Umbanda Linda
As pessoas que vivem mais prĂłximas de mim sabem o quanto me conecto com a espiritualidade. Atualmente, mesmo estando um pouco distante por causa das coisas da vida, nĂŁo posso negar que a Umbanda Ă© a religiĂŁo que bate forte no meu coração. Fui criada em um berço de kardecistas e umbandistas. Desde muito nova, frequento terreiros, converso com entidades, presencio ou ouço histĂłrias sobre eventos sobrenaturais e espirituais da nossa famĂlia. De 2019 para cá, me reconectei Ă s minhas origens quando um amigo me levou a um terreiro para conversar com uma preta velha e tive a sensação de ter voltado para casa.
Hoje, seis anos depois, percebo que a Umbanda nunca deixa de me emocionar. Ouvir o som dos atabaques e os pontos cantados me traz arrepios; o coração quase sai pela boca. Ver as crianças abraçando exus, caboclos e pretos-velhos ou brincando com os erês enche meus olhos d’água. Entrar na cachoeira para lavar o ori ou simplesmente me sentar à beira da praia para me conectar com a energia das yabás me traz uma enorme paz. Conversar com uma entidade e perceber sua simplicidade, sabedoria e humildade me faz continuar honrando o branco que escolhi vestir.
Ter emoções tĂŁo genuĂnas a partir da vivĂŞncia dentro de uma religiĂŁo que fizeram questĂŁo de demonizar me faz sentir muitas coisas: orgulho por ter encontrado o caminho que meus ancestrais queriam para mim e por ver a quantidade de pessoas que a Umbanda consegue ajudar e impactar positivamente; amor por um culto que me recebeu de braços abertos e me salvou em um dos piores momentos que já vivi na minha vida; respeito pelos guias espirituais que sempre me acolheram e cuidaram de mim; e a vontade de permanecer cultuando os orixás, onde sempre foi o meu lugar.
Axé.
Texto escrito para o Desafio Escratividade da Oficina de Escrita de 10 dias da @lura_editorial - Dia 1











