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@fields-maya
Andando de um lado para o outro, Noah temia fazer um buraco no chão com os seus passos. Como o loft estava vazio, exceto por ele, seu quokka e o canguru de Mike, não havia ninguém que pudesse apaziguar a ansiedade que crescia à medida que a hora passava. De certa forma, ele preferia assim; mergulhar nos próprios pensamentos, sozinho, e tentar se controlar, com o simples intuito de encontrar uma solução cabível para a situação que ele próprio tinha se colocado. Às vezes, preferia passar um dia inteiro encolhido em seu quarto, escrevendo músicas, para não ter que lidar com o mundo exterior. Mas na maioria dessas vezes, isso era uma válvula de escape vaga que apenas prolongava o seu tempo. Afinal de contas, o fim seria o mesmo, independente dos meios. Por isso, perambulava de um canto a outro, procurando as palavras certas para fazer da maneira mais simples e racional possível, onde pouparia qualquer outro estresse que afugentava o seu interior desde a chegada de sua melhor amiga -- mesmo que desconfiasse que não importava as palavras pensadas ou ensaiadas, o nervosismo tomaria conta e ele acabaria falando algo que se arrependeria no futuro. O seu coração pulou dentro de seu peito quando, do lado de fora, ouviu movimentação no elevador e, em seguida, o corredor. Cerrando os punhos, fechou os olhos e contou devagar uma sequência numérica até cinco em silêncio, respirando fundo. Não era a pior coisa do mundo, definitivamente, mas um mínimo detalhe poderia transformá-lo em algo errôneo. E, de uma maneira, temia a reação de Maya, bem como temia a de todos os seus amigos. Porém, naquele momento, ela era a única que importava. A sua suave fragrância o acalmou um pouco, no segundo que ela atravessou a porta. Devagar, forçou um sorriso, embora o nervosismo ainda estivesse evidente em sua mandíbula travada. “Hey,” disse ele, aproximando-se para depositar um beijo na testa dela. “Hm, are you hungry, thirsty or something? I still feel like you shouldn’t be here right now, on account of all your work, but since you are...” Ele engoliu em seco, sorrindo novamente. “I got you that pineapple juice you like.”
@fields-maya
Havia muito tempo desde que Noah tivera um relacionamento tão longo e saudável quanto aquele que agora vivia. Da última vez que tinha se entregado, de fato, a alguém como o fazia agora, não existia quase nenhuma reciprocidade. As evidências estavam muito bem guardadas em seu computador e nas folhas jogadas pelo seu quarto. Por isso, sentia-se imensamente feliz por saber que Maya era sua namorada; uma que possuía todas as qualidades -- e defeitos -- que procurava em uma garota e uma que o apreciava na medida certa. Ele passara a semana quase inteira trancafiado no loft, preparando as partes instrumentais das últimas músicas que escrevera, e portanto não conseguiu encontrar tempo suficiente para Maya. Feliz por finalmente estar saíndo apenas com ela, buscou com os olhos brilhantes pela silhueta dela na fila do cinema. Estranhou um pouco ao vê-la conversando com um desconhecido, mas manteve-se neutro conforme se aproximava com os copos de refrigerante. Quando estava perto o suficiente, um semblante confuso se formou em sua face ao ouvir “Anyways, congratulations!”. Noah parou com o cenho franzido e alternou o olhar entre ambos. “Congratulations?” perguntou, dirigindo-se à Maya. “For what?”