E sabe, eu to me sentindo uma completa idiota, to me sentindo traída, enganada, sei lá qual a palavra que melhor se encaixa. Só sei que esse foi o “pra sempre” mais curto que já me prometeram, engraçado que eu nunca fui muito de acreditar nesses tipos de promessas, mas a tua me pareceu convincente. E agora eu to aqui desde de ontem tentando segurar um choro que eu não sei definir, e vou continuar segurando, porque nunca gostei de que outras pessoas me vissem chorar, fraca eu sou, confesso, mas não preciso que as outras pessoas saibam. Eu to me sentindo de um jeito meio sem explicação, que parece que nada faria aliviar, nem uma conversa com o meu melhor amigo, nem um abraço, e nem uma reconciliação entre nós.
Teve tantas palavras, tantas frases que eu evitei pra não te machucar, e no final das contas pra variar quem acabou saindo machucada fui eu. Tola, tola demais. Vazia de amor próprio, cheia de amor ao próximo. E graças a esse meu mal habito de me importar mais com os outros do que comigo mesmo, eu to aqui desesperada escrevendo, tentando aliviar algo que não parece ter alívio.
Por quantas, e quantas vezes eu esqueci minhas dores pra cuidar das tuas. Quantas vezes eu te ouvi falar daquele amor antigo, que sempre me doeu tanto, mas nem por isso te deixei na mão, e nem deixei que você seguisse de cabeça baixa.
E agora me diz, aonde você foi, e por qual motivo foi, que me deixou aqui quando eu mais precisava. Cadê a merda do nosso pra sempre? Ah me esqueci, ele deixou de existir assim, de repente do dia pra noite, por um motivo que eu desconheço. Mas tudo bem, talvez eu não tenha mais tanta utilidade nessa tua vida.
Agora eu fico me lembrando, das várias vezes que me desesperei por conta dos seus desesperos, por conta dos teus sofrimentos, tuas dores eram as minhas, por isso eu sempre cuidava dos teus machucados. Quantas vezes deixei de ser aquela mal humorada, pra ser a idiota que queria te tirar um sorriso. Mas agora acho que já tem alguém pra fazer isso por você. E sabe olhando assim agora, olhando pra trás, onde tudo começou, parece até que entrei na tua vida pra concertar algo que não vinha dando certo. E agora é como se você não precisasse mais de mim, por que você ta ai agora do lado dela, e não do meu, como é de costume aos sábados. Será que ela fez tudo certinho? Acho até que ela tenha feito melhor, porque eu particularmente nunca fui boa o suficiente. Vivia sendo grossa, como você sempre dizia. Mas não era por mal, era só um medo meu, uma defesa minha, medo disso, medo de hoje. Pelo jeito esse meu medo todo, não adiantou de nada. E sabe? Eu acho que não quero que você venha atrás, e também não vou permitir que eu vá. Deixa esse orgulho acabar com algo que não devia ter nem começado, afinal, essa nossa história pode machucar tanta gente. Eu vou sentir falta de tanta coisa, principalmente dos abraços, e dos beijos na testa (aqueles que você já não vinha dando com tanta frequência). Mas eu já to acostumada a ver as pessoas entrarem na minha vida pra saírem logo em seguida. Eu me acostumo logo, depois de alguns livros, de fugir pra várias histórias que não acontecem nesse mundo e sim em um mundo inventado, isso passa, ou eu esqueço, ou só finjo que esqueço.
(q-marra) Caroline Plana