Existo, existo, existo – dezessete tropeços na morte – Maggie O’Farrell
A autora vai contando, sem ordem cronológica, os vários episódios em que a morte passou muito perto... mas decidiu não leva-la... Desde um passeio solitário na floresta, em que encontra um homem estranho, que depois se descobre ter matado uma outra moça até seu problema com uma encefalite, que lhe causou uma ataxia (dano do cerebelo), com a qual, coisas simples para “os normais” são difíceis para ela – virar-se rapidamente, segurar coisas na mão, não se bater.... E conta também do problema de sua filha, que nasceu com um terrível eczema além de muitas e muitas alergias.
Um bom livro para a gente se lembrar de quão frágil é nossa existência e de como os humanos nem sempre tem humanidade (quanto menor, pior!).
“Isso também me embalou numa falsa sensação de como eu seria aceita e querida como uma criança que mal podia andar, mal segurava uma caneta, tinha perdido a habilidade de correr, andar de bicicleta, pegar uma bola, se alimentar, nadar, subir escadas...uma criança que saia por toda parte num humilhante carinho tamanho gigante. Eu era amada al, era especial, era aceita, era encorajada .. Isso não me deu nenhuma preparação, nenhuma ideia do que estava me esperando quando eu voltasse para a escola, onde as pessoas me chamariam de lerda, idiota, tapada, exigiriam saber o que havia de errado comigo ou o que pegariam de mim. Onde as pessoas me faziam tropeçar só para rir, cuspiam em mim e puxavam meu cabelo, me diziam que eu era doente, retardada. Onde as autoridades educacionais concordaram em mudar minha sala de aula para o andar de baixo, mas não os refeitórios, então todos os dias eu tinha a opção de ficar sem almoçar ou subir as escadas da única maneira que conseguia, de quatro, como um urso, como um bebê, com a escola toda assistindo.”











