E estar só tem me levado a um estado nunca antes chegado As crises são mais frequentes agora que mais me sento para ouvir-me Mas nesta solidão noturna viajo pra lugares em que renasço ou me desfaço Dos dois há sempre uma aprendizagem Deixei de fugir aos meus demónios, hoje deixo que me invadam e que suguem tudo que puderem, que me ensinem a viver triste e sozinha durante as noites que o mundo se esquece da existência do mais pequeno ser. A verdade é que enquanto uns dormem outros nascem, e eu tenho nascido longe de um berço, longe de uma casa, longe de afecto, longe da humanidade. Cada pedacinho de mim tem percorrido o meu corpo Antes assustava tanto essa sensação, agora virou rotina essa meditação Só quando a gente aceita nosso mundo é capaz de aceitar levemente o de outros Mais triste mas também mais leve, muitos pesos se foram e os que ficam são os que fazem parte de mim, e a esses devo respeito e uma vénia por serem tão persistentes. Esses até hoje permanecem porque talvez sejam o meu limite e a barreira criada pra minha percepção, então esses eu digo que me definem, por isso os abraço e os acalmo quando gritam por socorro. Tenho sido o meu melhor doutor e descobrindo uma paciente já morta lutando pra voltar a vida, a ela eu aplaudo por encontrar perseverança num mundo onde a escapa. Se ela reviver então poderei dizer que ela encontrou o motivo da sua vinda, e aí nada mais a fará estremecer. Pra sua doença cara paciente só existe uma cura : lavar a Alma, alimenta-la, e sempre mas sempre deixá-la ser mais que livre. Tudo fica mais fácil quando a Alma está fresca, cheia e em constante viagem. Noite feliz princesa, amanhã tudo se encaixa, hje aceita que ainda não chegou a hora e descansa, eu protejo-te, eu sempre te protejo. Ary 😌✨