Quando eu tinha meus 15 anos, eu acreditava que o capitalismo era uma bosta; de origem humilde, eu via um monte de coisas, que nunca poderia viver. Me sentia excluido da sociedade e acha que o culpado era o tal do capitalismo. Eu era marginalizado e via nos estudos minha única salvação. Era uma época estranha, o país havia a pouco saído de uma ditadura militar. O nosso primeiro presidente escolhido pelo voto nos dera uma rasteira. E depois dele apareceu uns típicos capitalistas dizendo que colocariam o país nos trilhos. Como assim? Duvido !! Eles só querem nos enganar novamente. A gente só se fode neste merda. A única solução é uma grande revolução... O Brasil possui uma história bem cuzona. Nunca nos envolvemos declaradamente em nenhuma grande questão. O Uruguai não é nosso por isso, nossa grande guerra foi contra um pais falido, e só participamos da segunda guerra mundial no finalzinho e por muita pressão externa. Nem quando entram no nosso quintal e roubam nossas roupas do varal ( e neste caso pode ser latex da amazônia, animais e outras plantas silvestres, dados sigilosos da petrobras, fósseis e etc) fazemos alguma coisa. Então nossa grande revolução tem que ser feita de forma pacifica e de preferencia que não atrapalhe nenhum feriado. A solução foi a ascenção de Lula ao poder em 2002. Um cara que se dizia a favor da luta de classes, reforma agrária, redistribuição de renda, etc... Todos os ideais anti capitalistas pregados por anos por comunistas e socialistas. Seu partido vinha sobre uma grande estrela vermelha as siglas de Partido dos Trabalhadores. Porra, ninguém vai me ajudar na minha cruzada anarquista, só me fodi com esses com discursos bonitos e palavras difíceis, vou me abraçar com esse cara, porque pior não fica. Afinal nos supostos antros do saber, universidades, centro acadêmicos, etc. culto é ser de esquerda, legal é ser marxista e tomá no cú da coca-cola! Pois bem, o pais vinha numa crescente econômica graças a arrumação da casa do governo anterior, o cenário econômico externo era super favorável economias normais (fora a china que era completamente fora da curva positivamente falando) cresciam a 5,6,7% ao ano. A máxima que o Brasil é o país do futuro martelava em minha cabeça. Pois bem, 4 anos se passaram e muita coisa mudou, menos o fato de eu continuar me sentindo marginalizado. Trabalhava igual a um camelo, por um salário de bosta, não tinha grana para concluir meus sonhos, minha educação de origem pública não foi suficiente para passar em uma faculdade também pública, ou em algum concurso público. Ou seja: Rala severino, tudo isso aqui não é para você! Mas aí caiu a ficha, putz não é que eu seja excluido da sociedade, assim como eu tem mais uma galera, ou seja, nós somos a sociedade ! Essa idéia de marginalização é conversa pra boi dormir, tá rolando uma festa aí e entra quem quiser. Não é o governo que vai arrumar uma mesa pra mim, não vai ser o papa que vai me dar um ingresso e muito menos, não vai ser o sistema econômico que vai me dizer se eu estou bem vestido ou não. É cada um com o seu dom dado por Deus se segurando pra não cair, porque o mundo não vai parar de girar. Devido ao meu passado anarquista foi bem fácil tocar o foda-se pra tudo e finalmente começar a tocar a minha vida. Se para eu conseguir o que eu quero neste mundo eu preciso de dinheiro, vou atras do dinheiro! Avaliei as opções que tinha, exclui todas as que me poderiam colocar alguém em perigo, excluí também as que poderiam acabar com a minha consciência e cheguei a conclusão que sem estudar eu estaria ferrado. Precisaria me sujeitar a fazer o que fosse preciso para conseguir pagar uma faculdade. Mas que assim seja. Foram alguns anos suando, me virando entre trabalho, estudos, cama e vida. Durante esse período o nosso querido governo não me ajudou em nada. Na realidade só tentou me fuder ainda mais. Porém a festa pra ele era ainda mais divertida. Tanto que não quis largar o osso nunca mais. Hoje muitos anos depois, eu continuo na correria, mas na festa da vida eu já comi e bebi de tudo. Gritei "gol" e "filha da puta" com a mesma intensidade e ambas as palavras para momentos bons e ruins. Mas graças a Deus nunca precisei da ajuda de governinho escroto nenhum. Não culpo quem a precisa, compreendo que existam casos muito, mas muito piores do que o meu e reconheço que a mãozinha necessária dada pelo governo foi eficaz. Mas como a pátria NUNCA foi educadora, o mesmo governo que ajudou a alguns, fudeu com outros. A esmola só é vantajosa para quem a dá, desta maneira ela escraviza o pedinte nesta posição. Mas o que eu não compreendo é a que ponto que chega a estupidez humana; onde se discute as opniões políticas com as mesmas paixões de torcidas organizadas. Onde se defenda uma presidente mentirosa e hipócrita, como se ela fosse sua mãe. Onde se vista uma camisa vermelha tão manchada de sangue que a estrela de antigamente pareça hoje uma suástica.