01. Ácido Lisérgico
Eu não queria sair na noite passada, foi sábado.
Estava dormindo e meus amigos me mandaram uma mensagem, eu queria muito fumar um cigarro mas não queria fumar na janela, então aceitei sair com um deles, e no meio do caminho encontramos subitamente com o outro amigo, o que foi bem legal, apenas olhar pra cima e ver ele no telhado da casa dele, sim, no telhado.
Nós subimos no telhado e fumamos maconha, não fiquei tão chapada quanto eu gostaria, e como era a primeira vez dos meus dois amigos se conhecendo, eles começaram a trocar ideias sobre a vida e experiências, até que chegaram na conclusão de que precisavam me apresentar uma certa bebida feita com licor barato e cerveja.
Nós fomos comprar as bebidas e a madrugada se iniciava, até que resolvemos preparar ali mesmo a bebida-mistério, e eu estava tão feliz porque gostei do gosto, mas um cara passou e derrubou metade do copo da minha bebida em mim. Certeza que se eu fosse um homem ele me daria um soco na cara, mas sinceramente ele já estava tão trincado de cocaína que se assustou muito, muito com toda a situação, dei de ombros.
Dessa vez, demorou até que eu ficasse bêbada o suficiente. Ventava muito, e na metade do meu segundo copo, o vento derrubou com toda força o conteúdo docinho-azedo da minha noite.
Depois disso, não quis mais misturar com cerveja, e foi aí que começaram os virotes - um, dois, seis, onze, eu sozinha.
Eu sempre soube que as drogas teriam uma forte influência em mim, principalmente aquelas que mudam a triagem da minha mente, que por sinal eu já não suporto mais.
Chegou o momento onde um deles decidiu que era hora de me levar pra casa. Eu fiquei umas meia hora falando de como o Stephen King e o Kubrick são os meus favoritos e como eu realmente amo o cinema e a escrita, chorei. Papo de bêbada.
Fui dormir, e os sonhos são melhores quando estamos chapados.
Dizem que o cérebro nos prega peças e se sonhamos com determinada pessoa, por mais que não estejamos pensando nela durante o dia, significa que o nosso subconsciente pensa muito nela, até mais do que deveria, e é por essa razão que certas pessoas visitam nossos sonhos.
Nesse sonho em especial, sonhei com o último cara por quem me apaixonei.
Estávamos juntos nesse bar gigante e noventista, e ele usava uma camiseta do Joy Division enquando eu usava uma do Pink Floyd, o que é estranho, pois ele não gosta de Joy Division a ponto de vestir uma camiseta, e eu de Pink Floyd muitíssimo menos.
O bar tinha essa espécie de socidade onde todos éramos amigos, e quem estivesse de bobeira ou entediado, poderia ser garçom ou atendente por uma noite, todos se conheciam, era maravilhoso.
O nosso amigo americano disse que tinha chegado essa semana no bar um chiclete feito de papelão, ele nos mostrou e era roliço e redondo, marrom, se assemelhava muito a maconha prensada, e o meu até então namorado ficou animado como se fosse uma criança, louco para experimentar enquanto eu ria da atitude infantil e drogada que ele estava tendo naquele momento.
Foi quando olhei pro lado e na sinuca eu vi dois caras novos na nossa área, na casa dos 30 anos, talvez 36 cada um, um deles era loiro e tinha o cabelo ondulado até o ombro, um pouco calvo, prendia suas mechas em um rabo de cavalo baixo, usava uma camiseta azul celeste com uma estampa de Beavis and Butt-Head, um óculos baixo de lentes vermelhas, enquanto o outro que jogava com ele, que aparentava ser talvez um irmão gêmeo, vestia uma camiseta vermelha com uma estampa da qual eu estava muito chapada para lembrar (não sei mais se estava chapada de um jeito fictício pelo sonho, ou se era só o meu cérebro tentando processar a Indica que fumei horas antes), ele usava um óculos da mesma linhagem do irmão, dessa vez com lentes verdes fluorescentes, eles eram provavelmente as pessoas mais animadas e caricatas do bar naquela tarde, ventava muito, e enquanto eu e ele conversávamos com nosso amigo americano, o menino já estava tão chapado que olhava pra mim perguntando de tempos em tempos: "Linda, como é que eu falo isso em inglês?" eu respondia em inglês palavras básicas que eu sabia que ele sabia, mas que tinha esquecido por estar bêbado, e ele respondia pro nosso amigo americano, que falava português estupidamente bem, mas gostava de tirar com a nossa cara conversando seu inglês nativo, mas que entendia perfeitamente o nosso.
Eu ria tanto.
Eu era tão feliz naquele momento.
Eu era a mulher mais leve do bar.
Eu olhava nos olhos dele e eu sabia que eu era a mulher mais amada da cidade inteira, e que eu não precisaria me preocupar com absolutamente nada, pois todas as certezas que eu desejava ter, eu já tinha.
"Você é linda demais."
Eu odeio acordar de manhã quando os meus sonhos são melhores do que a minha realidade, tanto em sensação quanto em experiências, momentos.
Acordei ansiosa, nervosa.
Não gosto de acordar e acatar responsabilidades que não são minhas.
Hoje é domingo, vou beber comigo.
09/12/2018
















