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Agentes da PolĂcia espancam brutalmente motorista da âIntercapeâ
Quarta, 12 Junho 2013 05:42
Agentes da PolĂcia espancam brutalmente motorista da âIntercapeâ
 âEstavam todos bĂȘbadosâ, diz a vĂtima
  Beira (Canalmoz) â Agentes da PolĂcia da RepĂșblica de Moçambique (PRM), que trabalhavam em patrulha, sexta-feira Ășltima na Estrada Nacional NĂșmero Um (N1), em Marracuene, espancaram brutalmente Gino Francisco Fernando Matsinhe, de 50 anos, motorista da âIntercapeâ. A vĂtima sofreu sevĂcias durante quarenta minutos, nomeadamente pontapĂ©s, golpes de bastĂ”es e coronhadas de arma, quando o autocarro da marca Scania em que se fazia transportar, com a chapa de matrĂcula ACJ 653 MP, seguindo na direcção Maputo-Beira foi interceptado naquele distrito da provĂncia de Maputo, alegadamente por transportar no seu porĂŁo um suposto meliante.
Uma das testemunhas oculares contou-nos, sob condição de anonimato, o que viu: âVĂnhamos de Maputo e o carro procedeu a uma curta paragem no Zimpeto, onde recolheu Gino Matsinhe, motorista que, estando de serviço, deveria permanecer naquele porĂŁo a descansar, atĂ© ser chamado a substituir o que vinha a conduzir o carro, pois por norma da empresa os dois nĂŁo podem seguir lado a lado para nĂŁo negligenciarem a condução em conversasâ. Â
Segundo a fonte, suspeita-se que alguĂ©m tenha informado Ă PolĂcia da situação do motorista que viajava naquele porĂŁo, pois Ă chegada Ă Marracuane, os agentes da lei e ordem interceptaram o machimbombo e, acto contĂnuo, depois de exigirem o livrete, pediram que se abrisse o porĂŁo. Ao que a tripulação obedeceu. E nisto, quando deram com Gino no porĂŁo, sem averiguaçÔes prĂ©vias e sem nenhuma culpa formada, desataram a golpeĂĄ-lo. Nem sequer lhe pediram a identidade. Foi vergonhoso e desumano, disse a nossa fonte, que por sinal Ă© um magistrado.Â
âSĂł depois de muito terem-no agredido Ă© que a tripulação os convenceu a pararem com as sevĂciasâ.
Por seu turno, a prĂłpria vĂtima contou-nos que no autocarro de luxo que faz as carreiras interprovinciais de longo curso, existe um espaço, no porĂŁo, para um dos motoristas da equipa de dois que compĂ”e a tripulação descansar. âTemos um compartimento onde o co-piloto descansa, espĂ©cie gaveta. Era por volta das 19 horas. Foram 45 minutos perdidos. Bateram-me na cabeça, nas costelas, atĂ© eu ver estrelas. Tinha comigo uns 4.700 meticais, dos quais 2 mil da empresa, outros de ajudas de custos para pagar a residĂȘnciaâ.
 âTodos estavam bĂȘbadosâ
 âEra um agente Ă paisana, uma PolĂcia de TrĂąnsito (PT) e um cinzentinho. Havia um segundo PT que era pacĂfico. Todos estavam bĂȘbados. Foi um informador que os alertou que eu estava a dormir, desde a cidadeâ, contou Gino Ă nossa Reportagem, na Beira.
Os passageiros, segundo Gino, âficaram chocados. Aconselharam-me a levar o caso Ă justiça. Sofro dores ainda. Tomo o meu corpo estĂĄ dorido. Levei pontapĂ©s, coronharam-me, pisaram-me, eu caĂa, acto contĂnuo levantavam-me e voltavam a bater-meâ.
Perguntado sobre o tipo de desfecho que daria ao caso, Gino respondeu: âFalei com a minha empresa. Vamos levĂĄ-los Ă justiça. NĂŁo temos identidade deles, mas vamos buscar. Sinto-me humilhadoâ.Â
O caso deu-se no controlo da PRM, em Marracuene.
No autocarro seguiam vĂĄrios magistrados que assistiram a tudo. (Adelino TimĂłteo, na Beira)