Ed Sheeran On Ice ♕ Viktor Nikiforov → Eraser
I used to think that nothing could be better than touring the world with my songs skates, I chased the picture perfect life, I think they painted it wrong
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Ed Sheeran On Ice ♕ Viktor Nikiforov → Eraser
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Tourism Ministry inks MoU for certification of tour operators The road map will be based on regional workshops held with relevant stakeholders across the country. …
First is a gaia trade, the others are my babs.
Eu sou o inverno – E o tempo
Nada é pleno, nada é constante. Se hoje a insegurança me toma de maneira desconfiada, é porque um dia eu acreditei que as coisas pudessem ser constantes, e acreditei que a vida fosse plena. A vida é o tempo. O tempo que passa, o tempo que dura, e o tempo que vira. Como num dia de céu azul, que de repente é revirado pelo vento forte e fica cinza, pesado. Eu não consigo mais carregar essas nuvens densas e cinzas. São nuvens não só de água, mas angústias, dúvidas e tristezas. Gostaria de fazê-las chover, mesmo que eu não goste do tempo chuvoso, a chuva lavaria a minha alma, e talvez me deixasse mais leve. Mas como o tempo que dura, espero que eu dure, para que a chuva passe.
Eu sou o inverno – E o céu
Em alguns momentos da vida, me senti completamente incapaz. Incapaz de agir, ou de amar. De dar à alguém, uma parte de mim que eu nem tenho certeza da solidez. Eu nunca fui sólida. Sinto que sou como o céu, em certos momentos sou cinza, perturbada por nuvens de incerteza, e me caem lágrimas dos olhos, como chuva. Em outros, sou azul, vibrante e ensolarada. Mais tarde, sou pôr do sol, entardecer, sou laranja, vermelho, azul outra vez, porém mais forte. E essa é a minha parte preferida, pois acredito que seja um momento de transcendência, e todos nós transcendemos, todos os dias. Assim como o sol se põe, mesmo nos dias cinzas, quando somos incapazes de perceber, a transcendência se faz. Nos faz.

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Eu sou o inverno – E não sou linear
Eu sinto a dor que aperta os corações alheios. Sinto-a em meu peito. Eu não gosto disso, mas sempre me ajudou a compreender melhor as pessoas. Hoje é domingo, e é sempre um dia sufocante. O ar tem cheiro de desgosto e cansaço causado pela rotina que maltrata as almas entristecidas. A atmosfera é densa, abafada, e o ar não é suficiente nos meus pulmões. As pessoas olham umas às outras como quem não suporta mais nada. Mas elas suportam. E eu sinto isso. É o dia que todos colocam suas mágoas para fora do peito. E eu as absorvo. Guardo as minhas, em um cantinho escuro dentro do meu coração, e quem se importa? Há de haver sempre um espaço para acolher mais uma mente desamparada, um coração feito em lascas. Então o faço. Não sou a pessoa que sofre apenas o próprio sofrimento, eu sinto muito, e sinto o que não deveria. Mas continuo sentindo.
Eu sou o inverno – E o começo é turvo
Sinto o cheiro do amanhecer, e meu peito transborda nostalgia. Lembro-me da minha infância, meu coração fica apertado. Não foram bons tempos, exatamente. Com entes queridos quase sempre separados, por necessidade, por desavenças ou por amor. Foram tempos de dor. De ausências. Alguns tentavam amenizá-la, e eu sentia muito por não saber fingir satisfação naquele tempo. Pois sabia que minha tristeza também machucava corações alheios. Tudo o que eu queria, era um pouco mais de presença. Talvez tenham sido os cinco anos mais difíceis. Sem o afago, e sem o calor dos abraços apertados do meu porto seguro. Sempre quieta, de palavras discretas escolhidas cuidadosamente. Olhos marejados, arregalados, confusos. Coração cheio de amor e calor, que por certo tempo fora dado somente pela metade, mas a metade mais intensa. Fora dado à minha base, que também sofria sem porto seguro. Era doce, transbordava afeto, mas sem deixar de ser firme. Era o que mantinha minha esperança acesa.
Eu sou o inverno – E eu sinto muito
Diferente do que eu demonstro, sempre fui muito sentimental. Eu me importo com cada palavra e com cada tom que é dado à elas. Mas eu nunca deixei isso claro, pois sempre preferi me calar à contestar, gerar tensões... Eu gosto de sentar em um lugar qualquer, e observar as pessoas. Reparo em cada detalhe, procuro desvendar o que há por trás de suas expressões, o que está escrito em suas rugas. Enxergo em seus olhos, suas dores, suas tristezas, e pontas de alegria. A dor me chama a atenção. E tenho cada vez mais facilidade para enxergá-la. Eu me preocupo com as dores alheias, tenho curiosidade para desvendá-las, compreendê-las. E não é preciso que olhos transbordem e lábios se comprimam para percebê-la. Acho que, quando você tem uma coleção de dores, você passa à identificar a mesma essência em outros olhares. Apesar de minha juventude celular, –que não se encaixa à minha idade mental– eu já colecionei muitas dores. E não há idade para sentir. Você é obrigado à lidar com a dor enquanto estiver vivo. Eu costumo fazer rodeios quando falo de mim. Essa é a minha maior dificuldade, pois nunca sei por onde começar. Mas tentarei quando o sol nascer mais uma vez.