Benjamim ao vivo no WalkAndDance em Freamunde: uma viagem com banda em ‘Auto Rádio’ | Reportagem Completa
Benjamim em formato banda | mais fotos clicar aqui Foi com casa cheia e coração aberto que Benjamim trouxe a Freamunde, na passada quinta-feira, 17 de abril, a digressão comemorativa dos 10 anos de ‘Auto Rádio’. O que podia ser um simples revisitar de canções tornou-se numa verdadeira celebração da estrada, da memória e da reinvenção — e a banda que o acompanhou esteve à altura de cada curva emocional.
Tony Love nas guitarras e teclados, Nuno Lucas no baixo, João Correia (Tape Junk) na bateria, Manuel Pinheiro nas congas, Raquel Pimpão (Femme Falafel) nos teclados e vozes demonstraram-se preciosos ajudantes de Benjamim em formato banda. O próprio além da sua voz fez uso das guitarras e teclados.
Benjamim, Correia e Love numa intensa concentração | mais fotos clicar aqui O alinhamento, pensado como uma narrativa em movimento, abriu com “Tarrafal”, envolto numa introdução retro e nostálgica, como quem rebobina uma cassete antes de iniciar a viagem. Seguiu-se “O Quinito Foi Para a Guiné”, em tom cinematográfico, onde Benjamim revelou o seu talento para contar histórias que tocam o coletivo através do íntimo.
“O Sangue” e “Os Teus Passos” trouxeram os primeiros arrepios. Com a banda em pleno, os arranjos ganharam densidade, e os públicos, movimento. A interação entre sintetizadores e guitarra deu vida nova aos temas, enquanto a secção rítmica se mostrava precisa e contida.
A alegria contagiante de Benjamim nesta noite | mais fotos clicar aqui O momento mais delicado da noite chegou com “Rosie” e “Volkswagen”, em versões ao piano que deixaram a sala suspensa no tempo. O silêncio entre as notas dizia tanto quanto a melodia. A seguir, “Auto Rádio” foi apresentada com força e liberdade, quase como um manifesto. A plateia, cúmplice, seguiu com entusiasmo.
Na segunda parte, o concerto mergulhou nas sombras de “O Exílio” e “Vias de Extinção”, antes de regressar ao groove contagiante de “Sintoniza” e “Incógnito”, com o som do clavinet a puxar o corpo a mexer. A banda, solta e sincronizada, revelou aqui uma faceta mais elétrica e dançável — inesperada e perfeita.
Raquel Pimpão, a única mulher na banda e imprescindível | mais fotos clicar aqui “Dança com os Tubarões” foi o clímax emocional, com luzes em festa e todos os músicos em pleno. Para terminar, “Terra Firme” trouxe o fecho ideal: uma balada de chegada, como quem estaciona o carro ao fim de uma longa viagem, em paz com a estrada percorrida.
Benjamim (nome artístico do músico Luís Nunes) provou, uma vez mais, que é um dos mais singulares artistas da sua geração. Com a sua banda, estas canções respiram de novo. Em Freamunde, não se ouviu apenas música: viveu-se uma história, contada em versos e acordes — e ninguém quis ir embora no final.
O concerto com banda não é só ouvir músicas. É sentir um Portugal contemporâneo, poético e real.
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Benjamim em modo efusivo e feliz pelo regresso a Freamunde | mais fotos clicar aqui
Fotografia: Ricardo Costa @ ricardojosecosta (Instagram) Texto: Ricardo Costa













