Toma um chá e respira fundo!
Chorei muito. Suspirei até não conseguir derramar mais nenhuma lágrima. Ainda elas estão secando e algumas cicatrizes já estão fechando, mas ainda estão ardendo.
Dói quando a gente é rejeitado mais uma vez quando tivemos a vida inteira passando por isso. Sempre construímos esperanças nas últimas forças, que nem sabemos de onde tiramos, só para tentar mais uma vez. Vai que dá certo, não é mesmo?
Escrevo aqui, pra mim mesma, só pra lembrar que sempre tentei. Fiz o meu melhor em tudo que pisei, em todas as palavras que proliferei, mas parece que voltei contra mim mesma. Quem disse? Foi o tempo, Char. Ele me mostrou. A intensidade que mora dentro de mim, me viu no cantinho com as asas cortadas e me deu as mãos. Ela me deu a esperança, mas não pra tentar de novo no mesmo jeito. Ela me fez olhar pra trás, olhar pra frente e decidir que caminho tomar, agora que sei que essa trilha que peguei não foi a melhor escolha. "Você tá nova". "Só errando que se aprende". Essas frases foram só um abraço pro meu coração todo mole e dolorido.
Errei. Errei feio. Fui algo que não deveria ter sido, construí e mostrei coisas que, na verdade, não eram pra ser minhas. Machuquei um pouco de mim aqui dentro, mesmo quando dizia discursos para que nunca fizessem o mesmo. Eu fiz, caí e ainda tô chorando no chão porém estou juntando forças para que eu levante novamente. E sim, eu sei. Eu não estou sozinha. Estou aqui, pensando no primeiro passo que vou dar nessa situação. Tentando me redescobrir, olhar para mim no espelho e ver até onde posso ir e sendo companheira de mim mesma (sempre!). Não sei quando isso irá acontecer, espero mesmo que logo. Ainda me sinto um pouco vazia. Carrego uma armadura (por ora) quando por dentro sou mero universo vago tentando achar uma constelação que realmente me molde, só pra me tornar a melhor amiga de mim mesma (de novo). Eu nunca farei mais isso. Não viverei mais para que as pessoas me aceitem, me moldem. Quem sou eu, Char? Só tenho uma peça de todo o quebra cabeça inteiro, aparentemente de 3000 peças. Preciso sentir orgulho da paisagem que for ver. E me ouvir. Me sentir. Me amar. De novo. Escrevo aqui, pra mim mesma, só pra lembrar que ainda vou construir esse quebra cabeça, essa poesia estranha chamada amor próprio.















