Eu sei que jĂĄ escrevi milhares de textos te dizendo adeus, e como vocĂȘ mesmo viu eu falhei em todos, depois de cada ponto eu te esperei voltar pra começar uma nova linha. Precisamos da imensidĂŁo do mar, do deserto e das geleiras, cada extremo Ă© necessĂĄrio para nossa sobrevivĂȘncia aqui. Precisamos desse equilĂbrio. Passei tanto tempo mergulhando de cabeça no que sentia que me afoguei, meu peito ainda carrega lĂĄgrimas que nĂŁo sĂŁo absorvidas pelo sol, fui tĂŁo fundo que sĂł existia breu, nĂŁo acreditei que teria forças para voltar para a luz da superfĂcie. Passei tanto tempo caminhando sem chegar a lugar nenhum, tudo parecia igual, andando em cĂrculos (?), minha garganta secou, começaram as alucinaçÔes. Passei tanto tempo com a respiração ofegante, com o peito dolorido e a cada respiração uma pancada, meu corpo nĂŁo conseguia se mexer, a circulação nĂŁo passava e nĂŁo existia mais nada no meu corpo com calor, que confirmasse qualquer sinal de vida, congelei, fria por dentro e por fora. Mas as estrelas refletem a luz do sol, e tudo volta ao normal. Precisamos das estrelas, e de cada extremo, sem isso nĂŁo haveria vida. Espero que vocĂȘ entenda o que estou querendo dizer com tudo isso, mas jĂĄ quis de mais de vocĂȘ e me perdoe por isso. Agora eu decidi querer mais de mim, e isso anula a possibilidade de continuar criando expectativa sobre vocĂȘ, vocĂȘ nĂŁo cresceu ainda e nĂŁo posso mais esperar por vocĂȘ, ao menos vocĂȘ me permitiria. VocĂȘ me quebrou mais uma vez, e minha criatividade pra fazer mais loucuras pra nos salvar acabou, preciso do velho e clichĂȘ "deixar que o tempo cuide de nĂłs". Coloquei muito em risco por vocĂȘ, inclusive a sanidade que me restava, me arrisquei, me risquei e acabei virando esse rabisco que ninguĂ©m mais consegue entender, sem começo ou fim. E eu quero que alguĂ©m me entenda. Eu quero que alguĂ©m me busque enquanto eu estiver submersa, quero que alguĂ©m me mostre o caminho enquanto eu vagueio, quero que alguĂ©m me tenha nos braços e me esquente enquanto eu congelo. E nĂŁo Ă© vocĂȘ. Nada que eu tivesse feito faria com que fosse vocĂȘ. NĂŁo me culpe que eu tambĂ©m nĂŁo te condeno, nĂŁo houve crime apenas vitimas. VocĂȘ nĂŁo precisa entender nada disso agora, mas quando vocĂȘ sentir isso por alguĂ©m espero que pare e lembre de mim, se possĂvel sorria. Talvez eu tenha aprendido a odiar um pouco menos despedidas por causa dessa, permanecer pode ser bem mais dolorido do que simplesmente dizer adeus. NĂŁo estou com medo de ficar, nĂŁo estou com medo. SĂł nĂŁo estarei mais aqui. E esse Ă© o meu "atĂ© mais".