O cansaço de uma doméstica. Será que a vida é só lavar louça e passar pano?
Quanto tempo! Finalmente tenho algo para contar, e algo profundo dessa vez. Enfim, vamos lá.
Não sei se já contei aqui, mas, eu sou doméstica (da minha própria casa no caso) e eu tenho responsabilidade de afazeres de casa desde os 10 anos; até aí meio ok, quem nunca viu as responsabilidades que normalmente são de adultos serem atribuídas a uma mera criança, não é mesmo!?
Bem mas vamos regressar um pouco, voltando lá para a pandemia: eu me lembro de começar a sentir uma sensação que eu não sabia pôr em palavras, mas que hoje eu sei. Naquela época eu ficava incomodada com o fato de acordar, ter que limpar a casa, ter que assistir aula online e depois disso fazer não sei o quê da minha vida. Eu não vivia, não saia com ninguém (isso já desde muito tempo, não foi exclusivamente culpa da pandemia) isso incomodava bastante porque eu me sentia, e ainda me sinto sufocada.
Creio que desde o ano passado até esse ano essa é uma das perguntas que mais rondam a minha mente: a vida é só lavar pratos e limpar o chão? É só tirar a poeira dos móveis e trocar as roupas de cama e da cozinha? Lavar, passar, cozinhar, cuidar e etc. E a partir dessas perguntas eu me sentia cada vez mais sufocada e com um certo mal-estar (provavelmente emocional que, talvez, impactasse no meu físico; não sei dizer ao certo). Em resumo, eu me sinto muito mal por viver uma vida onde o que eu faço é basicamente isso, e só isso. Até o celular em certos momentos se torna enjoativo, eu sempre quero mais mas esse mais parece nunca chegar, parece distante e eu sempre correndo atrás dele, mas nunca chego até ele.
Hoje, na noite desse sábado dia 1 de novembro, eu estava tentando achar forças para se quer dar um tapa na casa, mas acabei enrolando muito, deixando tudo no meio do caminho para vir dormir porque eu olhei o horário e percebi que eu não iria acabar se continuasse naquele ritmo. Me sinto mal por causa disso porque, além de não conseguir fazer as tarefas domésticas básicas, sei que os meus pais vão pegar no meu pé, e não gosto de ninguém pegando no meu pé. Eu sei que tem todo aquele papo de que eles trabalham para me sustentar e me dão de tudo do bom e do melhor, mas sei lá, isso me faz muito mal viver esperando as parabenizações pelo meu serviço bem feito e quando eu não estou com pique para realizá-lo eu sei que vou ser esculachada. Amo meus pais mas, se tem uma coisa que me incomoda é toda essa cobrança. Querendo ou não, esse meu desânimo com relação a tudo isso afeta na demanda que o domicílio tem.
O que é surpreendente é que nesses dias minha mãe tem conversado comigo e me dito que olha as fotos do tempo em que eu tinha 10 a 11 anos e hoje chora pensando no que ela fez por ter colocado essa responsabilidade nas minhas costas. Por mais que me machuque, me deixe chateada e tudo mais, entendo também que ela não tinha com quem contar e precisava da minha ajuda, e no final das contas quem vive de passado é museu; não adianta chorar por um leite que já foi derramado e, com tanto tempo passado, já evaporou. Só peço para que ela me apoie na minha nova jornada enquanto uma pessoa que vai tomar as rédeas da própria vida agora que vai completar a maioridade. Nessa reta final de ensino médio só se passa uma coisa na minha cabeça: vida nova, vida nova, vida nova. "Ah mas vai ter conta para pagar", "Ah mas vai ter que pegar condução para trabalhar", "Ah mas vai ter que trabalhar", eu sei, eu sei, mas eu sinto muito no meu coração que a vida tem muito mais a me proporcionar do que boletos, dívidas, escala de trabalho exaustiva e exaustão da vida adulta no geral.
Estou ansiosa pelo momento em que eu finalmente possa me livrar das amarras que me prendem de não conseguir limpar a minha própria casa com gosto, coisa que eu gostaria muito de fazer mas que no momento eu não consigo. Espero também não ter que dar satisfação a ninguém sobre o porquê eu fiz ou deixei de fazer algo dentro de casa. Pode parecer ingratidão mas é assim que eu me sinto, e esse espaço é o lugar que eu tenho para pôr para fora o que eu normalmente não ponho.
Enfim, se você passa por algo parecido eu gostaria muito que comentasse nesse post para eu saber que não estou sozinha hahaha. Deixe suas considerações abaixo. Um beijo, obrigado por ler, e até a próxima.













