com grande nitidez [motivo pelo qual aliás agrupamos as frequências em faixas e damos um rótulo às suas médias] mas conseguimos sim perceber que existe um caminho percorrido e que por volta da metade do caminho, aproximadamente 466.16 Hz, podemos concluir que existe uma outra nota, e essa nota chamamos de nota com acidente. [Os valores em Hertz das frequência foram referenciados por esse link].
A esses acidentes podemos dar dois nomes: Sustenido [#] ou Bemol [b].
O primeiro é pra subir [sentido ascendente], e o segundo é para descer [sentido descendente]. Mas descer e subir no quê exatamente?
Nesse ponto precisamos pensar em escalas, que na verdade é como se fossem escadas onde cada degrau é uma média dessas faixas de frequências que conseguimos identificar auditivamente, e conforme mais agudo o som maior a sensação de altura.
Esse efeito pode ser constatado em desenhos animados por exemplo. Sempre que vemos um personagem cair, a cena é enriquecida com o acompamento de um som agudo que vai em direção ao grave, sentido descendente. Se a cena é o contrário, o principio sonoro é o mesmo só que no sentido invertido, do grave para o agudo, sentido ascendente.
E começam os nomes difíceis
Então até o momento tinhamos apenas a escala natural: Dó - Ré - Mi - Fá - Sol - Lá - Si. A essa escala natural daremos o nome de escala diastêmica, que seria a diferenciação entre os sons de maneira segmentada.
“La teoría es el resultado de la observación hecha a una práctica. Los griegos crearon normas para hacer música, el sistema tonal, que determinaba las formas y posibilidades técnicas de la música. En sus comienzos, se definió una armonía musical compuesta por siete asuntos distintos: las notas, los intervalos, los géneros, los sistemas de escala, los tonoi, la modulación y la composición de melodías. Hacían una distinción entre el movimiento continuo y el diastémico para definir tanto las notas como los intervalos, o distancias relativas que las separan.”
[disponível em hagaselamusica]
Quando fazemos a confirmação de uma nota, chamaremos a escala de escala diatônica: DÓ - ré - mi - fá - sol - lá - si - DÓ. Ou seja, precisamos sempre começar e terminar a sequência em uma nota específica. Isso nos faz pensar que se só precisamos estabelecer uma referência, essa escala pode começar por qualquer nota desde que termine na repetição da nota inicial
[DÓ - ré - mi ... DÓ] ou ainda [RÉ - mi - fá ... RÉ] e assim por diante...
Mas e onde ficam os acidentes nessa história toda? Ficam numa outra escala, a escala cromática.
{Ascendente} Dó Dó# Ré Ré# Mi Fá Fá# Sol Sol# Lá Lá# Si Dó
{Descendente} Dó Si Sib Lá Láb Sol Solb Fa Mi Mib Ré Réb Dó
Note que os acidentes sempre pegam o nome da nota anterior independente se estamos indo de trás pra frente ou de frente pra trás, fazendo com que o som tenha um nome duplo ou seja:
Outra observação importante é que inicialmente vamos pensar que não existem ainda Mi#, Si#, Fáb e Dób [fenômeno conhecido por enarmonia] pois o som dessas notas coincidem com os sons de notas naturais, assim para não bagunçar os nomes que damos às notas naturais deixamos de lado esses acidentes.
{ascendente} ... Lá Lá# Si (Si# = Dó) Dó# Ré ...
ou ainda
{descendente} ... Sol Solb Fá (Fáb = Mi) Mib Ré ...
e assim nos demais casos...
Um bom exemplo da escala cromática é quando visualizamos o teclado de um piano, onde essa coincidência de nomes é representada pelas teclas pretas do teclado:
Imagem disponível nesse post que trata do mesmo assunto.
Em se tratando da escala diastêmica, já podemos nos desprender das grandezas númericas do Hertz, e começar a classificar musicalmente essa distância entre os sons, utilizando os termos tom e semitom [ou 1/2 (meio) tom].
Tom é uma palavra muito usual para diferenciar um som de outro. Podemos dizer que em cada tom cabem 2 semitons.
Começamos a partir de agora a pensar na escala cromática como sendo a visão em close das notas, separando-as por semitons e passando por todos os sons disponíveis na música ocidental. E temos a escala diatônica como uma visão mais panorâmica dessas notas.
E como já percebemos, é tudo muito cheio de detalhes, então aqui vai mais um: mesmo a escala diatônica sendo uma escala formada pelas maiores distâncias possíveis entre as notas, nos casos Mi-Fá e Si-Dó temos naturalmente a distância de semitom. Ou seja, na natureza os sons que nós classificamos como Mi é separado do som que chamamos de Fá pela distância de um semitom. O mesmo acontece com o caso Si-Dó. Podemos perceber isso na imagem a cima, onde no teclado do piano não existem teclas pretas as separando.
Modos Gregos [os modernos]
Antes de continuarmos nos acidentes vamos fazer um pequeno desvio. Podemos fazer música usando somente as notas naturais e, mesmo assim fazê-las parecer completamente diferentes. Conhecemos isso como música modal [vamos realmente ignorar por enquanto o conceito de transposição, ele será tratado futuramente].
Quando fazemos a definição de uma nota principal [diatonismo] temos por obrigação começar e terminar a escala nessa mesma nota. Mas como na natureza a distribuição de tons e semitons não são iguais, a sonoridade dessas escalas varia grandemente. Sendo assim, quando definimos uma escala por cada uma das notas naturais, temos os sete modos gregos:
Jônio - começando por Dó
Dório - começando por Ré
Frígio - começando por Mi
Lídio - começando por Fá
Mixolídio - começando por Sol
Eólio - começando por Lá
Lócrio - começando por Si
Obs.: Classifiquei como modernos pois na história da música temos outros modos musicais oriundos da grécia que antecedem o assunto aqui tratado.
Aqui um bom exemplo dessas sonoridades:
Ainda pensando nos modos gregos, temos dois modos principais na música ocidental, o Jônio e o Eólio. Esses dois modos tornaram-se a base de toda a música que ouvimos atualmente, e passarama a ser chamados de “modo maior” [Jônio] e “modo menor” [Eólio].
Mas agora já podemos fazer uma pausa no assunto e continuarmos na próxima postagem.
Hoje o tema são vários! =)
Essa semana participei da 1ª Construct 2 Brasil Game Jam e, junto com meu devTeam, produzi um jogo de corrida click & drag em turnos onde você pilota um fiapo de bacon em uma surreal frigideira quente cheia de óleo...
Vamos às considerações de costume.
Quando soubemos do tema da Jam começamos a pensar em coisas bem aleatórias, mas a que sobressaiu no brainstorm foi a possibilidade de pilotar um bacon em uma frigideira quente.
A partir daí começamos a pensar na estética do jogo e acabei optando por trabalhar com chiptune pra dar uma comicidade à estética cartoon.
Como o jogo foi feito em HTML5 [link em breve] eu tentei trabalhar em loopings que não durassem mais que 30 segundos, para não interferir na performance no navegador, e tbm em sound effects [sfx] que não fugissem da estética cartoon. Então, pensando nas séries cartoons de TV, decidi basear os sfx em uma espécie de foley ao invés de usar elementos musicais.
Como a intenção é não me prolongar muito, vou comentar rapidamente só duas das sete tracks presentes na playlist, a primeira [start menu] e a última [gameplaySFX].
Start Menu
Nesse tema eu queria passar a mensagem de algo infantil, então fiz várias brincadeiras em cima de um único tema que fica passeando pelas vozes instrumentais dando uma alterada em timbre, altura, e sempre em cima de de uma progressão de mediante cromática [ver página 9], C / A / C.
Enquanto escrevia a música, lembrei de um ritmo que é bem marcante de uma das músicas do Palavra Cantada [Fome Come] mas ao invés de usar cup song usei chiptune. =)
O video vale a pena conhecer:
GameplaySFX
Com essa track eu comecei a ampliar meus horizontes. Há pouco tempo eu pensava em eletroacústica, música concreta e todos esses conceitos teóricos, e só vinham à mente músicas que eu e mais algumas poucas pessoas conseguiam ouvir e até mesmo, por assim dizer, gostar. Mas com essa track eu consegui transformar todo um aspecto conceitual em algo relativamente simples.
Pra começar eu realizei a gravação dos sons de carne cozinhando e fritando.
Agradeço muito à minha esposa pela paciência e animação no “foley mode On” enquanto ela cozinhava num domingo à noite.
Depois de fazer as gravações fui então para a edição desse material. Basicamente todo o sfx do jogo é baseado nas gravações que fiz da carne na panela e também de uma sacola plástica! =)
Depois compus a música me baseando em melodias estunidenses muito usadas em desenhos animados e que me lembrasse momentos em que eu pudesse relacionar “corrida” e “bacon”.
Compus assim minha primeira música concreta, utilizado os sons de:
carne fritando
exaustor de cozinha
ventilador
sacola plástica
Com certeza teria mais coisas a comentar, mas acredito que consegui elucidar um pouco da minha satisfação durante os trabalhos musicais enquanto habitava o desconhecido mundo entre a suspeita de dengue ou suspeita de zika. {risos}