A mĂșsica tava alta. Eu nunca entendi porque Ă© sempre na melhor parte da festa que as horas ruins chegam. A mĂșsica tava mesmo alta, mas parecia que a voz dele estava muito mais. Os assobios de Starstrukk nĂŁo escondiam a voz dele. Ele me olhou por alguns segundos e disse "oi", como se estivesse realmente tudo bem entre nĂłs. Eu fiquei sorrindo pra ele, do mesmo jeito que eu sorrio pra todo mundo na rua, no ĂŽnibus, na escola, em casa. Do mesmo jeito de sempre. Mas, naquele momento, em que ele disse "oi" e ficou olhando em meus olhos, deu vontade de chorar. Eu mexi no cabelo pra tentar esconder metade do meu rosto com a franja, como se ele nĂŁo fosse notar pelos efeitos de luz que ofuscava o resto. Mas aĂ, quando eu cobri sem parecer uma idiota, ele tirou o cabelo do meu rosto. "VocĂȘ tĂĄ linda", ele disse... E eu nĂŁo consegui acreditar. Porque ele nĂŁo riu. Ele sĂł estava me olhando, mas me olhava com os mesmos olhos acostumados. Ainda nĂŁo havia brilho em seus olhos. "Ei, eu disse que vocĂȘ tĂĄ linda...", ele insistiu numa resposta minha. Eu sĂł sorri. O nĂł na garganta estava ficando cada vez maior, mas eu tinha que dizer algo, nĂŁo tinha? E eu disse. "Obrigada", sorri... Por que vocĂȘ nĂŁo para de sorrir, sua idiota? "NĂŁo agradeça... VocĂȘ sabe que Ă© verdade.", eu sabia? NĂŁo. Para. Pa-ra. PARA. Ele dizia as coisas certas nas horas erradas e eu sempre interpretava tudo errado. Eu pedi, mas nada parou. Tudo continuava girando. "Bem, Ă© isso", ele continuou, "sinto sua falta". E foi embora. Ele disse isso e foi embora, me deixando com cara de tola mais uma vez, no meio da mĂșsica, no meio da multidĂŁo. Ele quebrou meu coração em pedacinhos novamente, com apenas mais uma frase. E foi embora. Eu sei porque isso aconteceu. Porque ele nunca me olhou do jeito que olhava pra ela. E por mais que ele tentasse negar, ele sabia que era verdade.