O dia que eu te vi, com ela
Eu não planejava te encontrar ali. Os passos me levaram por hábito, pelo caminho que a gente costumava fazer juntos, sem pensar que hoje ele seria só meu. E foi ali, na esquina onde você parava pra me beijar, que eu vi você.
Com ela.
Não foi um encontro. Foi um golpe. Um soco no peito que me tirou o ar antes mesmo que eu pudesse perceber onde estava.
Ali, na nossa esquina. No mesmo lugar onde você me apertava contra o muro e dizia que não existia ninguém mais no mundo. E você estava lá. Com ela.
O mundo parou. O barulho da rua sumiu, o sol pareceu escurecer, e só restou vocês dois. E eu senti como se cada fibra do meu corpo se rasgasse de uma vez — uma dor tão aguda, tão real, que quase me fez cair de joelhos. No lugar dela. Deus, como eu queria estar no lugar dela. Sentir o seu toque, receber o seu olhar, ser o motivo da sua alegria outra vez. Ver você tão perto e tão inatingÃvel… foi como perder você de novo, mil vezes mais forte.
Não sabia explicar direito o que bateu no peito naquele instante. Não foi só dor — foi uma confusão de sentimentos que parecia rasgar tudo por dentro. Meus olhos grudaram em vocês dois, e a única coisa que conseguia pensar era: poderia ser eu. Deveria ser eu. No lugar dela, ao seu lado, rindo do que você dizia, sentindo o calor da sua mão na dela — era ali que eu queria estar.
E você sorria. Aquele sorriso. O mesmo que me fez perder o juÃzo, que me fez acreditar que era eterna a nossa história. Você ria como se nunca tivesse chorado comigo, como se nunca tivesse jurado que eu era tudo o que você queria. Parecia tão pleno, tão feliz… e eu sabia, com uma certeza que doÃa mais que navalha, que você já foi exatamente assim comigo.
Como consegue? Como você pode tocar a mão dela com a mesma ternura que um dia foi minha? Aà me perguntei, com a garganta apertada e os olhos já cheios de lágrimas: como pode? Como você conseguiu me esquecer tão rápido? Como conseguiu seguir em frente como se tudo o que a gente viveu — os dias bons, as noites de conversa, os sonhos que fizemos juntos — não tivesse sido nada?Como pode caminhar ao lado dela como se não tivesse deixado metade de mim para trás? Como apagou tudo tão depressa? Tudo isso foi só um jogo para você? Nada disso teve peso? Nada disso ficou gravado em você, como ficou em mim?
Meu coração não doeu — ele se despedaçou. Em pedaços tão pequenos que eu sei que nunca mais vou conseguir juntar. Você passou por ali, feliz e leve, como se eu nunca tivesse existido. E eu fiquei, sozinha, com a dor de ver que para você, o que vivemos não foi absolutamente nada.
Fiquei ali parada, escondida pela sombra da parede, até vocês sumirem na multidão. Meu coração parecia estar dilacerado, como se cada pedacinho que você um dia segurou com carinho tivesse sido arrancado devagar. Não fui atrás. Não podia. Porque ver você feliz com outra pessoa… era a prova mais cruel de que, para você, o nosso passado já tinha acabado há muito tempo — mesmo que para mim, ele ainda doesse como se fosse ontem.
— T 🥀
















